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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ULTRA-DIMENSÃO

Dreamland - Above Than Clouds by Anuk

Hoje tenho ganas de estourar num grande AHHHHHHHHH!!!!!!!!.............

Ao procurar imagens para escrever um outro texto encontrei essa acima, que me lembrei de compartilhar convosco. Tão girinha (fofinha, br), né? Trouxe a imagem daqui.

O vídeo dos Van der Graaf Generator (bem do início, 1970) pode não retratar a imagem, mas retrata o meu estado de espírito presente.

Bem vindos à escuridão da alma! "Darkness"


Nota: clicar sobre a imagem para a observar em formato grande.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

FADIGA DA ALMA

Cansado... Cansado de lutar contra mim. Contra as fobias que me dominam e reduzem a minha vontade a uma expressão insignificante de...

Cansado de ser sempre tarde... de ter chegado depois... de ter arrancado antes... sem destino reconhecido... Porque o meu tempo é mais lento - muito mais lento - que o tempo universal (o tempo de todos). E quando eu exprimo o gesto... já o momento se foi.

Cansado de ficar sempre à porta. Retido pelo umbral. Sem conseguir encetar um passo que seja, para onde quer que queira ir... ou mesmo não ir.

Cansado de tanta solidão, sem conseguir ficar só. Libertadoramente só!

Cansado de não ser escutado e ser mal-interpretado. Cansado de ser ignorando com perigoso descuido.

Cansado de lutar contra uma ânsia de terminus, que muitos (muitos de muitos, de vós, quase todos) poderão achar pateticamente trágica, mas que para muitos outros se torna terrivelmente real. E, depois de saciada, irremediavelmente definitiva.

Cansado de esperar sem esperança, por saber que só posso contar com algo tão básico como o mais primitivo instinto de sobrevivência. Já que as razões da razão aos humanos não assistem, nos tempos sem tempo em que todos se lançam alienadamente. Cegos!

Porque a depressão é um cansaço contínuo.
A depressão é uma doença, que exige tratamento psicológico e farmacológico.
A depressão não é um enfado momentâneo, que se resolve indo dar uma volta pela marginal (como já um agente médico teve o desplante de se referir ao meu problema de saúde).
A depressão ainda é um tabu, que poucos querem reconhecer como epidemia na nossa sociedade actual.
A depressão ainda é vista como preguiça; um dos sete pecados mortais, estigmatizados pela moral religiosa.

terça-feira, 26 de abril de 2011

NÓS, EM DEPRESSÃO

A depressão é uma doença! Não é um estado frívolo de afectação de humor.

O amigo que não me responde, como se não me reconhecesse, como se não me visse, como se eu não existisse. O quarto que se fecha hermético em muros inquebráveis, aprisionando-me a mim e aos medos e incompreensões que habitam em mim e comigo convivem.

A tentativa desesperada de deixar um rasto, uma prova, da intolerância e incompreensão dos outros, que riem e ignoram ostensivamente o drama de quem não consegue a voz de se fazer ouvir; porque da fala nada sai e aos ouvidos nada chega. A prova de que existo, a prova de que luto, a prova de que estou aqui, com vontade de viver, com vontade de ganhar o espaço e o tempo que me são devidos. A prova de que não desisto da vida, embora seja o ímpeto mais fiel e presente e premente no meu íntimo, o de que ela cesse logo e com o seu fim todo o tormento que é cada ínfimo momento duma existência de horrores internos.

A luta desesperada que é manter viva a prova do atentado que a coarctação do meu direito à cura é. Eu quero me tratar! Eu quero me curar! Eu quero libertar-me das grilhetas infames que me privam do mais básico e divino direito de me viver a mim e à minha vida em pleno! Eu quero ser eu! Quero o pleno usufruto da minha vida e da minha pessoa, sem limites, sem fobias, sem fúrias!

É o caso da frieza e frivolidade de alguns “médicos” que me acusam de ser um dependente de fármacos e querer levar a vida me iludindo com medicamentos quando, na sua criminosa ignorância, bastaria eu sair de casa e dar uns passeiozinhos para ficar curado.

Estou cansado!

