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terça-feira, 14 de setembro de 2010

A CAMINHADA

Tentamos compreender o mundo. Mas que compreendemos de nós mesmos? Que sabemos de nós mesmos? Que sabemos nós da nossa condição, ou do nosso fado? Ou será presunção humana achar que temos um desígnio superior a cumprir?

Caminhamos. Tentamos que as nossas veredas sejam o mais rectas possível. Nem reparamos que em volta a natureza é bem sinuosa e inesperada.

Acreditamos caminhar numa floresta de gente, mas na verdade caminhamos sozinhos, desde o berço até à morte. Cada um por sua conta. E quantos se reconhecerão a si próprios no final? Quantos conseguirão desenhar o rosto da sua alma nas areias da praia dos náufragos?

E sempre a Grande-Mãe estende os seus braços em redor.


Nota: Porque sou virginiano e estou atravessando o limbo de mais um cíclo. O dia exacto não o direi. Bem hajam todos os que vierem por bem!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ALFABETISMO

Analfabetismo funcional

As estatísticas que vemos nos órgãos de informação sobre alfabetização nos mais variados contextos não são de todo correctos, pois não basta somente ter frequentado uma escola e reconhecer as letras e números, assim como ler algumas palavras (ou mesmo um texto) e fazer contas, para se ser considerado alfabetizado. Quando órgãos oficiais de certos países publicam números referentes à alfabetização nos seus territórios, os mais de 90% indicados (baseados nas estatísticas de frequência escolar) não correspondem de modo nenhum à literacia dos seus cidadãos, pois a maioria desses 90% são analfabetos funcionais.

O analfabetismo funcional é muito mais comum do que as estatísticas de alfabetização indicam. Para se ser considerado alfabetizado o indivíduo tem de ser capaz de compreender um texto, assim como utilizar a leitura e a escrita em funções do quotidiano, além de saber fazer mais cálculos e operações matemáticas que simples contas de somar e diminuir. Não, não é necessário ser doutor ou engenheiro para ser considerado alfabetizado. É preciso saber LER e PENSAR.

Quantos daqueles que têm a escolaridade mínima e até mais que essa, sabem elaborar o texto duma simples redacção? Quantos sabem pegar no folheto informativo dum novo aparelho, ou electro-doméstico, que tenham adquirido e entender as instruções? Quando alguém (com escolaridade) pede a outro que lhe explique como funciona algo, quando ele próprio está na posse do folheto de instruções, é porque é um analfabeto funcional.

É por demais comum a presença de analfabetos funcionais nas empresas e em todo o mercado de trabalho (e não apenas nos escalões inferiores das hierarquias), o que diminui em muito o seu rendimento e desenvolvimento humano e profissional. Não é por ter frequentado uma escola que se fica mais habilitado. O aprendizado é um acto contínuo e que requer uma atenção permanente.

A dobragem (dublagem, br) de filmes (tanto na TV como nas salas de cinema), reportagens e programas televisivos de origem estrangeira é um incentivo ao analfabetismo funcional. A desabituação de ler cria desabituação de pensar e raciocinar. E não basta ler os títulos e algumas linhas de jornais e revistas de mundanidades. Ler implica pegar num livro, ou mesmo num texto que seja e entender tudo o que lá vem escrito e sugerido. Ler implica interpretar, analisar e explicar o que nos é apresentado.

Em termos de cultura e conhecimento o caminho não é o facilitar. É o instigar.

MAPA DE ALFABETIZAÇÃO
(clicar sobre a imagem para ampliar)

domingo, 30 de maio de 2010

O QUARTO


O tema para este post não é a nudez do jovem, não. Ela é colateral, embora também possa ser interpretada como simbólica.
À uns anos atrás, largos anos, este quarto estaria cheio de livros e LPs. Um jovem que buscasse cultura iria rechear as prateleiras do seu quarto com livros. Era aí que a minha geração e as que me antecederam, buscavam conhecimento e cultura. E os livros são óptimos estimulantes do raciocínio. Eles não mostram as cenas completas, estimulam a elaboração das imagens e a actividade mental.
Se olharmos bem para a foto poderemos perceber que o acumulado se reparte entre jogos de vídeo, CDs musicais e DVD de filmes (nem um único livro se vislumbra). Será cultura também, me dirão. Mas uma cultura diferente, direi eu. Uma cultura intelectualmente mais pobre, pois é uma cultura do imediato sem apelar ao pensamento e interiorização. A cultura padronizada de modelo Hollywood é oca de conteúdos e alienadora. É a apologia do imediato inconsequente. Não estimula o intelecto, não incentiva o raciocínio, não ensina a pensar.
Assim este triste jovem tem o seu quarto cheio de cultura, mas ele continua despido de Conhecimento.