O Luís está hospitalizado para ser operado amanhã. Fui ao Hemocentro fazer a minha doação e...
Gente simpática e afável. Dispostos a encontrar soluções para contornar obstáculos. Apenas a lamentar a obtusidade vesga de certas leis e regulamentos.
Logo de início se instalaram dúvidas por eu ser estrangeiro; questionamentos sobre vistos temporários e permanentes, ao que eu lembrei que isso eram questões de polícia e não de saúde que era o que ali interessava. Ok, visto em ordem, o pragmatismo do “se não sabes como é deixa para lá”, seguimos adiante, como eu havia sugerido: o médico de despistagem é que sabe.
Era uma médica, simpática e objectiva, como convém quando lá fora na sala de espera dezenas aguardam a sua vez. Já alertada da minha situação de estrangeiro ela foi logo esclarecendo:
- Eu tenho que recusar a sua doação porque há uma portaria, no Brasil, que proíbe as colheitas de sangue a quem tenha morado mais de cinco anos na Europa. Por causa da febre “das vacas loucas”.
- Então quer dizer que não posso doar sangue nem medula óssea?
- Sangue, não. Mas medula óssea... pode!
- ???
- É que compatibilidade sanguínea é mais fácil de achar. Já o mesmo não se passa com a medula óssea, por isso a lei é mais permissiva nesses casos.
Enfim, agora sei que enquanto viver no Brasil o meu sangue (O Rh negativo) não irá ajudar a salvar nenhuma vida senão a minha. Como doador de sangue, lamento.