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terça-feira, 26 de julho de 2011

55W 10S


Hoje venho agradecer a participação de todos que aqui me visitam e comentam.

Tenho um contador de visitas, com indicação em mapa (podem consultá-lo na barra lateral da folha de rosto do blog). Diariamente encontro por lá um visitante desconhecido, com localização também desconhecida; algures no Guarantã do Norte, no Mato Grosso, junto à fronteira com o Pará, Brasil. Passei a referir-me (com todo o respeito e carinho) a esse seguidor como o "55-10" (as coordenadas indicadas pelo contador) e para mim, ele representa todos aqueles anónimos que, com a sua presença fiel, me impelem a continuar dando-me a coragem que tanta vez me falta por causa do avanço sabotador da minha doença.

Para todos o meu obrigado, no "Obrigado" dos Filia Brazilia:

terça-feira, 26 de abril de 2011

NÓS, EM DEPRESSÃO

A depressão é uma doença! Não é um estado frívolo de afectação de humor.

O amigo que não me responde, como se não me reconhecesse, como se não me visse, como se eu não existisse. O quarto que se fecha hermético em muros inquebráveis, aprisionando-me a mim e aos medos e incompreensões que habitam em mim e comigo convivem.

A tentativa desesperada de deixar um rasto, uma prova, da intolerância e incompreensão dos outros, que riem e ignoram ostensivamente o drama de quem não consegue a voz de se fazer ouvir; porque da fala nada sai e aos ouvidos nada chega. A prova de que existo, a prova de que luto, a prova de que estou aqui, com vontade de viver, com vontade de ganhar o espaço e o tempo que me são devidos. A prova de que não desisto da vida, embora seja o ímpeto mais fiel e presente e premente no meu íntimo, o de que ela cesse logo e com o seu fim todo o tormento que é cada ínfimo momento duma existência de horrores internos.

A luta desesperada que é manter viva a prova do atentado que a coarctação do meu direito à cura é. Eu quero me tratar! Eu quero me curar! Eu quero libertar-me das grilhetas infames que me privam do mais básico e divino direito de me viver a mim e à minha vida em pleno! Eu quero ser eu! Quero o pleno usufruto da minha vida e da minha pessoa, sem limites, sem fobias, sem fúrias!

É o caso da frieza e frivolidade de alguns “médicos” que me acusam de ser um dependente de fármacos e querer levar a vida me iludindo com medicamentos quando, na sua criminosa ignorância, bastaria eu sair de casa e dar uns passeiozinhos para ficar curado.

Estou cansado!

Não é uma questão de tomar um medicamento ou não. É toda uma vida perdida! Uma vida perdida para a falta de ânimo, para a completa ausência de motivação e mobilização, mesmo para encetar e concluir as mais insignificantes tarefas do quotidiano.

Mesmo coisas tão simples se tornam, ridiculamente, imensos desafios de vida, como, por exemplo, o simples facto de sair do quarto e atravessar a casa para ir lavar o rosto pela manhã, tendo de enfrentar os restantes membros da família, é uma prova de vida e coragem. Sim, enfrentar, pois o simples facto de me apresentar perante alguém é um acto de desafio a todas as fobias que roem o ânimo, a alma, continuada e implacavelmente, sem tréguas. O banal acto de atender um telefonema é uma épica luta travada entre esconjuros e imprecações, resistindo a ganas colossais de reduzir o pequeno aparelho a cacos e pó.

Acham que isto é viver? E depois ainda me vêm dizer: sai de casa e vai dar uma volta. Como se a intenção de enfrentar a rua (E TODO O MUNDO LÁ FORA) não fosse o maior dos tormentos!!! Se até para sair do quarto eu tenho de me pontapear e atirar porta fora... como se faz a uma nojeira abjecta!

domingo, 7 de março de 2010

DISTIMIA

A cabeça parece estourar numa angústia que não sei de onde vem, ou o que a origina. Apenas sei que tudo em redor me agride e ameaça, como se eu fosse um animal encurralado pelos caçadores mais sanguinários do universo.

A Distimia é uma doença do foro psíquico que se caracteriza por um estado depressivo contínuo, num período muito longo de tempo, contado em anos. E que se não for devidamente tratado, com fármacos e psicoterapia, não sofrerá remissão expontânea, podendo permanecer indefinidamente.

É uma doença socialmente incapacitante pelos sintomas que a caracterizam. Isso pode ver-se pelo perfil de sintomas que a podem caracterizar:
  • Falta de apetite ou apetite em excesso
  • Insónia ou hipersonia
  • Falta de energia ou fadiga
  • Baixa auto-estima
  • Dificuldade de concentração ou de tomada de decisões
  • Sentimento de falta de esperança

Não é necessária a apresentação de todos estes sintomas para o diagnóstico da Distimia, sendo no entanto necessária a presença de pelo menos dois deles. O principal factor a considerar é a prevalência dum estado depressivo por mais de dois anos, ao longo dos quais não hajam períodos de ausência de sintomas por mais de dois meses.

A Distimia desenvolve-se de forma gradual, muitas vezes sem que os técnicos consigam, ao início, determinar se a pessoa está ou não desenvolvendo um quadro distímico. O diagnóstico preciso só pode ser feito depois da síndrome estar instalada.

A Distimia, embora apresente sintomas de depressão ligeira, não impede que a pessoa desenvolva depressões mais profundas (casos de Depressão Dupla). Aí o seu mau-estar habitual vai se agudizar numa dor mais intensa e num agravamento de sintomas como os relacionados com as capacidades cognitivas, ou de avaliação e decisão. O paciente envereda então por atitudes que não o favorecem e que não consegue posteriormente entender nem reverter.

Devido ao perfil dos sintomas, o paciente distímico assume uma postura anti-social, que o incapacita para o cumprimento das tarefas comuns e essenciais para a sua subsistência, como seja o desempenho de funções profissionais e o convívio familiar e social. O comportamento mais comum é o isolamento em casa, sem receber visitas ou mesmo sem atender o telefone.

O meio familiar em que o paciente se enquadra tende a exigir dele uma mudança positiva, o que é de todo despropositado, pois devido ao seu estado depressivo isso lhe é impossível. Como dizia um psiquiatra: "É o mesmo que pedir a alguém com pneumonia que pare de tossir".

Irritabilidade, impaciência, diminuída capacidade produtiva e débil agilidade mental, são sintomas que o paciente percebe em si e que muito sofrimento lhe causam, mais ainda por perceber a sua imensa incapacidade para os contrariar e contornar. Pungente é a constatação da incapacidade de mobilização da sua própria vontade.

É este o meu quotidiano, a minha realidade diária. O dia-a-dia que conheço e de que é feita a minha vida e daqueles que se acercam de mim e que me amam.

Fontes: Wikipedia e Psicosite