Não é uma questão de tomar um medicamento ou não. É toda uma vida perdida! Uma vida perdida para a falta de ânimo, para a completa ausência de motivação e mobilização, mesmo para encetar e concluir as mais insignificantes tarefas do quotidiano.

Mesmo coisas tão simples se tornam, ridiculamente, imensos desafios de vida, como, por exemplo, o simples facto de sair do quarto e atravessar a casa para ir lavar o rosto pela manhã, tendo de enfrentar os restantes membros da família, é uma prova de vida e coragem. Sim, enfrentar, pois o simples facto de me apresentar perante alguém é um acto de desafio a todas as fobias que roem o ânimo, a alma, continuada e implacavelmente, sem tréguas. O banal acto de atender um telefonema é uma épica luta travada entre esconjuros e imprecações, resistindo a ganas colossais de reduzir o pequeno aparelho a cacos e pó.

Acham que isto é viver? E depois ainda me vêm dizer: sai de casa e vai dar uma volta. Como se a intenção de enfrentar a rua (E TODO O MUNDO LÁ FORA) não fosse o maior dos tormentos!!! Se até para sair do quarto eu tenho de me pontapear e atirar porta fora... como se faz a uma nojeira abjecta!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

sexta-feira, 30 de julho de 2010

DIAGNÓSTICO

Caminhava pela sombra, junto às paredes. Esperava aos cantos, ou por trás dos outros, onde fosse mais difícil de me acharem, afastado dos grupos e alunos mais irrequietos e barulhentos. Evitava as brincadeiras mais rudes e tinha um medo quase irracional das bolas com que os outros se deliciavam em efusivos jogos.

Na escola era elogiado pelo bom comportamento, embora os professores lamentassem a falta de participação, pois tentava sempre ficar escondido atrás dos outros alunos, de modo a evitar ser chamado ao quadro, para resolver algum problema, ou responder a alguma pergunta sobre a matéria dada, que de resto sabia sempre a resposta.

Em casa ficava no quarto, sozinho, deliciado na leitura dum livro, de preferência com temática científica ou histórica e entretido com os muitos carrinhos que tinha ganho como prémios por boas notas escolares, planeando cidades plenas de vida e actividade, onde viveria feliz. Em folhas de papel A4 desenhava botões de teclado e mostradores de ponteiros e colava nas paredes do quarto, encenando os painéis de comando da nave com que sonhava poder partir para outros mundos, onde pudesse encontrar outros que sentissem e agissem do mesmo modo.

Adorava ir à praia. O contacto com a água viva e plena de força, que tanto acariciava como enrolava e arrastava na rebentação das ondas e a imensa superfície do mar se espalhando infinito pelo horizonte, eram portas para o sonho e a fuga, sempre anunciando outros mundos, outras realidades.

Diziam que era muito sossegado e muito bem comportado. Talvez um pouco sossegado demais. Achavam que era um menino encantador, exemplo de boa educação e nunca dando ralações nem trabalhos a ninguém.

Na verdade era o início duma profunda depressão que por ignorância nunca foi percebida e acabou por evoluir numa distimia crónica, muito tardiamente diagnosticada.

Quando uma criança é demasiado sossegada ou demasiado irrequieta algo não está muito bem, pelo que é necessário procurar opinião e auxílio de quem seja especializado. Somos seres essencialmente mentais e emocionais, pelo que é fundamental uma observação atenta a nível psicológico. É necessário derrotar definitivamente o preconceito de que quem vai ao psiquiatra e ao psicólogo são os doidos.

sábado, 22 de maio de 2010

CÂNTICO A UMA VOZ SÓ


A solidão não existe! Assim como a felicidade também não. O que existe é o isolamento, a segregação, o abandono.

Sentado no vazio do meu canto olho o mundo lá fora. E tudo está tão longe. Tudo se apresenta inanimado, sem fulgor, sem interesse.

Sou um, sou dois, somos muitos, num mundo que não foi feito por nós nem para nós.

Eu quero viver. Quero sair lá fora e encontrar sorrisos e paz. Mas como, se a guerra começa em mim?

