Que sei eu?
O nevoeiro esconde um mundo que nunca está lá. O verde duma esperança que não existe.
Eu quero a liberdade do que é selvagem e intocado.
Reencontro-me num mundo vazio de gente, nos abismos de mim, envolto em névoas que o tempo vai desvanecendo em ilusões e falsas suspeitas.
A água que se precipita em cascata mas nunca cai em parte nenhuma.
O rio da vida, imparável, jorra do alto. Não lhe sei a fonte, mas sei que vem de além, muito além.
Eu quero as montanhas altas, inexpugnáveis como a serenidade dos Sábios, que nunca conheci na vida.
Eu quero a exaltação do desapego no fascínio de me afundar em mim. Total! Completo! Marcado pelas falésias rugosas; chagas do Tempo.
Eu sou uma criatura urbana de planície.
Nota: Este texto é a minha participação para o desafio de blogagem colectiva “Minha Ideia é meu Pincel” lançado pela amiga Glorinha L de Lion do Café com Bolo, inspirado no quadro “The Waterfall” de Georgia O’Keefe.