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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

UM EM TRÊS


Um em cada três brasileiros responsabiliza as vítimas pelos estupros que sofreram. “Por não se vestirem decentemente”, “por serem provocadoras”, “por não se comportarem e darem ao respeito”,... Sintomático da mentalidade tacanha e machista que imprime a cultura social brasileira ainda em pleno século XXI. Não vamos escamotear tentando argumentar que isso é uma opinião de homens, pois a percentagem de mulheres que também assim pensa é do mesmo modo elevadíssima. É uma questão de educação; aquela que é transmitida pela família, logo pelas próprias mães também, que foram criadas numa cultura machista e, não só aceitam, como reverberam na sua descendência essa tradição perversa e anti-natura. Como país obcecadamente religioso, o povo não faz muito mais que repetir os padrões e conceitos que a religião sempre lhes impôs: sujeição da mulher, estigmatização da mulher, demonização da mulher,...

sábado, 7 de julho de 2012

PELUDINHO



Magrinho, baixinho, mesmo a minha medida. E sem as pernas e os braços rapados! Contrariando a moda e tendência, por estas bandas. Peludo como um homem deve ser, se o for naturalmente.

Não que um homem tenha de ser obrigatoriamente peludo. Não é a quantidade de pêlos que define ou indica, a virilidade dum homem. Nem é pelo facto de ele se depilar que vai ficar menos macho. Contudo eu prefiro um homem ao natural. Com mais ou menos pêlos mas, sobretudo, como ele mesmo é. Não sou muito simpatizando de certos extremos dessa vaga de metrossexuais, que parecem mais bonecos de capa de revista que gente de verdade.

Ok! Ele tinha umas madeixas louras no cabelo negro, que lhe iluminavam a cabeça e o rosto bonito. E daí? Isso em nada desmerecia a sua masculinidade.

A profusão de acessórios ou artefactos, que um homem possa ostentar, não macula a sua virilidade. Sempre o ser humano utilizou a arte de se maquilhar como interventora social. O aspecto pessoal tem um significado simbólico nas relações inter-sociais. E em várias culturas ancestrais cabe ao homem o dever de se adornar tornando-se mais exuberante e cativante. Tal como certas espécies animais.

Calção e camisa desportiva. Chinelos de borracha nos pés bonitos. Carregava as compras que trazia do supermercado. Dava até para adivinhar o seu companheiro esperando-o em casa, com o almoço já quase pronto.

Vida conjugal é assim; partilha de tarefas.

domingo, 19 de setembro de 2010

PASSANDO O TESTEMUNHO

Mãe e filho aproximaram-se do carro. Ela uma matrona já e ele um rapazinho duns 12 anos, franzino e alto. Conversavam descontraidamente, sorrindo com bonomia.

Ao chegarem junto da viatura a mãe dirigiu-se para a porta de trás e o garoto para a da frente, que dá acesso ao lugar ao lado do condutor, o pai. Este ao chegar destrancou as portas e todos assumiram os seus postos; o pai ao volante, ladeado pelo filho (macho) e a mãe (a fêmea) no lugar de trás.

Nos tempos da minha infância, tempos machistas e chauvinistas, o lugar da mãe, no veículo da família, era ao lado do pai; tivessem os filhos a idade que tivessem. Nunca passaria pela cabeça de uma família tradicional que a mãe cedesse a sua posição de matriarca ao primogénito (ou a qualquer um dos varões) pelo simples facto de este ser um macho dominante. A hierarquia familiar era indissolúvel no seu modo de estabelecer posições e responsabilidades. Eram tempos hoje criticados como arcaicos e bacocos.

Mas enfim, agora vivem-se outros tempos de emancipação feminina (impensáveis nos meus tempos de chauvinismo machista em que fui educado) e as mulheres são livres de afirmar a sua posição. Só que não entendo esta moda de as mulheres passarem o testemunho de machismo dominante aos seus rebentos. Quem espera por mudanças, quando os que deveriam educar nessas mudanças são quem dá os piores exemplos de tradicionalismo obsoleto?

Que respeito espera esta mãe do filho, quando lhe mostra a ele que ela mesma é-lhe inferior, ao ceder-lhe o lugar à cabeça da família que é dela por direito?

E este exemplo não é isolado, não! É o mais comum em todas as famílias modernas. Modernas?!

Enfim, é o mundo que temos!

domingo, 13 de junho de 2010

DUAS MULHERES

Duas mulheres alinham-se para a corrida eleitoral à presidência do Brasil. Serão elegíveis numa sociedade latina de perfil machista?

O facto de duas mulheres se candidatarem a um elevado cargo político num país não é indicador duma completa emancipação da mulher na sociedade que as integra. Seria pura ilusão pensar que isso significaria que a mulher tem um estatuto de igualdade com o homem na sociedade brasileira.

Enquanto no quotidiano, no lar, em família, houver papeis, tarefas e lugares para mulheres e homens, não há uma igualdade de estatutos. Velhos hábitos e conceitos (preconceitos) ainda subsistem fortemente arreigados no pensamento brasileiro e nas tradições. Enquanto expressões como “uma mulher tem de saber qual é o seu lugar”, “uma mulher não pode fazer isto, ou aquilo”, “isso é tarefa de mulher”, forem regra a sociedade mostra que não soube evoluir e se contemporizar.

“O Brasil é conhecido por ser um pais de mulheres bonitas” é uma expressão que mostra bem o chauvinismo da sociedade brasileira. Mesmo quando são as próprias mulheres que assumem essa ideologia. A mulher que se molda ao ideal de beleza dos machos. A mulher que afirma que o seu objectivo maior na vida é casar. Tal como serem elas as primeiras a sair em campo criticando alguma sua congénere por ter ousado desafiar os padrões e tomar liberdades apenas consentidas aos homens. Tudo isso são indicadores do atraso ideológico duma sociedade que ainda se deixa regrar por padrões obsoletos imbuídos do mais boçal chauvinismo.

As sociedades de perfil latino mantêm um pensamento retrógrado. Mas embora sejam as mais resistentes à mudança, no nosso mundo ocidental, não são únicas. E por muitos factores aferidos nos novos meios de comunicação e formação, fica a impressão que as novas gerações não se apresentam tão revolucionárias como se esperaria. Muitos sectores de jovens assumem até posturas incrivelmente reaccionárias.