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quarta-feira, 9 de maio de 2012

VALTER



Parado na esquina, da movimentada avenida central com uma pequena rua lateral. Detenho-me por alguns momentos observando apenas o buliço de gentes e viaturas. Sem rostos, sem destinos, apenas vultos que se cruzam no rugido da urgência alienada.

Uma voz corporiza-se à minha frente, num rosto que me interroga por trás duns óculos escuros: - Desculpe! O Senhor chama-se Valter?

O meu olhar desce por um braço que segura um rosto feminino, divertido com a situação.

- Não. – Respondo num sorriso simpático e feliz por alguém, naquele tumulto, ter-se identificado com outro ser humano.

- Desculpe, - insiste ele e com simpatia, explica-se - mas tenho um amigo que é exactamente a sua cara e a sua fisionomia. Até ia para lhe dizer: “Cara, tu não mudas, nem envelheces! Estás sempre na mesma!”

E com o acender do semáforo verde, o encontro diluiu-se no calor da tarde.


Nota: O modelo da foto é o português Valter Carvalho. Desconheço o autor da mesma.