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domingo, 27 de junho de 2010

O QUARTO

A vida não se repete. São momentos únicos, que podemos alongar ou encurtar no cuidado com que os sentimos lavrarem-nos fundo na alma e na carne.
Durante uma semana vi-me retido na clausura do meu quarto, assistido pelos cuidados daquele que vivia cada momento na angústia de vislumbrar alguma recuperação entre o arfar febril do meu mau estar. Mas cabe ao corpo recuperar das suas debilidades; as quais podemos usar para revigorar as forças da alma.
Como um amigo disse: a cama só é boa quando temos saúde. A inércia torna-se uma penitência, o repouso uma tortura, o silêncio uma ameaça e o ruído uma agressão. Tudo chega até nós com novas cores e contornos. As premências e prioridades não são as que conhecemos. O que observamos a partir do nosso estado nada se assemelha ao que comummente entendemos como real. A distorção de perspectivas revela-nos a aberração grosseira da nossa percepção do que chamamos de quotidiano. Uma compreensão viciada e alarve de primazias que nada correspondem ao que verdadeira e humanamente importa.
Passei o meu ordálio. Recupero a normalidade. Mas é sempre uma normalidade diferente. Novas cores traz o mundo neste ressurgir. Novos valores e novas vozes me recitam outros cânticos que são outros rumos.
Desfraldemos as velas!
Cruzemos novos mares!

PS: Agradeço o cuidado de todos aqueles que se interessaram pelo meu estado de saúde e me apoiaram neste momento com a sua presença amiga. Bem Hajam!