segunda-feira, 26 de setembro de 2016
UM EM TRÊS
domingo, 29 de abril de 2012
O ESTUPRO, O ESTUPRADOR E A VÍTIMA
Eu não tenho que pedir desculpa por estar vivo!
Eu, em criança, fui estuprado. Mesmo com consentimento, eu fui estuprado.
Fui seduzido, Fui provocado. Fui assediado. Fui forçado; mesmo que gentilmente, mas fui forçado. E fui admoestado a manter segredo por uma prática que eu sabia bem ser socialmente condenada e cujo conhecimento geral traria muito constrangimento para ambos. Em criança eu tive que conviver com um segredo atroz, que me atormentava, mas que a ninguém podia revelar em busca de amparo e apoio.
Aos 10 anos de idade, meus pais deixaram-me noutro continente, longe deles e das minhas irmãs, longe da nossa casa, do nosso lar. Deixaram-me ao encargo desse homem (na foto), que eles elegeram como meu tutor. Ele seria o meu guardião, o meu mentor, o meu protector... enfim seria o meu pai, desde então. Seria a pessoa em que eu deveria confiar e respeitar.
Mas ao invés disso ele se aproveitou da minha vulnerabilidade e isolamento, para me violentar; mesmo que gentilmente, através da sedução e persuasão, ele me violentava, cada vez que me estuprava. E isso durou anos. Toda a minha adolescência!
Para que tal perdurasse ele me impunha um regime de secretismo, que me levou - devido à minha tenra idade e à falta de apoio, por ter sido deixado desamparado pelos meus pais - à associação traumática e cruel de sexo com dor, vergonha e culpa.
Assim ele castrou o meu prazer, a minha felicidade e a minha paz interior. Ele castrou-me forçando-me ao constrangimento, à dor física - e moral - e ao silêncio.
Ele me encarcerou, até hoje, numa masmorra de expiação duma culpa que não é minha, dum crime que ele cometeu sobre a minha pessoa, a minha dignidade e a minha integridade. Uma culpa que é e sempre foi, apenas dele. Um crime da qual eu fui vítima e não cúmplice!
Eu fui a vítima e não ele! Eu sou quem merece remissão e não ele! Eu que quase perdi a minha vida para a dor e o sofrimento permanentes e não ele.
Eu é que mereço perdão!
Eu mereço viver livre e feliz! Eu mereço viver com honra , dignidade e orgulho!
Eu mereço ser Eu!
Eu mereço ser completo e viver completo! Eu mereço ser amado e dar amor! Eu mereço ser um homem completo!
Eu não tenho que pedir desculpa por viver! Eu tenho que me orgulhar de ter sobrevivido e lutado por mim, pela minha integridade, pela minha felicidade! Eu me orgulho de ter sabido viver com honra!
Eu orgulho-me de ser Eu!
Eu sou um homem completo!
Nota: Para esclarecer alguns comentadores e quem possa ficar na dúvida, este relato é verdadeiro e foi a minha vida.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
A BESTIALIDADE DUMA JUVENTUDE SEM FREIO
O incentivo da competitividade. A ausência de transmissão de valores e da importância deles para uma sociedade de sucesso (verdadeiro sucesso). A mais completa banalização dos impulsos primários, não explicados e controlados pelos que o deviam fazer: a família e o círculo social mais próximo da criança e do adolescente. O desinteresse de todo o sistema social e de estado pelo investimento numa verdadeira Educação. Vivemos agora na sociedade profetizada por Stanley Kubrick em "A Laranja Mecânica". Apertem os cintos e agarrem-se bem aos assentos pois a viagem vai ser cada vez mais dura!
Apresento-vos uma notícia da SIC sobre mais um triste caso de violência juvenil alardeada nas redes sociais. Peço a vossa atenção para todo o excerto aqui divulgado, pois o mais importante não são as imagens da agressão brutal de duas jovens para com uma colega, mas o debate, oportuno e esclarecedor, com uma pedopsiquiatra e um advogado, comentando o caso na sequência da notícia.
Muito esclarecedor o ponto de vista da pedopsiquiatra Ana de Vasconcelos, que nos brinda com um ponto de vista que foge dos padrões normais da condenação primária sem propostas de reabilitação.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
FOME LEGAL
Desordem e confusão em Maputo (01 de Setembro de 2010). O povo saiu à rua em protesto contra o aumento dos preços, o que leva a mais fome e dificuldade de sobrevivência para os mais pobres e desempregados que se amontoam nas periferias miseráveis da cidade ( como em todas as grandes cidades africanas).
Confrontos com a as cargas policiais resultaram em mortos (consta-se que seis, entre os quais duas crianças) e dezenas de feridos. Pneus incendiados nas ruas, estabelecimentos comerciais assaltados e vandalizados. A cidade parou e refugiou-se em casa. As vias de acesso ficaram bloqueadas e o sistema de transportes parado.
Agora receia-se que, a exemplo do que já aconteceu anteriormente, os protestos alastrem pelo resto do país.
Um cidadão lamenta-se: “Estávamos avisados de que isto ia acontecer... é pena que, como sempre, degenere em vandalismo...”. A Policia declarou que os protestos eram ilegais, pois nenhuma organização pediu a necessária autorização para se manifestar.
O governo moçambicano diz que o pais vive em democracia. Sim, já nos vamos habituando que nas democracias seja ilegal pedir melhores condições de vida. É ilegal que os pobres peçam que lhes saciem a fome. Só não é ilegal os abastados e detentores do poder esbanjarem indecentemente na maior das impunidades, engordando as contas bancárias com o pão que roubam da boca dos pobres.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
VENDO TV: NOTÍCIAS?!

Vivemos numa moderna versão da viciosa sociedade romana, aquando da sua fase mais decadente. A nova versão das infames arenas romanas são os noticiários televisivos.
Dos poucos tipos de programas a que assisto na TV, os noticiários são um deles. Porque procuro manter-me minimamente informado sobre o que vai pelo mundo, tenho que levar em cima com todo o tipo de notícia panfletária sobre violência e mais violência; de todos os tipos e para todos os gostos Um grotesco desfile de horrores.
Mas será que não haverá BOAS NOTÍCIAS por esse mundo fora? Haver há!... mas não vendem!
«O que o pessoal gosta mesmo é de sangue» respondia-me outro dia um amigo meu. E concordo com ele. Infelizmente instalou-se a cultura do voyeurismo sanguinolento. Quanto mais chocante melhor! Quanto mais horroroso melhor! A exposição abusiva e repetitiva até à exaustão das maiores perversidades e atrocidades. Como se um visionamento não fosse suficiente para informar.
Já todos sabemos que a televisão é o veículo educativo/formativo por excelência no nosso tempo presente. Creio que deveria haver por parte de TODOS um cuidado maior na responsabilização dos critérios de escolha dos conteúdos da programação televisiva. Podem-se manter critérios de livre informação sem se cair no exagero do intrusivo e abusivo.
Dizia o povo: «Junta-te aos bons e serás como eles, junta-te aos maus e serás pior que eles.»

