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quarta-feira, 11 de julho de 2012

PRETO



Desci do Zumbi Pacheco e ao iniciar a minha caminhada, rumo ao meu destino, ouvi um chiar urgente de pneus. Em alerta os meus olhos procuraram a origem da emergência e acharam a mancha preta dum automóvel, travando atrás duma mota preta, empurrada e já tombando, derrubando o motociclista vestido de preto e usando um capacete preto.

- Foda-se! – Deixei escapar, mesmo em voz alta. Tudo que eu não quereria assistir naquele momento e nunca, era o espectáculo pungente dum motociclista trucidado pelos rodados doutro veículo.

O trânsito intenso da avenida central não se detinha, o que me dificultava a percepção. Desviava-se com alguma cautela e seguia indiferente. Afinal era tão somente mais um caso de motociclista atropelado pela falta de educação cívica no tráfego brasileiro. Motociclista só não é uma espécie em vias de extinção neste pais porque motas são os veículos motorizados mais vendidos, segundo as estatísticas. E o seu número continua aumentando  exponencialmente.

Mas quanto a este acidente fiquem tranquilos. O motociclista levantou-se pelo seu próprio pé, sem sequer um arranhão pois a roupa adequada o protegeu. Agentes da policia estavam perto e tudo terminou calmo, sem dramas. Mas, infelizmente, na maior parte dos casos não é assim.

segunda-feira, 19 de março de 2012

DESCULPA?!


A jovem aborda a faixa tracejada para peões (pedestres, br), riscada sobre uma lomba, com o intuito de motivar os automobilistas a pararem, respeitando a obrigatoriedade de darem prioridade aos peões, numa via de circulação interna do parque de estacionamento dum grande shopping. Ela avança, sem notar que pela sua esquerda um enorme mono-volume continua vindo sobre ela, em desrespeito pela regra do código que o obriga a parar antes da faixa sinalizada e dar passagem a quem está atravessando. A moça recebe uma pancada, ao ser atingida pela viatura e cambaleia, mas consegue manter-se em pé – provavelmente porque não usava aqueles atentados à saúde feminina, que são os enormes saltos altos. Atordoada ela sai de frente do carro e pede desculpa ao motorista.
DESCULPA?! Então ela acaba de ser agredida, atropelada, violentada no seu direito de transeunte ao cumprir o que a lei lhe pede (peão deve atravessar na faixa sinalizada, onde ganha prioridade sobre os veículos em circulação numa via condicionada e de velocidade limitada) e ainda acha que tem de pedir desculpa? A besta, que ia ao volante, é que deveria ter saído da viatura e assegurar-se se a vítima, da sua imprudência e falta de educação cívica, estava em perfeitas condições físicas e não havia sofrido algum dano ou ferimento. A besta que conduzia a viatura é que tinha muitas desculpas a pedir! Mas a besta nada disso fez. Limitou-se a retomar a marcha e seguir em frente. E continuará a não dar prioridade quando deveria fazê-lo.
Esta atitude de submissão das pessoas à prepotência abusiva dos condutores, tem levado a uma cada vez maior perigosidade nas estradas e vias públicas do Brasil, onde em maior parte dos estados e cidades o transeunte é olhado como um ser inferior e sem direitos. Pelos motoristas, os transeuntes são olhados apenas como coisas que saem à rua para estorvar a sua ânsia de pisar o acelerador e se declararem senhores absolutos da estrada. Dir-se-ia que as mentalidades não mudaram muito desde a publicação da Lei Áurea - quem não tem carro não passa dum miserável, um indigente sem posses nem estatuto: um escravo, ou seja, uma coisa sem direitos.
Nota: O caso ocorreu na passagem de peões (pedestres, br), que atravessa as vias internas do parque de estacionamento dos clientes, ligando à paragem de transportes públicos que servem o Shopping Recife (em Boa viagem, Recife).