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sábado, 1 de outubro de 2016

GANHARÁS O PÃO


O peso da religião ainda é imenso nas nossas sociedades modernas. Até porque convém para o sistema económico que ela tanto apoia com o seu “ganharás o pão com o suor do rosto”. Através desse ditame imperioso o cristianismo sempre justificou todo o tipo de abusos predatórios e esclavagistas.
Não somos máquinas – ao invés do delírio romântico apregoado na febre da revolução industrial -  somos até providos de alma. Esse ideário de propósitos esclavagistas assenta maravilhosamente aos interesses inescrupulosos da dominante classe empresarial, ilibando de culpa a imposição dum modo de existência que não nos provê verdadeiro bem-estar ou felicidade. Se alguns de nós conseguem uma abastança material que lhes proporcione conforto, mesmo esses logo percebem que só isso não basta. Uma alma sã não se compraz numa bem-aventurança  moldada na amargura e sofrimento, sejam próprios ou alheios.

Agostinho da Silva afirmava ser anti-natura a condição de agente de produção do ser humano. Não nascemos para trabalhar mas sim para criar e para isso necessitamos de nos dedicar à ociosidade. Desse modo ele profetizava a sociedade do ócio, como o destino da humanidade,  vendo nos avanços tecnológicos e na robótica a possibilidade de concretização desse ideal. O Homo Divinus como entidade de vocação contemplativa e espiritual.

Imagem: "Angelus", Jean-François Millet

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

UM EM TRÊS


Um em cada três brasileiros responsabiliza as vítimas pelos estupros que sofreram. “Por não se vestirem decentemente”, “por serem provocadoras”, “por não se comportarem e darem ao respeito”,... Sintomático da mentalidade tacanha e machista que imprime a cultura social brasileira ainda em pleno século XXI. Não vamos escamotear tentando argumentar que isso é uma opinião de homens, pois a percentagem de mulheres que também assim pensa é do mesmo modo elevadíssima. É uma questão de educação; aquela que é transmitida pela família, logo pelas próprias mães também, que foram criadas numa cultura machista e, não só aceitam, como reverberam na sua descendência essa tradição perversa e anti-natura. Como país obcecadamente religioso, o povo não faz muito mais que repetir os padrões e conceitos que a religião sempre lhes impôs: sujeição da mulher, estigmatização da mulher, demonização da mulher,...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

ABORTO


Toda a gente tem opinião sobre o aborto. Ou pretende ter. Todos dão os seus vaticínios, apoiados em pressupostos morais/religiosos ou científicos. Todos clamam pelo direito à vida. Todos reclamam o direito da mulher ou do divino. Mas não oiço ninguém falar sobre o direito do feto. Ainda não vi ninguém dar a voz ao feto; escutar sobre o que ele tem a dizer e qual o seu parecer sobre uma decisão que, acima de tudo, o envolve a ele e da qual depende toda a sua existência e o seu futuro; senão mesmo a sua dignidade humana.

Eu nasci. Eu era um feto condenado ao aborto e nasci. Por isso me sinto mais no direito de falar em causa própria que todos os outros! A minha é a opinião da experiência vivida no antes e no após. Opinião livre de moralismos e dogmas, pretensamente piedosos de religiosos fanáticos e outros ignorantes afins.

A vida do feto nada tem de religioso ou transcendente, pelo que a religião deve se calar de dar pitaco sobre o que não lhe cabe. O feto tem consciência! O feto sente! O feto tem existência emocional! O feto tem alma!

O feto comunga das emoções da mãe. Têm mais a uni-los que apenas o cordão umbilical. E isto deveria ser do conhecimento daqueles que, embora se digam religiosos, pouco parecem saber de espiritualidade. Os medos e preocupações da mãe são partilhados pelo feto. E do mesmo modo as decisões que a este dizem respeito.

