sábado, 1 de outubro de 2016
GANHARÁS O PÃO
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
UM EM TRÊS
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
ABORTO
segunda-feira, 3 de junho de 2013
HOMENS PARA A ESQUERDA, MULHERES PARA A DIREITA
sábado, 16 de fevereiro de 2013
O TOQUE
domingo, 10 de junho de 2012
CRENTE
Havia chegado à uns meses da Europa, pelo que ainda beneficiava da aura de inocência, que aos meninos e aos tolos tudo se desculpa. Ainda ia aprendendo a conviver com os usos e costumes locais. Os jeitos ora familiares ora bizarros, de cada povo viver a sua rotina e a vivência da sua tradição. Esta por vezes herdada duma sabedoria de milénios na vivência própria duma realidade cultural, outras vezes herdada, por imposição ou tola aquisição, pela generalizada ignorância grosseira.
O sol reinava no seu apogeu diário. Implacável! Alvejando tudo e todos com um calor medonho. Cada sombra era uma trégua suplicada. Entrarmos no restaurante com ar refrigerado foi um bálsamo, que noutras eras só os deuses poderiam desfrutar. Como sempre, procurei pôr toda a minha atenção em cada gesto e em cada escolha que fazia de entre as várias iguarias gastronómicas expostas ao apetite dos comensais, que livremente se serviam aprovisionando o seu prato, antes de nos dirigirmos às mesas.
Éramos três: eu, a minha amiga e uma colega sua que fazia parte da equipa de trabalho. A conversa decorreu fluida e agradável. Até ao momento em que, de novo e pela enésima vez, ouvi a referencia de “crentes” a um determinado grupo de alinhamento religioso.
- Não entendo essa de “crentes”! Crente é todo aquele que acredita em algo. Não percebo porque razão se hão-de uns auto-denominar como crentes, como se os outros não tivessem também crenças válidas e igualmente dignas de respeito e louvor. – retorqui eu, interrompendo um diálogo, em que eu havia sido remetido para um papel de mero figurante colateral, mais perto do desprezo que da amizade.
Dois pares de olhos me olharam, com espanto. Um deles com uma contida, a custo, indignação e o outro embaraçado, contudo sem conseguir esconder o divertimento da ironia. Um silêncio sepulcral foi a resposta que obtive. Até que as duas retomaram o diálogo, ignorando por completo e ostensivamente a minha observação.
Mais tarde, a sós, a minha amiga me elucidou: “Ela é evangélica! E eles, os evangélicos, acham-se os “crentes” verdadeiros e assim se designam entre si e perante todos.” A minha amiga é católica; faz parte desse grupo esdrúxulo que se define como “católicos não praticantes” (designação essa que para mim é das coisas mais hilariantes deste mundo, com tão poucos motivos para rir). Eu não sou nada dessas coisas, apenas me defino como um homem religioso, por ter as minhas próprias crenças e convicções, fora do espartilho de qualquer instituição, que só a mim dizem respeito.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
O QUE É ISTO?
sexta-feira, 6 de abril de 2012
MONOLOGANDO

A sexualidade é ainda o grande tabu da humanidade.
Um padre católico ugandês (assessor do governo) apoia (quanto a mim instigou) o governo do Uganda na sua determinação de criar uma lei que pune a prática da homossexualidade com penas pesadas que podem ir até à pena de morte.
No Brasil, na Faculdade de Farmácia da Universidade de São Paulo, estudantes publicam um opúsculo (O Parasita) com um artigo incitando à perseguição e violência sobre os homossexuais. Este tipo de expressão dum pensamento tacanho e chauvinista é chocante quando expresso por uma elite informada e esclarecida, que constituirá o futuro corpo de formação de opinião pública dum pais moderno e influente.
Os valores velhos e obsoletos caem por terra, desacreditados e incongruentes num mundo que se revolve em busca de novos rumos. Mas se no geral se aspira por evolução e avanço, individualmente os medos crescem. As massas não estão preparadas para renovações; nem grandes nem pequenas. Tentam encaixar o novo nos seus velhos modos de perceber e fazer as coisas.
A vivência do novo, do desconhecido, é um drama aterrorizante. E tal pavor leva ao refúgio no velho modo de agir e compreender; uma tentativa infantil de procurar refúgio debaixo das saias (por mais rançosas e pestilentas que estejam) da mãe Tradição.
Mas não só a homossexualidade é um tabu imenso. A sexualidade em geral é um enorme tabu para a humanidade; principalmente para as sociedades inspiradas e influenciadas pelas religiões do Livro (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo). Socialmente a sexualidade humana foi utilizada como veículo de estratificação e discriminação, o que não deixa de ser mais uma das vergonhosas aberrações da visão anti-natura que a humanidade construiu de si mesma.
O infame Pecado Original do Livro (a Bíblia), em que a sedução é diabolizada, foi criado para providenciar o desenvolvimento daninho do complexo de culpa, que connosco carregamos, por uma emoção das mais puras e espontâneas da expressão da nossa libido. A sexualidade faz parte da nossa identidade natural. Qualquer tentativa de a regular e limitar é um atentado castrador que causa profundos transtornos na expressão individual e no equilíbrio emocional.
A sexualidade é o desejo instigador da vontade, que motiva o empreendimento e a concretização da criatividade; a criação. Atenção que falei em criação e não em reprodução! Limitar a sexualidade à reprodução é sufocar o mais importante motor de criatividade. É através da criação que o indivíduo se afirma como ser superior e independente. Daí a necessidade - por parte dos poderosos e governantes - de controlar a sexualidade para poder dominar e amputar a individualidade.
sexta-feira, 16 de março de 2012
BRASIL (A FANÁTICA DITADURA EVANGÉLICA)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
IEMANJÁ
sábado, 28 de janeiro de 2012
DESABAFO: O ABENÇOADO

