Fomos absorvidos pelo grande sistema-económico, que a todos devora e trucida desde a mais tenra idade. A auto-expressão é negada. O que se vê por aí são comportamentos de macaco-de-imitação a que se convencionou chamar de moda, ou mais elitistamente de “fashion”. Contribuindo esses comportamentos padronizados para aumentar os índices de produção/consumo e dando prosseguimento à alienação continuada das gentes que se iludem achando ser felicidade o que não passa dum mero prazer supérfluo e momentâneo.
domingo, 23 de outubro de 2016
ENGRENAGEM
Fomos absorvidos pelo grande sistema-económico, que a todos devora e trucida desde a mais tenra idade. A auto-expressão é negada. O que se vê por aí são comportamentos de macaco-de-imitação a que se convencionou chamar de moda, ou mais elitistamente de “fashion”. Contribuindo esses comportamentos padronizados para aumentar os índices de produção/consumo e dando prosseguimento à alienação continuada das gentes que se iludem achando ser felicidade o que não passa dum mero prazer supérfluo e momentâneo.
sábado, 1 de outubro de 2016
GANHARÁS O PÃO
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
FLASHES DE ELEIÇÕES NUM PAÍS EM GUERRA?
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
O MENINO E O PAPAGAIO
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
MOBILIDADE URBANA II
Com horários alargados do funcionamento empresarial e menores turnos laborais, recorrendo para isso a um aumento de número de funcionários – sem que isso representasse perda de salários para os mesmos – seria possível distribuir os utentes de transportes urbanos sem o doentio vai-vem pendular superlotado dos horários de ponta. Além de assim rentabilizar as próprias carreiras de transportes, algumas das quais só compensam financeiramente a sua existência nesse sufoco de afluências periódicas diárias, mas com grandes incómodos dos utentes que recebem um tratamento de mercadoria; transportados em condições indignas e de risco físico.
sábado, 15 de dezembro de 2012
CONSTITUIÇÃO E REALIDADE
sábado, 28 de janeiro de 2012
DESABAFO: O ABENÇOADO

Apanhei um susto quando, ao entrar num dos corredores do supermercado, um simpático cidadão, com um sorriso largo de orelha a orelha, me saudou brindando-me com um sonoro: “Deus o ama senhor!...” e continuou a verborreia, que eu já não consegui escutar pois inibido logo me escapei entre as prateleiras de especiarias e molhos de condimentos pré-embalados. Vim depois a encontrar o beatífico cidadão quando esperava na fila, pela minha vez de pagar as compras e escutei atrás de mim: “Deus a ama, minha senhora!” Era de novo ele saudando uma mulher que acabara de passar. Do mesmo modo ia brindando toda a gente que entrava no supermercado, com sonoras bênçãos, não reclamadas.
Desculpem-me a rudeza, mas desde que cheguei ao Brasil, eu que sempre me considerei tolerante, quase me tornei um encarniçado anti-religioso militante, desconfiando de tudo quanto tenha a ver com religião, ou o que com ela tenha alguma relação. Principalmente tudo que esteja relacionado com o chamado cristianismo evangélico.
Eu não ando por aí apregoando as minhas crenças e os meus dogmas. Porque terei de ser atingido pela insensatez daqueles que inseguros das suas escolhas, disparam sobre todos o seu fanatismo, pretensamente piedoso, na tentativa de conquistarem um suposto Céu à custa da conversão forçada de quem já vive muito bem e em paz sem um deus único e prepotente às costas?
Que me interessa a mim ser amado por um deus déspota e vingativo, que ao longo da história, descrita no livro sagrado que nomeiam de Bíblia, cometeu e instigou todo o tipo de atrocidades e crimes contra indivíduos e contra a humanidade?
Essa gente que se remeta ao exercício privado das suas opções supersticiosas. A religião é um assunto privado entre o indivíduo e os dogmas que escolhe. O respeito pela diversidade de identidade individual, assim como das opções alheias, é a base duma pacífica coexistência nas sociedades que se querem democráticas e livres.
A minha liberdade faz-se de não ter que ouvir constantemente esse chorrilho hipócrita de “se deus quiser”, “graças a deus”, “deus queira”, “deus é fiel”, etc, etc, etc...