Foi através da memoria dessa partilha que eu vim a saber que a minha mãe estava disposta e determinada a abortar, quando percebeu que estava grávida (de mim, no caso). E também assim senti, ao longo do tempo que permaneci no seu ventre, a rejeição e as dúvidas que ela tinha por mim. Não, eu não era a sua primeira gravidez; tenho duas irmãs mais velhas.

Nasci porque o meu pai, movido do seu catolicismo, cristianismo, puritano, moralista, se opôs ao aborto, pelo que a minha gestação foi uma luta constante de sentimentos e emoções antagónicos, em que eu sentia o quanto era indesejado e disputado. E de todo esse conflito, ficou a matriz de conflito interno que me marcou para toda a vida. Sempre vivi com o estigma, em forma de sentimento de rejeição, que nenhum psicólogo pode apagar. Sempre me senti rejeitado! Não há amor ou dedicação que consiga apagar essa chaga em mim. Sempre me senti desesperadamente só e disputado, sem que alguém me escutasse.

Não, a culpa não foi da minha mãe. Ela estava no seu pleno direito de não querer ter mais um filho; mais uma dúvida. A culpa não foi de ninguém, senão mesmo dum moralismo cruel e desumano! Se me perguntarem se eu preferia ter nascido ou a minha mãe ter-me abortado, eu sempre responderei: ela deveria ter abortado!

Tive uma vida plena de experiências e aventuras; algumas nem tão felizes. Mas preferia ter nascido de outras condições e não por mera teimosia e combinação de acordo de interesses. Se não tivesse nascido desta, teria tido outra oportunidade de vir ao mundo, sob outras condições e com outros propósitos. O meu quinhão de vida não se perderia naquela chance. Como entidade espiritual, eu teria liberdade de escolher outro momento para voltar à vida entre os demais neste mundo. Nascer por direito próprio e não por egoísmo alheio.

Por isso meu lema será sempre: Deixem a mãe e o feto decidirem sobre eles mesmos!


segunda-feira, 3 de junho de 2013

HOMENS PARA A ESQUERDA, MULHERES PARA A DIREITA



Entrámos no grande salão e fomos instruídos a dividirmo-nos em dois grupos: homens e mulheres. Uns se sentariam nos bancos corridos de um lado e as outras do outro lado oposto. Frente a frente.

As expressões de estranheza e incompreensão logo se estamparam nos rostos incrédulos. Como crianças perdidas num bosque sombrio. A confusão se instalou naquelas mentes condicionadas por uma rotina entorpecente.

O povo não está habituado a sair dos seus padrões seculares, assim perdendo a capacidade de pensar, decidir e se adaptar.

Os dogmas entorpecem as mentes e levam-nas a uma estagnação embrutecedora. Servem para imobilizar o povo e dominá-lo, através da eliminação da capacidade individual de discernimento.

Para as mentes arregimentadas pelo carneirismo do rebanho é duma estranheza imensa uma simples proposta que fuja aos cânones useiros e vezeiros da sua rotina atrofiada e castradora do livre arbítrio. Um simples "vamos fazer diferente" é motivo para grandes suspeitas e receios. Nervosamente todo o grupo olha em volta procurando um sinal que as traga de volta ao redil.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O TOQUE



Perdemos o toque. Perdemos a capacidade de comunicar pelo toque.

Civilidade é domesticação, dominação, subjugação.

Como humanos somos seres por essência comunicativos. Somos criaturas gregárias. A falta de comunicação debilita o ser humano na sua identidade e expressão.

Comunicamos pelos sentidos. Com todos eles. E através de todos eles. Se algum for excluído ficamos incompletos.

Puritanismos patéticos. Moralismos anti-natura. Preceitos castradores da natureza bio-emocional humana. Preconceitos aberrantes. Deformação de padrões e valores. Tudo foi utilizado para sufocar o nosso apelo instintivo ao contacto directo; pele na pele.

