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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

QUEM SOU EU?

Quem sou eu? Sou macho? Sou fêmea? Ou algo in-between?

Serei a vontade, o desejo ou a ânsia de ser? A fera ou o anjo?

Ou dia, ou a noite? A razão ou o instinto? As raízes da Terra se erguendo em astúcia e engenho. O sonho de construir o ser na ambição de se superar até ao que é altíssimo.

Eu sou o solo, a vida, o engenho... o instinto sobrevivendo tenaz, pela temperança indómita de não querer dominar mais que a minha expressão sem limites. A criança escondida nos gestos amadurecidos pelo tempo, que a experiência modela em inocência. A forma adoptada dum paradigma sem nexo de tão abusado. Depravadamente depravado.

Sou a verdade nua do mito sem mistério. O ultraje da natureza sem grades. O sermão orgânico dum ritual despropositado. Ave aprisionada fora da gaiola. Mártir de mim mesma, sem motivos para redenção. O caçador e a presa, na dança sedutora da morte de quem se liberta na identidade canalha dos sem nome.

Masculino útero corrompendo as normas da existência. F’rida que kalo na angústia de nunca ter espiado os males do mundo que nem se moveu, atónito (ou apático?) perante a urgência da minha demora.


Nota: Este texto é a minha participação para o desafio de blogagem colectiva “Minha Ideia é meu Pincel” lançado pela amiga Glorinha L de Lion do Café com Bolo, inspirado no quadro “Auto Retrato” de Frida Kahlo.