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
terça-feira, 8 de novembro de 2011
O FUTURO PRESENTE
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
MENINO

terça-feira, 20 de setembro de 2011
FADIGA DA ALMA
Cansado... Cansado de lutar contra mim. Contra as fobias que me dominam e reduzem a minha vontade a uma expressão insignificante de... terça-feira, 19 de julho de 2011
FUTEBOL

terça-feira, 28 de junho de 2011
ONTEM, HOJE E...
O apetrecho que todos esses senhores da imagem ostentam é uma régua de cálculo. Um instrumento utilizado para realizar múltiplos cálculos matemáticos desde o século XVII (foi inventado por um padre em 1638) até à década de 1970, quando as calculadoras electrónicas começaram a ser popularizadas. A régua de cálculo possibilitava resultados aproximados, mas nesse tempo tudo era mais fiável; as calculadoras electrónicas apresentam cálculos exactos, mas agora tudo é suspeito, nem na própria sombra podemos confiar.
Eu cheguei a ter uma, num estojo de couro. Era instrumento de aquisição obrigatória para as aulas de matemática no ensino secundário. Guardei-a sempre como um tesouro do passado, até que a minha vida deu o maior trambolhão de todos que passei e já nem sei que destino levou, juntamente com todo o meu espólio de memórias materiais.
Quem chegou a trabalhar com uma régua de cálculo, pelo menos na escola? Deixem a vossa resposta nos comentários e depois voltemos para verificar quantos de nós tivemos contacto com este testemunho do passado.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
PEÇO ESCLARECIMENTO
Se nasci num mundo heterossexual, fui educado por heterossexuais, andei em escolas com professores heterossexuais sob um regime definido por princípios heterossexuais e sempre me impuseram modelos heterossexuais sob ameaça de perseguição e aviltamento... porque razão eu sou homossexual???
Já me satura ouvir tanta gente preocupada com o que eu faço com os meus genitais! Não haverá nada mais premente e vital para o bem estar da humanidade??? Não será mais importante resgatar os pobres da miséria e os infelizes da injustiça? Não será mais importante acabar com as guerras e trazer paz ao mundo?
sábado, 5 de fevereiro de 2011
REVOLUÇÃO XXI
Mudam-se os tempos, mudam-se os modos. Este processo revolucionário egípcio tem apresentado muitas pistas para reflexão. Uma delas é a utilização das novas tecnologias de informação e o conhecimento de como a imagem pode ser fundamental. Tanto a imagem fotográfica, quanto a imagem comportamental.
Os manifestantes anti-regime, tentam manter a sua sublevação num perfil de protesto ordeiro. O seu esforço em manter as manifestações dentro dos padrões de civilidade que a opinião pública internacional espera e aprecia, tem sido evidente. A sua capacidade de apelo e direcção das multidões tem sido notória, demonstrando uma lição muito bem aprendida com vários exemplos do passado. Saber condenar os comportamentos dos tiranos, sem deixar rasto de comportamentos condenáveis.
A exibição de cartazes numa língua internacional (inglês) mostra o quão conscientes estão de que a opinião e solidariedade global poderão fazer a diferença para o sucesso da sua iniciativa. Dando uma imagem de habilitados a uma democracia lavadinha podem angariar a simpatia e apoio de governantes estrangeiros e diplomatas que farão o seu papel de pressionadores, fiscalizados pelas suas respectivas opiniões públicas nacionais.
Mas também muito do que se tem visto é possível devido ao profundo espírito comunitário que anima esses povos, em contraste com o perfil individualista e egocêntrico da nossa cultura ocidental. À muito que perdemos o sentido comunitário e vivemos numa obsessão de auto-satisfação. Talvez resida aí a completa apatia das populações europeias perante os processos eleitorais, que se testemunha em elevadíssimas taxas de abstenção. Quem vemos nós mais frequentemente nos movimentos populares de contestação na Europa? Emigrantes vindos do norte de África. Os europeus e outros povos ocidentalizados, acomodados nos seus ideais de classe média desencantada ficam nas suas poltronas frente ao televisor assistindo com enfado, enquanto esperam mais um talk-show mundano, um desafio futebolístico, ou essas infindáveis telenovelas anestesiadoras e viciantes. Não é desinteresse, é uma apatia dormente e patológica.