Religiões ínvias amputaram o toque através duma argumentação de pecado e condenação por luxúria. O medo do apelo das emoções primordiais.

Atrofiados tentamos o equilíbrio dum ser que nunca poderá ser.

A lascívia faz parte dos nossos impulsos mais profundos. O apelo ao prazer, pela necessidade dele para nos reequilibrarmos emocionalmente e nos mantermos saudáveis. Activos. Felizes.

O anseio pelas multidões. O roçar dos corpos agitados. A libertação do ser indiscreto que habita em nós. O partilhar de sensações. O libertar de emoções. O explodir da electroquímica do cérebro. O êxtase de vogar no mar proibido de hormonas inspiradoras de liberdade e satisfação. Prazer, prazer, prazer.

Comunicamos através de todos os sentidos, se algum for excluído ficamos incompletos.


Nota: Banda sonora sugerida, "I Have The Touch" de Peter Gabriel.

domingo, 10 de junho de 2012

CRENTE

Super-crente


Estava numa cidade do interior brasileiro, que não vem aqui a propósito, com uma amiga, que não interessa quem, para a ajudar numa tarefa, que não vem ao caso.


Havia  chegado à uns meses da Europa, pelo que ainda beneficiava da aura de inocência, que aos meninos e aos tolos tudo se desculpa. Ainda ia aprendendo a conviver com os usos e costumes locais. Os jeitos ora familiares ora bizarros, de cada povo viver a sua rotina e a vivência da sua tradição. Esta por vezes herdada duma sabedoria de milénios na vivência própria duma realidade cultural, outras vezes herdada, por imposição ou tola aquisição, pela generalizada ignorância grosseira.


O sol reinava no seu apogeu diário. Implacável! Alvejando tudo e todos com um calor medonho. Cada sombra era uma trégua suplicada. Entrarmos no restaurante com ar refrigerado foi um bálsamo, que noutras eras só os deuses poderiam desfrutar. Como sempre, procurei pôr toda a minha atenção em cada gesto e em cada escolha que fazia de entre as várias iguarias gastronómicas expostas ao apetite dos comensais, que livremente se serviam aprovisionando o seu prato, antes de nos dirigirmos às mesas.


Éramos três: eu, a minha amiga e uma colega sua que fazia parte da equipa de trabalho. A conversa decorreu fluida e agradável. Até ao momento em que, de novo e pela enésima vez, ouvi a referencia de “crentes” a um determinado grupo de alinhamento religioso.


- Não entendo essa de “crentes”! Crente é todo aquele que acredita em algo. Não percebo porque razão se hão-de uns auto-denominar como crentes, como se os outros não tivessem também crenças válidas e igualmente dignas de respeito e louvor. – retorqui eu, interrompendo um diálogo, em que eu havia sido remetido para um papel de mero figurante colateral, mais perto do desprezo que da amizade.


Dois pares de olhos me olharam, com espanto. Um deles com uma contida, a custo, indignação e o outro embaraçado, contudo sem conseguir esconder o divertimento da ironia. Um silêncio sepulcral foi a resposta que obtive. Até que as duas retomaram o diálogo, ignorando por completo e ostensivamente a minha observação.


Mais tarde, a sós, a minha amiga me elucidou: “Ela é evangélica! E eles, os evangélicos, acham-se os “crentes” verdadeiros e assim se designam entre si e perante todos.” A minha amiga é católica; faz parte desse grupo esdrúxulo que se define como “católicos não praticantes” (designação essa que para mim é das coisas mais hilariantes deste mundo, com tão poucos motivos para rir). Eu não sou nada dessas coisas, apenas me defino como um homem religioso, por ter as minhas próprias crenças e convicções, fora do espartilho de qualquer instituição, que só a mim dizem respeito.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O QUE É ISTO?


