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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

CASCATA (THE WATERFALL)

Que sei eu?

O nevoeiro esconde um mundo que nunca está lá. O verde duma esperança que não existe.

Eu quero a liberdade do que é selvagem e intocado.

Reencontro-me num mundo vazio de gente, nos abismos de mim, envolto em névoas que o tempo vai desvanecendo em ilusões e falsas suspeitas.

A água que se precipita em cascata mas nunca cai em parte nenhuma.

O rio da vida, imparável, jorra do alto. Não lhe sei a fonte, mas sei que vem de além, muito além.

Eu quero as montanhas altas, inexpugnáveis como a serenidade dos Sábios, que nunca conheci na vida.

Eu quero a exaltação do desapego no fascínio de me afundar em mim. Total! Completo! Marcado pelas falésias rugosas; chagas do Tempo.

Eu sou uma criatura urbana de planície.


Nota: Este texto é a minha participação para o desafio de blogagem colectiva “Minha Ideia é meu Pincel” lançado pela amiga Glorinha L de Lion do Café com Bolo, inspirado no quadro “The Waterfall” de Georgia O’Keefe.