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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

VAMOS BRINCAR

Vamos brincar de criança? Vamos brincar de adulto? Vamos brincar de faz de conta, ou vamos brincar de medo?

A rua é um rio por onde desfila a vaidade e o receio do que queremos e não queremos mostrar, do que queremos e não queremos que os outros vejam. Dum lado o impulso, do outro o padrão, a regra, a vergonha.

O cortejo estreita-se entre o jardim e a jaula. E agarramo-nos à tradição; pendurados de ritos que nem entendemos, como jumentos atrelados numa carroça. É o desfile da história, o desfile do faz de conta que somos assim e até felizes.

Vamos brincar de bonzinhos? Vamos brincar de que até nem vemos, de que até nem nos importamos? Vamos brincar na rua? Com a fantasia que os outros escolheram para nós? E receber os aplausos quando tudo está certinho. Tudo ao jeito deles! Que importa o quão nos sentimos nós, ou confortáveis, atrás da máscara que nos impõem? O dia é sempre deles. E com a igreja sempre ao meio!


Nota: Este texto é a minha participação para o desafio de blogagem colectiva “Minha Ideia é meu Pincel” lançado pela amiga Glorinha L de Lion do Café com Bolo, inspirado no quadro “Bumba Meu Boi” de António Poteiro.

domingo, 13 de junho de 2010

DUAS MULHERES

Duas mulheres alinham-se para a corrida eleitoral à presidência do Brasil. Serão elegíveis numa sociedade latina de perfil machista?

O facto de duas mulheres se candidatarem a um elevado cargo político num país não é indicador duma completa emancipação da mulher na sociedade que as integra. Seria pura ilusão pensar que isso significaria que a mulher tem um estatuto de igualdade com o homem na sociedade brasileira.

Enquanto no quotidiano, no lar, em família, houver papeis, tarefas e lugares para mulheres e homens, não há uma igualdade de estatutos. Velhos hábitos e conceitos (preconceitos) ainda subsistem fortemente arreigados no pensamento brasileiro e nas tradições. Enquanto expressões como “uma mulher tem de saber qual é o seu lugar”, “uma mulher não pode fazer isto, ou aquilo”, “isso é tarefa de mulher”, forem regra a sociedade mostra que não soube evoluir e se contemporizar.

“O Brasil é conhecido por ser um pais de mulheres bonitas” é uma expressão que mostra bem o chauvinismo da sociedade brasileira. Mesmo quando são as próprias mulheres que assumem essa ideologia. A mulher que se molda ao ideal de beleza dos machos. A mulher que afirma que o seu objectivo maior na vida é casar. Tal como serem elas as primeiras a sair em campo criticando alguma sua congénere por ter ousado desafiar os padrões e tomar liberdades apenas consentidas aos homens. Tudo isso são indicadores do atraso ideológico duma sociedade que ainda se deixa regrar por padrões obsoletos imbuídos do mais boçal chauvinismo.

As sociedades de perfil latino mantêm um pensamento retrógrado. Mas embora sejam as mais resistentes à mudança, no nosso mundo ocidental, não são únicas. E por muitos factores aferidos nos novos meios de comunicação e formação, fica a impressão que as novas gerações não se apresentam tão revolucionárias como se esperaria. Muitos sectores de jovens assumem até posturas incrivelmente reaccionárias.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

MENTIRA

O Japão insiste na mentira de que caça baleias com fins científicos. Mas será que a ciência necessita mesmo dos cadáveres de centenas de baleias anualmente? Todos os anos? Sistematicamente? Mas afinal que estudo científico é esse que necessita de tanta carnificina?

Eu admiro o Japão como nação, como cultura e como povo. Admiro o seu engenho, a sua organização, a sua disciplina, o seu empenho. Admiro a tenacidade com que constroem um império civilizacional num solo fustigado por todas as adversidades naturais; terramotos, maremotos (agora chamam de tsunamis), furacões, bombardeamentos nucleares americanos... oh, perdão! Este não foi um desastre natural, foi um acto deliberado do cinismo imperialista americano.

Mas como ia dizendo, eu admiro o respeito pela tradição dos japoneses. Mas daí a admitir a preservação dum costume bárbaro... Tudo tem limites e admiração não é fanatismo. Desta vez aplaudo a iniciativa da Austrália de levar o Japão e a caça à baleia perante o Tribunal Internacional de Justiça.

A gastronomia japonesa é muito rica, no seu todo e a chacina de milhares de baleias não é feita para matar a fome a ninguém, apenas para satisfazer as vaidades da gula de gente muito endinheirada.