A minha alma está parva e o meu espírito taralhouco!
Por favor alguém me explique o que se passa aí nesse vídeo!
Está tudo doido ou eu acordei num universo paralelo? Com esta coisa da física quântica, já não sei em que acreditar...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

MONOLOGANDO


Reflexão possível sabendo que no Brasil, em 2011, foram assassinados 266 homossexuais, pelo simples facto de o serem.

Nota prévia: O texto (é um ensaio ainda incompleto, mas que não quis deixar de partilhar neste dia santo de recolhimento e reflexão) escrevi-o em Abril de 2010 mas, infelizmente, mantém-se actual e válido para todo o mundo. Sem esquecer nunca que já estamos no século XXI!

A sexualidade é ainda o grande tabu da humanidade.

Um padre católico ugandês (assessor do governo) apoia (quanto a mim instigou) o governo do Uganda na sua determinação de criar uma lei que pune a prática da homossexualidade com penas pesadas que podem ir até à pena de morte.

No Brasil, na Faculdade de Farmácia da Universidade de São Paulo, estudantes publicam um opúsculo (O Parasita) com um artigo incitando à perseguição e violência sobre os homossexuais. Este tipo de expressão dum pensamento tacanho e chauvinista é chocante quando expresso por uma elite informada e esclarecida, que constituirá o futuro corpo de formação de opinião pública dum pais moderno e influente.

Os valores velhos e obsoletos caem por terra, desacreditados e incongruentes num mundo que se revolve em busca de novos rumos. Mas se no geral se aspira por evolução e avanço, individualmente os medos crescem. As massas não estão preparadas para renovações; nem grandes nem pequenas. Tentam encaixar o novo nos seus velhos modos de perceber e fazer as coisas.

A vivência do novo, do desconhecido, é um drama aterrorizante. E tal pavor leva ao refúgio no velho modo de agir e compreender; uma tentativa infantil de procurar refúgio debaixo das saias (por mais rançosas e pestilentas que estejam) da mãe Tradição.

Mas não só a homossexualidade é um tabu imenso. A sexualidade em geral é um enorme tabu para a humanidade; principalmente para as sociedades inspiradas e influenciadas pelas religiões do Livro (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo). Socialmente a sexualidade humana foi utilizada como veículo de estratificação e discriminação, o que não deixa de ser mais uma das vergonhosas aberrações da visão anti-natura que a humanidade construiu de si mesma.

O infame Pecado Original do Livro (a Bíblia), em que a sedução é diabolizada, foi criado para providenciar o desenvolvimento daninho do complexo de culpa, que connosco carregamos, por uma emoção das mais puras e espontâneas da expressão da nossa libido. A sexualidade faz parte da nossa identidade natural. Qualquer tentativa de a regular e limitar é um atentado castrador que causa profundos transtornos na expressão individual e no equilíbrio emocional.

A sexualidade é o desejo instigador da vontade, que motiva o empreendimento e a concretização da criatividade; a criação. Atenção que falei em criação e não em reprodução! Limitar a sexualidade à reprodução é sufocar o mais importante motor de criatividade. É através da criação que o indivíduo se afirma como ser superior e independente. Daí a necessidade - por parte dos poderosos e governantes - de controlar a sexualidade para poder dominar e amputar a individualidade.

sexta-feira, 16 de março de 2012

BRASIL (A FANÁTICA DITADURA EVANGÉLICA)



Mas que circo é este? Se isto não é uma grande palhaçada, afinal o que será?

Fala sério cara, nem o Fellini (Frederico Fellini) iria, nos seus maiores delírios, supor uma aberração tamanha!

Mas que vem a ser isto?
Como espera uma nação, com um congresso dominado por fanáticos religiosos (que controlam mesmo, com rédea curta, as políticas do governo e presidência; vide o acordo que Dilma assinou com a bancada parlamentar evangélica, para conseguir ser eleita Presidente), ser levada a sério num mundo que procura liberdade e respeito pela diversidade?

