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terça-feira, 20 de setembro de 2011

FADIGA DA ALMA

Cansado... Cansado de lutar contra mim. Contra as fobias que me dominam e reduzem a minha vontade a uma expressão insignificante de...

Cansado de ser sempre tarde... de ter chegado depois... de ter arrancado antes... sem destino reconhecido... Porque o meu tempo é mais lento - muito mais lento - que o tempo universal (o tempo de todos). E quando eu exprimo o gesto... já o momento se foi.

Cansado de ficar sempre à porta. Retido pelo umbral. Sem conseguir encetar um passo que seja, para onde quer que queira ir... ou mesmo não ir.

Cansado de tanta solidão, sem conseguir ficar só. Libertadoramente só!

Cansado de não ser escutado e ser mal-interpretado. Cansado de ser ignorando com perigoso descuido.

Cansado de lutar contra uma ânsia de terminus, que muitos (muitos de muitos, de vós, quase todos) poderão achar pateticamente trágica, mas que para muitos outros se torna terrivelmente real. E, depois de saciada, irremediavelmente definitiva.

Cansado de esperar sem esperança, por saber que só posso contar com algo tão básico como o mais primitivo instinto de sobrevivência. Já que as razões da razão aos humanos não assistem, nos tempos sem tempo em que todos se lançam alienadamente. Cegos!

Porque a depressão é um cansaço contínuo.
A depressão é uma doença, que exige tratamento psicológico e farmacológico.
A depressão não é um enfado momentâneo, que se resolve indo dar uma volta pela marginal (como já um agente médico teve o desplante de se referir ao meu problema de saúde).
A depressão ainda é um tabu, que poucos querem reconhecer como epidemia na nossa sociedade actual.
A depressão ainda é vista como preguiça; um dos sete pecados mortais, estigmatizados pela moral religiosa.

domingo, 14 de março de 2010

PROFESSOR E ALUNO



Um dia um adolescente, de 12 anos, suicida-se por causa de bullying. Outro dia um professor vai parar ao hospital, de onde sai de muletas, vítima de violência física de um aluno de 13 anos, que em plena aula lhe atira com uma cadeira e a mochila. Sabe-se então que um mês antes outro professor se havia suicidado por já não suportar mais as injúrias e achincalhamento dos alunos numa turma problemática. E tudo isto em várias escolas de diferentes localidades portuguesas. Num dos países mais pacíficos e ordeiros da paradigmática civilizada Europa.

Mas que se passa? Algo vai mal no reino da educação! E isto não somente em Portugal! Por todo o mundo encontramos os mesmos sinais de rebelião e desrespeito pelas normas de conduta e civilidade que nos guiaram por milénios.

Os paradigmas caem de seus pés de barro. Os modelos rebelam-se e alternam. Os propósitos não são mais os mesmos. Todo o corpo social se revolve num preâmbulo de anarquia e caos. Afinal prefigura-se uma generalizada ruptura cultural, nas mais variadas tradições nacionais e regionais.

Mas não podemos ficar pela observação passiva da constatação do anunciado óbvio. É necessário que cada um faça a sua melhor parte! Está lançada a corrida ao design dos arquétipos do futuro. Que O Divino nos ajude! E inspire!!!

sábado, 6 de março de 2010

12 ANOS


Saiu da escola com intenção de pôr termo ao martírio. O suicídio era ideia fixa na sua jovem mente de adolescente atormentado pela perseguição dos colegas que o violentavam e infernizavam. Amigos o seguiram alarmados tentando demovê-lo; o primo chegou a pegar-lhe nos pulsos, num desespero de o levar a reconsiderar. Mas ele desembaraçou-se, correu, despiu-se e lançou-se às águas frias do rio. Tinha 12 anos.

O bullying sempre fez parte do crescimento das crianças, mas o facto não justifica o comportamento. Muito menos num mundo, como o nosso, em que a competitividade é percebida como prioridade. Há hábitos e comportamentos inaceitáveis numa sociedade que se pretende educada e respeitadora dos princípios de dignidade humana.