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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

UM EM TRÊS


Um em cada três brasileiros responsabiliza as vítimas pelos estupros que sofreram. “Por não se vestirem decentemente”, “por serem provocadoras”, “por não se comportarem e darem ao respeito”,... Sintomático da mentalidade tacanha e machista que imprime a cultura social brasileira ainda em pleno século XXI. Não vamos escamotear tentando argumentar que isso é uma opinião de homens, pois a percentagem de mulheres que também assim pensa é do mesmo modo elevadíssima. É uma questão de educação; aquela que é transmitida pela família, logo pelas próprias mães também, que foram criadas numa cultura machista e, não só aceitam, como reverberam na sua descendência essa tradição perversa e anti-natura. Como país obcecadamente religioso, o povo não faz muito mais que repetir os padrões e conceitos que a religião sempre lhes impôs: sujeição da mulher, estigmatização da mulher, demonização da mulher,...

domingo, 15 de novembro de 2015

AGIR OU NÃO AGIR


Há catástrofes, acidentes e solidariedades. Há mobilização popular em torno de vítimas e sobreviventes. Mas o que se passa com a situação dos recentes atentados terroristas em Paris vai além do simples episódio funesto de quem por ele foi directamente atingido e a solidariedade daqueles que se compadecem com o infortúnio alheio. O hediondo episódio de 13 de Novembro passado, é mais um lance duma estratégia vil de provocar um conflito global de proporções inéditas na vil histórica bélica da humanidade. O caso aqui não é tão somente o número de vítimas ou a localização geográfica do hediondo evento, mas a vontade deliberada de provocar e atiçar males e calamidades maiores.
Toda a estratégia de actuação desse grupo criminoso é a deliberada provocação dum conflito bélico em nome duma pseudo-guerra inter-civilizacional-religiosa. Mas religião é o que menos está em questão em toda esta infâmia. O mais hediondo em todo este processo demoníaco é a mesquinhez pura de infligir dor e sofrimento pelo simples prazer de provocar terror; puro e simples terror. 
Veja-se como todos os métodos e alvos usados e visados em seus actos, são propositadamente escolhidos para ofender e ferir o que de mais sagrado e elementar há na filosofia de harmonia, liberdade e respeito pela vida em que se alicerça a civilização actual. Princípios tão veementemente defendidos pelas grandes nações relevantes da actualidade, de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Note-se: estádio onde decorria um jogo de futebol, uma sala de espectáculos onde decorria um show musical, restaurantes e bares a esmo, onde as populações desfrutavam do lazer após uma semana de trabalho, tudo referências da cultura e modo de vida comuns à nossa civilização contemporânea, estes no caso recente em Paris; mas também sítios históricos de referência global, que testemunham o evoluir da civilização humana; execuções sumárias por decapitação sanguinária; defenestração, desde o topo dos prédios mais altos, de homossexuais; tudo exibido ostensivamente em vídeos distribuídos por todos os meios de comunicação, para se propagarem e causarem o maior efeito de repulsa e horror; além de outros procedimentos quotidianos repugnantes como o aliciamento de jovens do sexo feminino que são depois sequestradas e forçadas à escravidão sexual) Revelam apenas o imundo desejo de provocar um incomensurável e gratuito conflito global, para depois ficar desfrutando do vil espectáculo do sangue e miséria avassalando tudo e todos.
É isso que leva todos a aderirem a gestos simbólicos (como troca de fotos nos avatares dos perfis e partilha de apelos solidários) nas redes sociais da internet. A rejeição dum clima de terror e da ameaça duma guerra estúpida e global. A questão não é a identificação com os franceses, nigerianos, filipinos ou paquistaneses, sejam quem forem... mas o reconhecimento duma ameaça explícita e contínua ao nosso modo de vida e princípios morais em que baseamos a harmonia do nosso existir e coexistir, pacífico e fraterno.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A NAU CATRINETA ou será E LA NAVE VA

A estampa vislumbrada algures no interstício de idílios sôfregos não faz jus ao suspeito incógnito de devaneios loquazes.