Isto não é liberdade de expressão, pois um Congresso Nacional (ou um Parlamento) não é espaço para pregação religiosa! Além de que estes senhores, que se dizem seguidores e arautos de Cristo, são, neste país, os mais instigadores ao ódio e à violência social, em perseguição aberta e publicamente incentivada, contra todos aqueles que não se enquadrem nos seus exíguos e dementes padrões mais que obsoletos.

O fanatismo evangélico, mais o seu imenso mercantilismo religioso, são o maior entrave ao desenvolvimento do povo e da nação brasileira!

Vergonha:

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

IEMANJÁ


2 de Fevereiro, dia dedicado às festividades de louvor a Iemanjá, Rainha do Mar.

O vídeo é de "Senhora do Mar" por Vânia Fernandes.

sábado, 28 de janeiro de 2012

DESABAFO: O ABENÇOADO


Apanhei um susto quando, ao entrar num dos corredores do supermercado, um simpático cidadão, com um sorriso largo de orelha a orelha, me saudou brindando-me com um sonoro: “Deus o ama senhor!...” e continuou a verborreia, que eu já não consegui escutar pois inibido logo me escapei entre as prateleiras de especiarias e molhos de condimentos pré-embalados. Vim depois a encontrar o beatífico cidadão quando esperava na fila, pela minha vez de pagar as compras e escutei atrás de mim: “Deus a ama, minha senhora!” Era de novo ele saudando uma mulher que acabara de passar. Do mesmo modo ia brindando toda a gente que entrava no supermercado, com sonoras bênçãos, não reclamadas.

Desculpem-me a rudeza, mas desde que cheguei ao Brasil, eu que sempre me considerei tolerante, quase me tornei um encarniçado anti-religioso militante, desconfiando de tudo quanto tenha a ver com religião, ou o que com ela tenha alguma relação. Principalmente tudo que esteja relacionado com o chamado cristianismo evangélico.

Eu não ando por aí apregoando as minhas crenças e os meus dogmas. Porque terei de ser atingido pela insensatez daqueles que inseguros das suas escolhas, disparam sobre todos o seu fanatismo, pretensamente piedoso, na tentativa de conquistarem um suposto Céu à custa da conversão forçada de quem já vive muito bem e em paz sem um deus único e prepotente às costas?

Que me interessa a mim ser amado por um deus déspota e vingativo, que ao longo da história, descrita no livro sagrado que nomeiam de Bíblia, cometeu e instigou todo o tipo de atrocidades e crimes contra indivíduos e contra a humanidade?

Essa gente que se remeta ao exercício privado das suas opções supersticiosas. A religião é um assunto privado entre o indivíduo e os dogmas que escolhe. O respeito pela diversidade de identidade individual, assim como das opções alheias, é a base duma pacífica coexistência nas sociedades que se querem democráticas e livres.

A minha liberdade faz-se de não ter que ouvir constantemente esse chorrilho hipócrita de “se deus quiser”, “graças a deus”, “deus queira”, “deus é fiel”, etc, etc, etc...

As minhas opções e convicções (religiosas e outras) são comigo, não tenho de as ficar atirando à cara de ninguém. É uma questão de respeito pelo próximo, que espero seja retribuído do mesmo modo.

Bem Hajam!


O vídeo abaixo é uma montagem de imagens colhidas na Guatemala (desconheço o autor) ao som de "Miraculosa Rainha dos Céus" na voz de Isabel Silvestre.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

DO NOSSO MUNDO

Os senhores da guerra



Quem é o burro?



Novas escravaturas, novos holocaustos



"Um dia os pobres não terão mais nada para comer senão os ricos."


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

NÃO ME INTERESSA!

Como dizia o outro: “Really my dear, I don’t give a damn!”

Não quero saber disso para nada! Estou-me nas tintas!

Não me interessa se o padeiro escolheu para votar um político mais corrupto que aquele em que vota o homem do gás. Não quero saber se quem conduz o carro é Jesus, Jeová ou o Génio da Lâmpada. Que tenho eu a ver com o que cada um escolhe para ser burlado ou para se alienar? Eu nada perguntei!

