quarta-feira, 5 de outubro de 2016
NUVEM DE VAPOR
sábado, 1 de outubro de 2016
GANHARÁS O PÃO
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
DESUMANIZAR
terça-feira, 3 de abril de 2012
POEMA POSSÍVEL

domingo, 10 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
TEMPOS MODERNOS
Certa vez li num periódico um comentário dum leitor anónimo que dizia: “ Os governos fazem campanhas afirmando que o tabaco mata, as drogas recreativas matam, que o álcool mata, mas ainda não vi nenhuma campanha afirmando que trabalhar que nem uma besta mata”. As premissas podem não ser as mais convenientes, mas não deixa a réplica de chamar a atenção para uma questão fundamental da existência humana no mundo urbano actual.
O sistema laboral da nossa civilização é desumano, tal como a ideologia que lhe deu forma e propósito. A forma é o esclavagismo assalariado e o propósito é a subjugação completa ao sistema capitalista que o criou: o enriquecimento incondicional para a manutenção do poder pelo poder.
Mas a expressão fulcral na afirmação do leitor anónimo é: “Trabalhar que nem uma besta mata!” Mata porque somos (cada um de nós) um todo complexo e respondendo dum modo orgânico a todos os estímulos a que somos sujeitos.
O sistema pendular de vida (casa/trabalho trabalho/casa) que temos não é natural. Mais ainda quando coreografado com o recurso a todos os incómodos duma existência urbana.
Morar a mais de três horas (no total de ida e regresso) do local de trabalho é um absurdo atentado à saudável sobrevivência de qualquer ser. Tempo esse gasto em transportes colectivos apinhados de gente angustiada e circulando com toda a dificuldade inerente a cidades povoadas muito além do conveniente.
O longo período de trabalho , que consome as melhores horas do dia, em desfavor de outras actividades fundamentais como o convívio familiar, social e o ócio direccionado ao desenvolvimento pessoal, é um brutal atentado ao desenvolvimento do indivíduo e uma condenação malévola do nosso propósito maior de vida: evoluir.
A sugestão condicionadora de que o propósito de vida está na aquisição de bens supérfluos e que para tal há necessidade de trabalhar desalmadamente para os adquirir (num ciclo perverso de produção/consumo com o único fito de satisfação dos ideais de ganância dos dominadores) é aviltante.
Manter trabalhadores ocupados num horário de trabalho extenso quando milhares de outros se encontram desempregados e com carências, tanto eles como as suas famílias, apenas para manter os absurdamente elevados níveis de lucro da classe empregadora e assim sustentar o seu poderio e domínio, é no mínimo perverso.
Trabalhar excessivamente e em más condições não é saudável (e o que não é saudável é pernicioso), pois origina toda uma série de mal-estares de origem orgânica e mental, que estão na origem de todos os distúrbios físicos e mentais que assolam a quase totalidade da população contemporânea.
Temos de deixar de ser máquinas ao serviço das classes dominantes, para passarmos a ser seres humanos.
Agostinho da Silva defendia que o futuro da humanidade estava na civilização do ócio. Entendam isso como quiserem.
terça-feira, 6 de julho de 2010
A FALSA QUESTÃO - EDUCAÇÃO
Na foto: "A Escola De Platão" de Jean Delville
“Quanto custa?” é a falsa questão. Válido é questionar “Pode ser feito?”.
“Quanto custa?” é uma questão de índole capitalista que revela o pensamento burguês sobre propriedade e lucro.
A evolução da Humanidade não tem preço.
A economia tem de estar ao serviço da humanidade e não ao serviço do seu próprio sucesso. A humanidade não tem de ser escrava da economia.
O discurso de que o desenvolvimento humano depende do sucesso económico é uma falácia capitalista com o único objectivo de escravizar todos a um sistema perverso de valores desiguais.
A grande revolução será focalizar o objectivo do esforço humano na formação ética e espiritual da humanidade. Educar verdadeiramente. Educar para a igualdade e a harmonia. Uma verdadeira fraternidade humana universal.
Parece este ser um discurso religioso?! E não será a religiosidade um sentimento intrinsecamente humano? O espírito religioso sempre esteve presente na história da humanidade e do seu desenvolvimento; mesmo os seus movimentos ateus assumem contornos dum missionarismo febril.
Não pode haver verdadeira elevação de consciência sem educação nem aprimoramento ético e espiritual. Para se construir um mundo mais justo tem de se começar por reformular todo o espírito educacional; mudar o foco da educação para uma verdadeira formação humana. O actual modelo educacional apenas serve os interesses economicistas do sistema capitalista. O ensino tem de voltar a se focalizar na formação literária como seu núcleo base e partir para a formação científica numa fase secundária. Que se parta duma ideia alcuiniana de trivium (gramática, lógica e retórica) e quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música) para a criação dum modelo de nova escola, com ênfase nos valores humanos individuais e humanistas.
Poderá parecer uma proposta retrógrada de modelo de ensino, por vir observar modelos medievais de estruturação universitária, mas por vezes é olhando atrás que se aprende a escolher o caminho em frente.
A questão não é “Quanto custa revolucionar o ensino?” mas sim “Pode ser feito?”. E a resposta é “Pode, temos todas as condições humanas, materiais e técnicas para o fazer.”
segunda-feira, 28 de junho de 2010
GAIOLAS
É assim que vivemos (amontoados, apinhados, engaiolados que nem animais amestrados que somos, prontos a saltar e guinchar à voz de comando) pois todo povo tem aquilo que merece. E enquanto um povo não perceber que tem de se erguer e construir o seu existir como ser humano digno desse nome... Haveremos de continuar a ser os saguins de diversão dos poderosos que engordam com a nossa seiva vital.