Nota: link para o dicionário online Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

sábado, 24 de julho de 2010

MUSEU

Quando era jovem e andava no ensino secundário, a minha turma descobriu que havia uma verba anual no orçamento da escola estipulada exclusivamente para saídas em visitas de estudo. Rapidamente nos organizámos para projectarmos várias propostas de visitas de estudo a fábricas por todo o país que propusemos à aprovação dos respectivos organismos decisórios da escola. Cada um dos passeios tentava ser o mais longe possível e suficientemente afastado para só permitir o regresso no dia seguinte, permitindo-nos assim ficar uma noite fora de casa pernoitando em hotel pago pela escola. Era a euforia da juventude.

Como o nosso curso era de Química, todas as visitas visavam fábricas químicas, tendo nós o cuidado de escolher diferentes fábricas com diferentes metodologias e produtos finais, para que nenhum dos passeios nos fosse negado. E, por norma, eram todos aprovados, pois o fundo era abastado e os nossos projectos muito bem fundamentados, com grande interesse didáctico, para isso contávamos com a cumplicidade dos nossos professores de química e matérias da área. Quase todos os meses saíamos uma ou duas vezes em passeio. Até que o estatuto de turma mais viajada da escola chamou a atenção dos alunos dos outros cursos e turmas, que logo descobriram o golpe e o passaram a copiar. O dinheiro passou a ficar curto.

Mas, de todos os passeios que demos e de todas as visitas que fizemos, nenhuma incluiu a visita a um museu. Na ânsia de passear nem nos lembrávamos do fundo pedagógico das saídas, mas o certo é que professores e demais agentes de orientação pedagógica da escola também não rectificaram a situação; afinal num sistema de ensino especializado os nossos projectos de visitas eram quase perfeitos. Mas... e a formação geral do aluno? O seu enriquecimento cultural?

Felizmente que eu cresci no seio de uma família que respeitava o meu interesse por cultura. Presto aqui preito à minha Tia Doroteia, mulher que viveu e morreu analfabeta, mas que não sendo burra respeitava e incentivava esse meu gosto pelo conhecimento e me levava missionariamente aos fins-de-semana em passeio a museus e demais lugares com interesse cultural. A Tia Doroteia, na sua iliteracia, sabia bem da importância da cultura na formação do ser humano. Pena que os senhores e senhoras que decidem dos programas e sistemas de ensino não tenham essa mesma percepção e sentido do fundamental.

Escolaridade deixou de ser um modo de enriquecimento cultural para passar a ser uma corrida em busca dum certificado. A cultura geral das novas gerações resume-se a filmes estupidificantes e séries televisivas alienadoras, com muita futilidade pelo meio e uma completa ausência de valores sociais de cidadania e respeito ao próximo.

Foto: Museu d'Orsay, Paris. Uma antiga gare ferroviária convertida em museu de arte.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

GAIOLAS

É assim que vivemos (amontoados, apinhados, engaiolados que nem animais amestrados que somos, prontos a saltar e guinchar à voz de comando) pois todo povo tem aquilo que merece. E enquanto um povo não perceber que tem de se erguer e construir o seu existir como ser humano digno desse nome... Haveremos de continuar a ser os saguins de diversão dos poderosos que engordam com a nossa seiva vital.

É tempo de o povo perceber que a vida está muito além de novelas e futebois.
Viver dignamente é muito mais que ter um carro à porta ou um novo modelo de telefone móvel 3G, 4G, 7G, ou o raio que te parta G!
Cada vez mais somos a sociedade da imbecilidade. Os objectivos de vida das massas populares resumem-se a poder de compra e capacidade de endividamento. Não nos importamos com o quão escravo seja o nosso trabalho desde que tenhamos o dinheiro para satisfazer as falsas necessidades que nos incutem nas nossas mentes pequeninas e viciadas.

Estamos em pleno século XXI!!! Há milhares de anos que tentamos desenvolver aquilo que chamamos de civilização humana. Mas cada vez é menos humana. Se isto é a civilização digna duma humanidade inteligente... não parece!

