8.00h. Manhã ensolarada e promissora de mais um agradável dia, sem a contínua e maçadora chuva tropical. Mas... Oh, não! Lá vem ele de novo! O camião da distribuição de gás. Vem em marcha lenta, como sempre, para dar tempo a que alguém chame para comprar um bilha (botijão) de gás. Entretanto, do megafone instalado sobre a cabina do motorista e do ajudante, troa um forró rafeiro intervalado pela voz dum locutor berrando as vantagens do produto que ali se vende. Hum!... Serei o único que se incomoda com tal despropósito de poluição sonora? Parece que sim, pois ao que me foi dado constatar neste ano e meio que aqui vivo “poluição sonora” é coisa que não faz parte do vocabulário destas gentes.
E não é só o camião do gás...! Vem também um homenzinho numa bicicleta, pedalando em conveniente marcha lenta. No veículo, para infernizar mais ainda a pacatez duma vida de bairro residencial pois claro, foram previamente instaladas umas enormes caixas com altifalantes que vociferam em altos decibéis os tentadores preços do mercadinho na rua de trás. É por demais evidente que a engenhosa instalação sonora debita também o infame forró.
Julgam que ficamos por aqui?! Não! Ainda vem a pic-up de distribuição de garrafões (botijões; aqui é tudo botijão) de água de mesa. Obviamente que também se faz anunciar com o estrondoso e indesejado forró, tentando cativar as preferências de novos clientes e manter a fidelidade dos antigos, através da recordação da sua incómoda existência. E há o vendedor de fruta. E há o vendedor de bolachas, biscoitos e bolinhos. E há o vendedor de plásticos e demais tralha domestica. E há o vendedor de lençóis, atoalhados e demais panos para a casa. E há... E há... E há... Todos eles se anunciando invariavelmente com o forró de mau-gosto, em decibéis muito acima do permitido em qualquer país que preze pela qualidade de vida dos seus cidadãos.
Convém não esquecer os domingos, quando os vizinhos descem até à rua e frente à fachada do prédio, ficam conversando em roda, de cerveja na mão, ao lado do carro de portas abertas para deixar sair o som da aparelhagem sonora e que vocifera o invariável forró em altos berros. Julgarão eles que os demais vizinhos não terão aparelhagem sonora em casa para poderem ouvir música? Não sei. Mas sei que mesmo que eles tivessem o mesmo gosto musical que eu, eu preferiria ouvir a música que eu escolhesse no momento e nunca a que me seria imposta.
Enfim, apontamentos da vida dum estrangeiro em terras do Brasil. País que é um sucesso de desenvolvimento económico a nível mundial. Melhor seria que também fosse um sucesso na qualidade de vida dos seus cidadãos.
Como isso se alcança? Qualidade de vida? A resposta é bem simples: EDUCAÇÃO CÍVICA.