Parado na esquina, da movimentada
avenida central com uma pequena rua lateral. Detenho-me por alguns momentos
observando apenas o buliço de gentes e viaturas. Sem rostos, sem destinos,
apenas vultos que se cruzam no rugido da urgência alienada.
Uma voz corporiza-se à minha
frente, num rosto que me interroga por trás duns óculos escuros: - Desculpe! O
Senhor chama-se Valter?
O meu olhar desce por um braço que
segura um rosto feminino, divertido com a situação.
- Não. – Respondo num sorriso
simpático e feliz por alguém, naquele tumulto, ter-se identificado com outro ser
humano.
- Desculpe, - insiste ele e com simpatia, explica-se - mas tenho um amigo
que é exactamente a sua cara e a sua fisionomia. Até ia para lhe dizer: “Cara, tu não mudas, nem envelheces!
Estás sempre na mesma!”
E com o acender do semáforo
verde, o encontro diluiu-se no calor da tarde.
Nota: O modelo da foto é o português Valter Carvalho. Desconheço o autor da mesma.
