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domingo, 23 de outubro de 2016

ENGRENAGEM


O nosso mundo é uma engrenagem de consumo. Tudo na nossa presente civilização gira em torno do binário produção/consumo. Criam a ideia duma sociedade pró-hedonista mas tal não passa duma imensa falácia. Somos moldados e formados para encaixarmos num lugar da cadeia produtiva como escravos domesticados. Progressivamente perdemos o livre-arbítrio e a vontade-própria. É-nos negada a auto-determinação e o nosso querer tem de corresponder ao estipulado na lei e nas regras do jogo da grande-empresa em que se tornou o mundo. 
Fomos absorvidos pelo grande sistema-económico, que a todos devora e trucida desde a mais tenra idade. A auto-expressão é negada. O que se vê por aí são comportamentos de macaco-de-imitação a que se convencionou chamar de moda, ou mais elitistamente de “fashion”. Contribuindo esses comportamentos padronizados para aumentar os índices de produção/consumo e dando prosseguimento à alienação continuada das gentes que se iludem achando ser felicidade o que não passa dum mero prazer supérfluo e momentâneo.



Nota: Imagens recolhidas na internet com o Google

sábado, 1 de outubro de 2016

GANHARÁS O PÃO


O peso da religião ainda é imenso nas nossas sociedades modernas. Até porque convém para o sistema económico que ela tanto apoia com o seu “ganharás o pão com o suor do rosto”. Através desse ditame imperioso o cristianismo sempre justificou todo o tipo de abusos predatórios e esclavagistas.
Não somos máquinas – ao invés do delírio romântico apregoado na febre da revolução industrial -  somos até providos de alma. Esse ideário de propósitos esclavagistas assenta maravilhosamente aos interesses inescrupulosos da dominante classe empresarial, ilibando de culpa a imposição dum modo de existência que não nos provê verdadeiro bem-estar ou felicidade. Se alguns de nós conseguem uma abastança material que lhes proporcione conforto, mesmo esses logo percebem que só isso não basta. Uma alma sã não se compraz numa bem-aventurança  moldada na amargura e sofrimento, sejam próprios ou alheios.

Agostinho da Silva afirmava ser anti-natura a condição de agente de produção do ser humano. Não nascemos para trabalhar mas sim para criar e para isso necessitamos de nos dedicar à ociosidade. Desse modo ele profetizava a sociedade do ócio, como o destino da humanidade,  vendo nos avanços tecnológicos e na robótica a possibilidade de concretização desse ideal. O Homo Divinus como entidade de vocação contemplativa e espiritual.

Imagem: "Angelus", Jean-François Millet

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

DESUMANIZAR


Quando me dizem que a Bayer comprou a Monsanto por 66 mil milhões de USD eu sinto-me indignado com esta industrialização da humanidade. No princípio da revolução industrial, em pleno século XIX, até era engraçado andar em carruagens puxadas por locomotivas a vapor, com as maquinarias facilitando a vida das pessoas, tanto nas deslocações a grandes distâncias como nos modos de produção de bens. Mas agora estamos em plena industrialização da própria humanidade, em que as pessoas são vistas como parte funcional do grande esquema industrial de produção e consumo, com vista à obtenção máxima de lucros para as grandes corporativas e seus accionistas/proprietários. Somos todos peças da grande engrenagem produtiva/consumista. Para trás ficou o propósito de evolução do indivíduo guindando-se a planos mais elevados de consciência. Perante a premência da progressão do sistema civilizacional/económico o indivíduo - o ser humano - foi relegado para o plano de mera ferramenta cuja existência apenas é validada desde que integrada nos planos do monstro corporativo.

Lembra-me o caso da vil postura do todo poderoso presidente da Nestlé que afirma ser a água algo demasiado precioso para estar disponível como um bem de direito universal, pelo que deveria ser privatizada toda a água potável do planeta (claro que ele iria reclamar a patente para a sua omnipotente multi-nacional), assim cada um teria que pagar pelo seu usufruto. Isso sim, eu chamo de blasfémia. Isso sim, eu chamo de encarnação do mal a quem advoga e tenta concretizar uma monstruosidade dessas. Se a clássica escravatura foi abolida por decretos (embora não completamente na prática), agora cria-se uma nova escravatura em que o indivíduo tem que se sujeitar a todos os ditames predatórios dos grandes mandantes do empresariado e da economia.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 2 de julho de 2010

FEUDALISMO E CAPITALISMO


O feudalismo era uma estrutura social em que a relação de poder assentava na posse da terra, sendo esta a base duma economia agrícola. Era da terra que vinha toda a produção necessária ao suporte da vida.

O pagamento com que os soberanos retribuíam os favores dos nobres era feito em doação de terra. Esgotada a disponibilidade de terra livre para doação, os reis começam a cunhar moeda como modo de pagamento à nobreza. É a subversão de todo o sistema económico e dá ensejo ao fortalecimento duma nova classe; o burguês. Elemento novo rico que acumula poder financeiro, embora sem as benesses dum título nobiliárquico. Surge então o capitalismo.

O capitalismo põe termo ao feudalismo no fim da Idade Média com o advento das classes burguesas. Desde então o poder passa a estar ligado ao dinheiro e não à posse de terra.

Capitalismo é a capacidade de gerir riqueza a partir da riqueza; o que significa que quem nada tem não pode enriquecer.

Na estrutura social do feudalismo não há espaço para o escravo. Já o capitalismo mercantil encaixa o escravo nas grandes unidades de produção de derivados agrícolas (açúcar, algodão, café, cacau, etc). Com a revolução industrial há a necessidade da abolição da escravatura, apenas porque o escravo não consome. Então o escravo é promovido a operário assalariado para se tornar um consumidor dos artigos que produz, contribuindo assim duplamente para o enriquecimento do burguês capitalista.

O feudalismo é uma estrutura social típica das sociedades do velho mundo. Quando se dá a expansão colonial no novo mundo, esta é liderada pela classe burguesa segundo um modelo capitalista e aí a liberdade de implantação da escravatura (vide os campos de algodão dos estados sulistas norte-americanos e os engenhos de açúcar brasileiros), como modelo altamente rentável. A Igreja, bem subornada pela classe dominante, a tudo dá a sua bênção e cobertura.

O capitalismo é um modelo obsoleto, insuportável para o desenvolvimento natural da humanidade enquanto organismo cultural eticamente superior.

Ou a humanidade asfixia o capitalismo ou é asfixiada por ele!