Mas esta gente não conhece o que é privacidade e intimidade? Já não falo do respeito pela privacidade deles, mas a dos outros. A minha! Quando sou constantemente bombardeado por propaganda politica ou religiosa afixada nos carros que passam por mim na rua, é a minha privacidade que está sendo violada. Eu tenho o direito de ficar na ignorância sobre as escolhas de cada um. Não me dizem respeito! Não são da minha conta! Não tenho nada a ver com isso. Não me interessa o que fazem das suas vidas, nem o quão idiotas possam ser!

Passa outro veículo com um autocolante: “Deus é fiel!” Deus é fiel?! Eu sempre ouvi dizer que os aduladores é que deveriam ser fiéis; agora se o adulado passou a subalterno...

Há uma euforia demasiada que perverte todo o sentido primordial das coisas. Todo mundo anseia por espectáculo e promoção pessoal. Todos querem assumir o papel de pequenas estrelas da fama. Mas o único papel que garantem é o de ridículos inconvenientes.

A política é para ser debatida, não para ser vendida como banana em promoção. Assim como a religião é uma experiência de elevação espiritual individual, não é para ser banalizada como um slogan futebolístico. Seria bem melhor que todos ganhassem um pouco de aprumo e deixassem de agir tolamente como se a vida fosse um contínuo carnaval.


Este faz propaganda ao político e ao negócio do político.

Alguns vêm em duplas

Eu antes diria "Valha-me deus!"

O fox do outro, só que ainda não é vermelho.

E no párabrisas em frente ao motorista!...

E para terminar o novo serviço, não de fast-food mas de fast-prayer
Como diria o outro: Espectáculo!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

DIVAGANDO

Discute-se religiosidade e ateísmo, discute-se a existência de deus. Debate-se a inclusão ou não duma disciplina de religião e moral (cristãs) nos programas de ensino oficial. Mas que formação espiritual damos verdadeiramente aos nossos jovens?
Pretendemos debater o interesse da religião no ensino, mas será que ensinamos os nossos jovens a pensar? Por que não ensinamos princípios como espiritualidade, civismo, cidadania, aos jovens? Porque não ensinamos filosofia? Porque não ensinamos o que é a língua, como se forma e para que serve?
Quem pretendemos iludir quando impingimos dogmas e teoremas sem nenhuma relação óbvia com a experiência imediata da formação de cada um?
Como se pretende contribuir para um mundo melhor quando não se ensina a pensar e a ocupar o seu lugar no universo?
Os pais afirmam tentar dar o melhor para os seus filhos, mas ninguém pode dar aquilo que não tem. Não nos ensinaram a pensar e a reconhecer o nosso lugar na vida. Como fazê-lo aos outros?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

TUTU

Este senhor é Desmond Tutu, bispo anglicano, Nobel da Paz e o Senhor Alegria, pois a Fé é isso mesmo: Alegria.

Foi com profundo deleite que assisti à irreverente intervenção do Arcebispo da Cidade do Cabo e Primaz da Igreja Anglicana da África Austral, na Celebração do Mundial de Futebol 2010, que teve lugar no Orlando Stadium na noite de 10/06/2010. Paramentado com os acessórios dum adepto dos Bafana Bafana, ele riu, dançou, cantou e encantou... gritou vivas e pôs todo o estádio a gritar e a rejubilar.

A religião não deve ser uma ameaça tenebrosa e sinistra dum sofrimento culpado. A religião não é a repetição enfadonha e inconsequente de rituais ostentatórios. A Religião é a celebração da Alegria da Vida.

Sem perder a sua critica incisiva e oportuna Desmond Tutu tem sabido manter sempre com humor o ânimo e a confiança na construção dum futuro melhor, para o seu país e para o mundo.