segunda-feira, 26 de setembro de 2016
UM EM TRÊS
sábado, 7 de julho de 2012
PELUDINHO
Vida conjugal é assim; partilha de tarefas.
domingo, 19 de setembro de 2010
PASSANDO O TESTEMUNHO
Mãe e filho aproximaram-se do carro. Ela uma matrona já e ele um rapazinho duns 12 anos, franzino e alto. Conversavam descontraidamente, sorrindo com bonomia.
Ao chegarem junto da viatura a mãe dirigiu-se para a porta de trás e o garoto para a da frente, que dá acesso ao lugar ao lado do condutor, o pai. Este ao chegar destrancou as portas e todos assumiram os seus postos; o pai ao volante, ladeado pelo filho (macho) e a mãe (a fêmea) no lugar de trás.
Nos tempos da minha infância, tempos machistas e chauvinistas, o lugar da mãe, no veículo da família, era ao lado do pai; tivessem os filhos a idade que tivessem. Nunca passaria pela cabeça de uma família tradicional que a mãe cedesse a sua posição de matriarca ao primogénito (ou a qualquer um dos varões) pelo simples facto de este ser um macho dominante. A hierarquia familiar era indissolúvel no seu modo de estabelecer posições e responsabilidades. Eram tempos hoje criticados como arcaicos e bacocos.
Mas enfim, agora vivem-se outros tempos de emancipação feminina (impensáveis nos meus tempos de chauvinismo machista em que fui educado) e as mulheres são livres de afirmar a sua posição. Só que não entendo esta moda de as mulheres passarem o testemunho de machismo dominante aos seus rebentos. Quem espera por mudanças, quando os que deveriam educar nessas mudanças são quem dá os piores exemplos de tradicionalismo obsoleto?
Que respeito espera esta mãe do filho, quando lhe mostra a ele que ela mesma é-lhe inferior, ao ceder-lhe o lugar à cabeça da família que é dela por direito?
E este exemplo não é isolado, não! É o mais comum em todas as famílias modernas. Modernas?!
Enfim, é o mundo que temos!
domingo, 13 de junho de 2010
DUAS MULHERES
Duas mulheres alinham-se para a corrida eleitoral à presidência do Brasil. Serão elegíveis numa sociedade latina de perfil machista?
O facto de duas mulheres se candidatarem a um elevado cargo político num país não é indicador duma completa emancipação da mulher na sociedade que as integra. Seria pura ilusão pensar que isso significaria que a mulher tem um estatuto de igualdade com o homem na sociedade brasileira.
Enquanto no quotidiano, no lar, em família, houver papeis, tarefas e lugares para mulheres e homens, não há uma igualdade de estatutos. Velhos hábitos e conceitos (preconceitos) ainda subsistem fortemente arreigados no pensamento brasileiro e nas tradições. Enquanto expressões como “uma mulher tem de saber qual é o seu lugar”, “uma mulher não pode fazer isto, ou aquilo”, “isso é tarefa de mulher”, forem regra a sociedade mostra que não soube evoluir e se contemporizar.
“O Brasil é conhecido por ser um pais de mulheres bonitas” é uma expressão que mostra bem o chauvinismo da sociedade brasileira. Mesmo quando são as próprias mulheres que assumem essa ideologia. A mulher que se molda ao ideal de beleza dos machos. A mulher que afirma que o seu objectivo maior na vida é casar. Tal como serem elas as primeiras a sair em campo criticando alguma sua congénere por ter ousado desafiar os padrões e tomar liberdades apenas consentidas aos homens. Tudo isso são indicadores do atraso ideológico duma sociedade que ainda se deixa regrar por padrões obsoletos imbuídos do mais boçal chauvinismo.
As sociedades de perfil latino mantêm um pensamento retrógrado. Mas embora sejam as mais resistentes à mudança, no nosso mundo ocidental, não são únicas. E por muitos factores aferidos nos novos meios de comunicação e formação, fica a impressão que as novas gerações não se apresentam tão revolucionárias como se esperaria. Muitos sectores de jovens assumem até posturas incrivelmente reaccionárias.