Apanhei um susto quando, ao entrar num dos corredores do supermercado, um simpático cidadão, com um sorriso largo de orelha a orelha, me saudou brindando-me com um sonoro: “Deus o ama senhor!...” e continuou a verborreia, que eu já não consegui escutar pois inibido logo me escapei entre as prateleiras de especiarias e molhos de condimentos pré-embalados. Vim depois a encontrar o beatífico cidadão quando esperava na fila, pela minha vez de pagar as compras e escutei atrás de mim: “Deus a ama, minha senhora!” Era de novo ele saudando uma mulher que acabara de passar. Do mesmo modo ia brindando toda a gente que entrava no supermercado, com sonoras bênçãos, não reclamadas.
Desculpem-me a rudeza, mas desde que cheguei ao Brasil, eu que sempre me considerei tolerante, quase me tornei um encarniçado anti-religioso militante, desconfiando de tudo quanto tenha a ver com religião, ou o que com ela tenha alguma relação. Principalmente tudo que esteja relacionado com o chamado cristianismo evangélico.
Eu não ando por aí apregoando as minhas crenças e os meus dogmas. Porque terei de ser atingido pela insensatez daqueles que inseguros das suas escolhas, disparam sobre todos o seu fanatismo, pretensamente piedoso, na tentativa de conquistarem um suposto Céu à custa da conversão forçada de quem já vive muito bem e em paz sem um deus único e prepotente às costas?
Que me interessa a mim ser amado por um deus déspota e vingativo, que ao longo da história, descrita no livro sagrado que nomeiam de Bíblia, cometeu e instigou todo o tipo de atrocidades e crimes contra indivíduos e contra a humanidade?
Essa gente que se remeta ao exercício privado das suas opções supersticiosas. A religião é um assunto privado entre o indivíduo e os dogmas que escolhe. O respeito pela diversidade de identidade individual, assim como das opções alheias, é a base duma pacífica coexistência nas sociedades que se querem democráticas e livres.
A minha liberdade faz-se de não ter que ouvir constantemente esse chorrilho hipócrita de “se deus quiser”, “graças a deus”, “deus queira”, “deus é fiel”, etc, etc, etc...
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
NÃO ME INTERESSA!
Como dizia o outro: “Really my dear, I don’t give a damn!”
Não quero saber disso para nada! Estou-me nas tintas!
Não me interessa se o padeiro escolheu para votar um político mais corrupto que aquele em que vota o homem do gás. Não quero saber se quem conduz o carro é Jesus, Jeová ou o Génio da Lâmpada. Que tenho eu a ver com o que cada um escolhe para ser burlado ou para se alienar? Eu nada perguntei!
Mas esta gente não conhece o que é privacidade e intimidade? Já não falo do respeito pela privacidade deles, mas a dos outros. A minha! Quando sou constantemente bombardeado por propaganda politica ou religiosa afixada nos carros que passam por mim na rua, é a minha privacidade que está sendo violada. Eu tenho o direito de ficar na ignorância sobre as escolhas de cada um. Não me dizem respeito! Não são da minha conta! Não tenho nada a ver com isso. Não me interessa o que fazem das suas vidas, nem o quão idiotas possam ser!
Passa outro veículo com um autocolante: “Deus é fiel!” Deus é fiel?! Eu sempre ouvi dizer que os aduladores é que deveriam ser fiéis; agora se o adulado passou a subalterno...
Há uma euforia demasiada que perverte todo o sentido primordial das coisas. Todo mundo anseia por espectáculo e promoção pessoal. Todos querem assumir o papel de pequenas estrelas da fama. Mas o único papel que garantem é o de ridículos inconvenientes.
A política é para ser debatida, não para ser vendida como banana em promoção. Assim como a religião é uma experiência de elevação espiritual individual, não é para ser banalizada como um slogan futebolístico. Seria bem melhor que todos ganhassem um pouco de aprumo e deixassem de agir tolamente como se a vida fosse um contínuo carnaval.






quarta-feira, 30 de junho de 2010
DIVAGANDO
Discute-se religiosidade e ateísmo, discute-se a existência de deus. Debate-se a inclusão ou não duma disciplina de religião e moral (cristãs) nos programas de ensino oficial. Mas que formação espiritual damos verdadeiramente aos nossos jovens?sexta-feira, 11 de junho de 2010
TUTU
Este senhor é Desmond Tutu, bispo anglicano, Nobel da Paz e o Senhor Alegria, pois a Fé é isso mesmo: Alegria.
Foi com profundo deleite que assisti à irreverente intervenção do Arcebispo da Cidade do Cabo e Primaz da Igreja Anglicana da África Austral, na Celebração do Mundial de Futebol 2010, que teve lugar no Orlando Stadium na noite de 10/06/2010. Paramentado com os acessórios dum adepto dos Bafana Bafana, ele riu, dançou, cantou e encantou... gritou vivas e pôs todo o estádio a gritar e a rejubilar.
A religião não deve ser uma ameaça tenebrosa e sinistra dum sofrimento culpado. A religião não é a repetição enfadonha e inconsequente de rituais ostentatórios. A Religião é a celebração da Alegria da Vida.
Sem perder a sua critica incisiva e oportuna Desmond Tutu tem sabido manter sempre com humor o ânimo e a confiança na construção dum futuro melhor, para o seu país e para o mundo.