sábado, 22 de janeiro de 2011
MULTIDÃO INVISÍVEL
De Ítalo Calvino em “As Cidades Invisíveis”:
“Em Cloé, cidade grande, as pessoas que passam pelas ruas não se reconhecem. Quando se vêem, imaginam mil coisas a respeito umas das outras, os encontros que poderiam ocorrer entre elas, as conversas, as surpresas, as carícias, as mordidas. Mas ninguém se cumprimenta, os olhares cruzam-se por um segundo e depois desviam-se, procuram outros olhares, não se fixam.
... Corre alguma coisa entre eles, uma troca de olhares como se fossem linhas que ligam uma figura à outra e desenham flechas, estrelas, triângulos, até esgotar num instante todas as combinações possíveis e outras personagens entram em cena ... consumam-se encontros, seduções, abraços, orgias sem que se troque uma palavra, sem que se toque um dedo, quase sem levantar os olhos.
Existe uma contínua vibração luxuriosa em Cloé, a mais casta das cidades. ...”
domingo, 17 de outubro de 2010
MINAS
Assistimos recentemente ao extraordinário e feliz resgate de vítimas dum acidente numa mina no Chile. Todo mundo se comoveu com o exemplar salvamento daqueles homens. Um exemplo de referência e que deveria ser aprendido como lição pelos governos de outros países e pelos proprietários de empresas de mineração.
Entretanto mais dois acidentes graves em minas ocorreram; um no Equador e outro (mais outro!) na China. E, de novo, as costumeiras inaptidão e desinteresse dos responsáveis revelou-se grosseiramente.
As causas do número de mortes ser elevado já todos sabemos. As condições de trabalho pouco se alteraram em séculos. Num mundo que se vangloria dos desenvolvimentos tecnológicos e onde já se constroem robots para servir chá e bolos com a melhor das delicadezas e simpatias, chegando mesmo a ensaiar pequenos excertos de conversação com os humanos, continuamos a ver os nossos irmãos de espécie tratados como os escravos que são.
Até quando vamos ficar espezinhados pela pata alarve dos grandes empresários, senhores de todos os direitos e a quem tudo é permitido? Até quando as nossas vidas humanas valerão menos que a ganância de lucro dessas criaturas nefandas que são os empresários e investidores? Até quando vamos assistir à cobardia desavergonhada de governantes ditos democráticos que foram eleitos pelo voto do povo e a quem juraram servir, mas que na verdade não passam de títeres nas rédeas dos senhores da finança? Até quando vamos ter de suportar esta merda de caos em que se estão a tornar as sociedades desta civilização urbana que despreza tudo que não seja o seu quotidiano mesquinho?
Chegou a hora de dar um BASTA! nesta imundice de civilização decadente. Os sinais estão por aí em todo o lado e prometem que vai ser duro. Duro a valer! Preparem-se pois a coisa só vai piorar!
Como dizia a outra: Isto já não vai às palmas, isto agora só vai às palmadas!
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
OUTRO MUNDO?

Seria mesmo este mundo que queríamos construir? Seria mesmo esta realidade que pretendíamos para o nosso quotidiano?
Questão:
- Mas a culpa é dos políticos?
- Sim, a culpa é dos políticos. Afinal não são eles que mandam? Não são eles que vêm pedir votos com promessas de providenciarem uma melhor vida para todos? Não são eles que se submetem ao jugo dos grandes senhores da finança, dos empresários sem escrúpulos?
Mas, também... A culpa é dos senhores da economia. A culpa é dos magnatas do petróleo. A culpa é dos senhores da droga. A culpa é dos juízes e das leis. A culpa é dos senhores da guerra. A culpa é das religiões. A culpa é da tradição. A culpa é do preconceito. A culpa é da ignorância e da falta de cultura. A culpa é da falta de ética. A culpa é da inveja e da mesquinhez humanas. A culpa é do consumismo. A culpa é das famílias, desestruturadas. A culpa é da ganância. A culpa é... (podem continuar a lista, p.f.)
