
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
ULTRA-DIMENSÃO

terça-feira, 20 de setembro de 2011
FADIGA DA ALMA
Cansado... Cansado de lutar contra mim. Contra as fobias que me dominam e reduzem a minha vontade a uma expressão insignificante de... terça-feira, 26 de abril de 2011
NÓS, EM DEPRESSÃO
A depressão é uma doença! Não é um estado frívolo de afectação de humor.
O amigo que não me responde, como se não me reconhecesse, como se não me visse, como se eu não existisse. O quarto que se fecha hermético em muros inquebráveis, aprisionando-me a mim e aos medos e incompreensões que habitam em mim e comigo convivem.
A tentativa desesperada de deixar um rasto, uma prova, da intolerância e incompreensão dos outros, que riem e ignoram ostensivamente o drama de quem não consegue a voz de se fazer ouvir; porque da fala nada sai e aos ouvidos nada chega. A prova de que existo, a prova de que luto, a prova de que estou aqui, com vontade de viver, com vontade de ganhar o espaço e o tempo que me são devidos. A prova de que não desisto da vida, embora seja o ímpeto mais fiel e presente e premente no meu íntimo, o de que ela cesse logo e com o seu fim todo o tormento que é cada ínfimo momento duma existência de horrores internos.
A luta desesperada que é manter viva a prova do atentado que a coarctação do meu direito à cura é. Eu quero me tratar! Eu quero me curar! Eu quero libertar-me das grilhetas infames que me privam do mais básico e divino direito de me viver a mim e à minha vida em pleno! Eu quero ser eu! Quero o pleno usufruto da minha vida e da minha pessoa, sem limites, sem fobias, sem fúrias!
É o caso da frieza e frivolidade de alguns “médicos” que me acusam de ser um dependente de fármacos e querer levar a vida me iludindo com medicamentos quando, na sua criminosa ignorância, bastaria eu sair de casa e dar uns passeiozinhos para ficar curado.
Estou cansado!
Não é uma questão de tomar um medicamento ou não. É toda uma vida perdida! Uma vida perdida para a falta de ânimo, para a completa ausência de motivação e mobilização, mesmo para encetar e concluir as mais insignificantes tarefas do quotidiano.
Mesmo coisas tão simples se tornam, ridiculamente, imensos desafios de vida, como, por exemplo, o simples facto de sair do quarto e atravessar a casa para ir lavar o rosto pela manhã, tendo de enfrentar os restantes membros da família, é uma prova de vida e coragem. Sim, enfrentar, pois o simples facto de me apresentar perante alguém é um acto de desafio a todas as fobias que roem o ânimo, a alma, continuada e implacavelmente, sem tréguas. O banal acto de atender um telefonema é uma épica luta travada entre esconjuros e imprecações, resistindo a ganas colossais de reduzir o pequeno aparelho a cacos e pó.
Acham que isto é viver? E depois ainda me vêm dizer: sai de casa e vai dar uma volta. Como se a intenção de enfrentar a rua (E TODO O MUNDO LÁ FORA) não fosse o maior dos tormentos!!! Se até para sair do quarto eu tenho de me pontapear e atirar porta fora... como se faz a uma nojeira abjecta!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
sexta-feira, 30 de julho de 2010
DIAGNÓSTICO
Caminhava pela sombra, junto às paredes. Esperava aos cantos, ou por trás dos outros, onde fosse mais difícil de me acharem, afastado dos grupos e alunos mais irrequietos e barulhentos. Evitava as brincadeiras mais rudes e tinha um medo quase irracional das bolas com que os outros se deliciavam em efusivos jogos.
Na escola era elogiado pelo bom comportamento, embora os professores lamentassem a falta de participação, pois tentava sempre ficar escondido atrás dos outros alunos, de modo a evitar ser chamado ao quadro, para resolver algum problema, ou responder a alguma pergunta sobre a matéria dada, que de resto sabia sempre a resposta.
Em casa ficava no quarto, sozinho, deliciado na leitura dum livro, de preferência com temática científica ou histórica e entretido com os muitos carrinhos que tinha ganho como prémios por boas notas escolares, planeando cidades plenas de vida e actividade, onde viveria feliz. Em folhas de papel A4 desenhava botões de teclado e mostradores de ponteiros e colava nas paredes do quarto, encenando os painéis de comando da nave com que sonhava poder partir para outros mundos, onde pudesse encontrar outros que sentissem e agissem do mesmo modo.
Adorava ir à praia. O contacto com a água viva e plena de força, que tanto acariciava como enrolava e arrastava na rebentação das ondas e a imensa superfície do mar se espalhando infinito pelo horizonte, eram portas para o sonho e a fuga, sempre anunciando outros mundos, outras realidades.
Diziam que era muito sossegado e muito bem comportado. Talvez um pouco sossegado demais. Achavam que era um menino encantador, exemplo de boa educação e nunca dando ralações nem trabalhos a ninguém.
Na verdade era o início duma profunda depressão que por ignorância nunca foi percebida e acabou por evoluir numa distimia crónica, muito tardiamente diagnosticada.
Quando uma criança é demasiado sossegada ou demasiado irrequieta algo não está muito bem, pelo que é necessário procurar opinião e auxílio de quem seja especializado. Somos seres essencialmente mentais e emocionais, pelo que é fundamental uma observação atenta a nível psicológico. É necessário derrotar definitivamente o preconceito de que quem vai ao psiquiatra e ao psicólogo são os doidos.
sábado, 22 de maio de 2010
CÂNTICO A UMA VOZ SÓ

Sou um, sou dois, somos muitos, num mundo que não foi feito por nós nem para nós.
Eu quero viver. Quero sair lá fora e encontrar sorrisos e paz. Mas como, se a guerra começa em mim?
Eu quero construir um dia de Sol. Quero uma chuva revitalizadora molhando a cidade e os jardins. Quero escutar uma canção de alegria. E dançar ao vento.
Eu quero plantar uma flor e vê-la florir no teu sorriso. Muitas flores. Prados delas.
domingo, 7 de março de 2010
DISTIMIA

- Falta de apetite ou apetite em excesso
- Insónia ou hipersonia
- Falta de energia ou fadiga
- Baixa auto-estima
- Dificuldade de concentração ou de tomada de decisões
- Sentimento de falta de esperança
sábado, 27 de fevereiro de 2010
INVERNIA