Eu quero construir um dia de Sol. Quero uma chuva revitalizadora molhando a cidade e os jardins. Quero escutar uma canção de alegria. E dançar ao vento.

Eu quero plantar uma flor e vê-la florir no teu sorriso. Muitas flores. Prados delas.

Quero ter asas e voar por aí. Quero viver livre! Lá fora, no mundo!



domingo, 7 de março de 2010

DISTIMIA

A cabeça parece estourar numa angústia que não sei de onde vem, ou o que a origina. Apenas sei que tudo em redor me agride e ameaça, como se eu fosse um animal encurralado pelos caçadores mais sanguinários do universo.

A Distimia é uma doença do foro psíquico que se caracteriza por um estado depressivo contínuo, num período muito longo de tempo, contado em anos. E que se não for devidamente tratado, com fármacos e psicoterapia, não sofrerá remissão expontânea, podendo permanecer indefinidamente.

É uma doença socialmente incapacitante pelos sintomas que a caracterizam. Isso pode ver-se pelo perfil de sintomas que a podem caracterizar:
  • Falta de apetite ou apetite em excesso
  • Insónia ou hipersonia
  • Falta de energia ou fadiga
  • Baixa auto-estima
  • Dificuldade de concentração ou de tomada de decisões
  • Sentimento de falta de esperança

Não é necessária a apresentação de todos estes sintomas para o diagnóstico da Distimia, sendo no entanto necessária a presença de pelo menos dois deles. O principal factor a considerar é a prevalência dum estado depressivo por mais de dois anos, ao longo dos quais não hajam períodos de ausência de sintomas por mais de dois meses.

A Distimia desenvolve-se de forma gradual, muitas vezes sem que os técnicos consigam, ao início, determinar se a pessoa está ou não desenvolvendo um quadro distímico. O diagnóstico preciso só pode ser feito depois da síndrome estar instalada.

A Distimia, embora apresente sintomas de depressão ligeira, não impede que a pessoa desenvolva depressões mais profundas (casos de Depressão Dupla). Aí o seu mau-estar habitual vai se agudizar numa dor mais intensa e num agravamento de sintomas como os relacionados com as capacidades cognitivas, ou de avaliação e decisão. O paciente envereda então por atitudes que não o favorecem e que não consegue posteriormente entender nem reverter.

Devido ao perfil dos sintomas, o paciente distímico assume uma postura anti-social, que o incapacita para o cumprimento das tarefas comuns e essenciais para a sua subsistência, como seja o desempenho de funções profissionais e o convívio familiar e social. O comportamento mais comum é o isolamento em casa, sem receber visitas ou mesmo sem atender o telefone.

O meio familiar em que o paciente se enquadra tende a exigir dele uma mudança positiva, o que é de todo despropositado, pois devido ao seu estado depressivo isso lhe é impossível. Como dizia um psiquiatra: "É o mesmo que pedir a alguém com pneumonia que pare de tossir".

Irritabilidade, impaciência, diminuída capacidade produtiva e débil agilidade mental, são sintomas que o paciente percebe em si e que muito sofrimento lhe causam, mais ainda por perceber a sua imensa incapacidade para os contrariar e contornar. Pungente é a constatação da incapacidade de mobilização da sua própria vontade.

É este o meu quotidiano, a minha realidade diária. O dia-a-dia que conheço e de que é feita a minha vida e daqueles que se acercam de mim e que me amam.

Fontes: Wikipedia e Psicosite

sábado, 27 de fevereiro de 2010

INVERNIA

O vazio resvalando pela indiferença dum mundo apático... sonâmbulo!

Tudo conta abaixo do Sol. Porque procurar diferenças, onde a vida é uma constante universal?

Quem parte? Quem fica? Quem está... Quem foi... Quem não merece, ou quem... quem... quem chora, quem ri...
As fugas e retenções, as meias verdades e os pretextos. A via que se escolhe e a conveniência... de quem?

A vertigem do salto para um abismo repleto. A paisagem magoa a alma sofrida. A redenção mora oculta nas pregas dum quotidiano secretamente íntimo. ...Dissimulado.


Amanhã será um dia melhor!