Vamos brincar de criança? Vamos brincar de adulto? Vamos brincar de faz de conta, ou vamos brincar de medo?
A rua é um rio por onde desfila a vaidade e o receio do que queremos e não queremos mostrar, do que queremos e não queremos que os outros vejam. Dum lado o impulso, do outro o padrão, a regra, a vergonha.
O cortejo estreita-se entre o jardim e a jaula. E agarramo-nos à tradição; pendurados de ritos que nem entendemos, como jumentos atrelados numa carroça. É o desfile da história, o desfile do faz de conta que somos assim e até felizes.
Vamos brincar de bonzinhos? Vamos brincar de que até nem vemos, de que até nem nos importamos? Vamos brincar na rua? Com a fantasia que os outros escolheram para nós? E receber os aplausos quando tudo está certinho. Tudo ao jeito deles! Que importa o quão nos sentimos nós, ou confortáveis, atrás da máscara que nos impõem? O dia é sempre deles. E com a igreja sempre ao meio!
Nota: Este texto é a minha participação para o desafio de blogagem colectiva “Minha Ideia é meu Pincel” lançado pela amiga Glorinha L de Lion do Café com Bolo, inspirado no quadro “Bumba Meu Boi” de António Poteiro.