Uma sociedade é constituída por todos os seus membros e a civilização o resultado dos seus esforços por se aperfeiçoar. Tal é trabalho para ser feito de mote voluntário e participativo. Tem de ser o povo a sair da sua imbecilidade e exigir o seu lugar no esquema das coisas. Mas um lugar consciente e activo, de agente empenhado.

Basta de saltar quando nos assobiam!

Basta de ficar apodrecendo frente ao televisor com o sorriso idiota de quem não sabe pensar por si!

Se civilização é cultura e saber, vamos então para a rua procurar a vida e aprender o mundo em que ela se desenrola!

Estou farto desta mesmice imbecil de quem anda à toa e ao sabor de modas e interesses de mercado.

E ainda se admiram de vivermos amontoados em gaiolas?...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

COPA

Imaginem que na África do Sul estaria decorrendo o Encontro Mundial de Conhecimento e Cultura 2010.

O governo local teria construído vários grandes centros de ciência e cultura nas principais cidades. Havia erguido também grandes auditórios, onde agora se reuniam multidões para assistirem a seminários, palestras, recitais...

Pelos bares das cidades, em todo o país, gente oriunda de todo o globo se reunia em animadas tertúlias literárias, onde recitavam e apresentavam obras de autores das mais variadas origens e tradições.

Nas principais praças foram erguidos grandes palcos de imagem e som onde eram transmitidos os eventos que decorriam nos auditórios, para todos aqueles que não haviam conseguido entradas.

Por todo o mundo as cadeias de televisão faziam chegar a todos os lares as grandes conferências e...

Ok! Endoideci de vez! Podem chamar os paramédicos com o colete de força.

domingo, 30 de maio de 2010

O QUARTO


O tema para este post não é a nudez do jovem, não. Ela é colateral, embora também possa ser interpretada como simbólica.
À uns anos atrás, largos anos, este quarto estaria cheio de livros e LPs. Um jovem que buscasse cultura iria rechear as prateleiras do seu quarto com livros. Era aí que a minha geração e as que me antecederam, buscavam conhecimento e cultura. E os livros são óptimos estimulantes do raciocínio. Eles não mostram as cenas completas, estimulam a elaboração das imagens e a actividade mental.
Se olharmos bem para a foto poderemos perceber que o acumulado se reparte entre jogos de vídeo, CDs musicais e DVD de filmes (nem um único livro se vislumbra). Será cultura também, me dirão. Mas uma cultura diferente, direi eu. Uma cultura intelectualmente mais pobre, pois é uma cultura do imediato sem apelar ao pensamento e interiorização. A cultura padronizada de modelo Hollywood é oca de conteúdos e alienadora. É a apologia do imediato inconsequente. Não estimula o intelecto, não incentiva o raciocínio, não ensina a pensar.
Assim este triste jovem tem o seu quarto cheio de cultura, mas ele continua despido de Conhecimento.

domingo, 14 de março de 2010

PROFESSOR E ALUNO



Um dia um adolescente, de 12 anos, suicida-se por causa de bullying. Outro dia um professor vai parar ao hospital, de onde sai de muletas, vítima de violência física de um aluno de 13 anos, que em plena aula lhe atira com uma cadeira e a mochila. Sabe-se então que um mês antes outro professor se havia suicidado por já não suportar mais as injúrias e achincalhamento dos alunos numa turma problemática. E tudo isto em várias escolas de diferentes localidades portuguesas. Num dos países mais pacíficos e ordeiros da paradigmática civilizada Europa.

Mas que se passa? Algo vai mal no reino da educação! E isto não somente em Portugal! Por todo o mundo encontramos os mesmos sinais de rebelião e desrespeito pelas normas de conduta e civilidade que nos guiaram por milénios.

Os paradigmas caem de seus pés de barro. Os modelos rebelam-se e alternam. Os propósitos não são mais os mesmos. Todo o corpo social se revolve num preâmbulo de anarquia e caos. Afinal prefigura-se uma generalizada ruptura cultural, nas mais variadas tradições nacionais e regionais.

Mas não podemos ficar pela observação passiva da constatação do anunciado óbvio. É necessário que cada um faça a sua melhor parte! Está lançada a corrida ao design dos arquétipos do futuro. Que O Divino nos ajude! E inspire!!!