A culpa é de todos nós!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
O PORTEIRO NÃO
Esta é uma recolha de excertos de comentários de leitores anónimos duma notícia sobre o resultado dum inquérito que ilibou o porteiro da escola onde decorreu o trágico caso que relatei no meu post “12 anos” (06 de Março 2010). Depois de toda a hierarquia superior ter sido eximida de culpa, a sede de sangue recaiu sobre o mais fraco; o porteiro da escola (como sempre os subalternos espiando as culpas das elites).
Para contextualizar quem não tomou conhecimento do caso; um menino de 12 anos, vítima de bullying continuado por parte dos colegas de escola, foge da mesma e atira-se ao rio, onde se afogou.
“Um menino que se perde, um jovem cidadão, é uma perda irreparável; um menino que se suicida por excesso de stress, por não aguentar mais a tortura permanente em que vive, é uma denúncia sinistra "disto" onde vivemos, é uma bofetada imensa na cara de todos nós, que deixamos e abandonamos à sua sorte o melhor que temos!”
“O porteiro, os professores, o director da escola , o presidente da câmara, o ministério e a ministra, (nem falemos da justiça ) foram o que é habitual: uns pulhas ordinários, uns apparatchiks do regime, todos especialistas em varrer para baixo do tapete e camuflar e baralhar as pistas! Quanto mais fraco é um regime, mais tirânica é a sua burocracia!”
“Não conhecia o jovem em questão, nem acho que se deva transformar as escolas em prisões com guardas, arame farpado e cães para conservar lá dentro aqueles a quem a FAMÍLIA e os poderes instituídos não motivaram para o privilégio que é frequentar a escola e aprender.”
“Porque é que temos que ter alunos e professores atrás de portões fechados a sete chaves? Será que os pais não sabem dar educação aos filhos de modo a fazer ver que a escola é para se estar lá? Os miúdos têm e devem ser educados e, queiram ou não é em casa que este trabalho tem de ser feito. A escola serve para transmitir conhecimentos.”
“Nao se pode pôr atrás de cada aluno um adulto. Há regras e a educação deve começar em casa.”
“Quanto ao alegado bullying, se acontecia de facto, então há culpados, os paizinhos dos agressores que não sabem educar melhor os filhos, os professores que suspeitavam (no mínimo) e nada fizeram e a direcção da escola, que tem a obrigação de assegurar a segurança dos alunos que os pais pagam para manter na escola.”
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
DOMÍNIO DAS CIDADES

Ricardo Pinto escreveu três volumes duma narrativa fantástica (“A Dança de Pedra do Camaleão”) que são uma alegoria do mundo em que vivemos. Embora passada num universo antiquíssimo, em que ainda os grandes dinossauros habitavam a Terra (aqui em comum com os humanos), toda a trama testemunha uma motivação e ambição comuns à nossa sociedade actual.
No Livro III (“O Terceiro Deus”, que tive a felicidade de me ter sido oferecido pelo meu primo Ramarago) encontrei o excerto que em seguida transcrevo. Penso que a clareza do texto dispensará qualquer explicação.
“Pode considerar-se que a população duma cidade é composta por três classes: a administrativa, a produtiva e a dos vermes. As últimas duas classes formam um só grupo natural e, portanto, não deveriam ser consideradas diferentes, mas sim opostas. A classe dos vermes é composta por pedintes, ladrões, leprosos e outros elementos não produtivos. Embora teoricamente possível, a eliminação desta classe seria contrária à governação eficiente de uma cidade, não só porque o controlo da mesma sempre permite uma função visível à classe administrativa, mas também porque a sua própria existência recorda permanentemente à classe produtiva a profundidade do buraco em que pode cair caso deixe de produzir. Para além disso, uma vez que a classe dos vermes é a grande parasita da classe produtiva, tem o efeito desejável de enfraquecer esta última, pelo que a classe administrativa a deve diminuir apenas o suficiente para manter a ordem nas cidades.”
(Extracto de um codicilo compilado num cordão de contas pelos Sábios do Domínio Cidades)
Ricardo Pinto in “O Terceiro Deus – A Dança de Pedra do Camaleão”

Ricardo Pinto
Outros links para os trabalhos de Ramarago:
http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=1455













