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domingo, 23 de outubro de 2016

ENGRENAGEM


O nosso mundo é uma engrenagem de consumo. Tudo na nossa presente civilização gira em torno do binário produção/consumo. Criam a ideia duma sociedade pró-hedonista mas tal não passa duma imensa falácia. Somos moldados e formados para encaixarmos num lugar da cadeia produtiva como escravos domesticados. Progressivamente perdemos o livre-arbítrio e a vontade-própria. É-nos negada a auto-determinação e o nosso querer tem de corresponder ao estipulado na lei e nas regras do jogo da grande-empresa em que se tornou o mundo. 
Fomos absorvidos pelo grande sistema-económico, que a todos devora e trucida desde a mais tenra idade. A auto-expressão é negada. O que se vê por aí são comportamentos de macaco-de-imitação a que se convencionou chamar de moda, ou mais elitistamente de “fashion”. Contribuindo esses comportamentos padronizados para aumentar os índices de produção/consumo e dando prosseguimento à alienação continuada das gentes que se iludem achando ser felicidade o que não passa dum mero prazer supérfluo e momentâneo.



Nota: Imagens recolhidas na internet com o Google

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

NUVEM DE VAPOR



O mundo contemporâneo chegou de enxurrada numa grande nuvem de vapor. A revolução industrial. Uma catadupa de descobertas e avanços tecnológicos passaram a fazer parte do nosso quotidiano e agora também a electrónica e a informática são banais na nossa rotina diária em todas as nossas actividades. A ciência evoluiu admiravelmente. E a humanidade? Mais de 380 milhões de crianças vivem abaixo do nível de pobreza.

domingo, 8 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

ESTE MUNDO

Mulher com 106 anos em Tegh, Arménia, guarda a sua casa de metralhadora em punho.
Eu não sei viver neste mundo!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O NOSSO MUNDO

É este o nosso mundo.
E desde que as nossas vidinhas corram bem e a nosso favor... tudo o resto que se dane!

Oh, sim! Campanhas de sensibilização e consciencialização. Venham elas! Assistimos a todas e depois... ah, que se dane! Mudar para quê? Os outros não mudam mesmo, para que me hei-de preocupar eu?
É mais fácil culpar tudo e todos. É mais fácil apontar o dedo. É mais fácil ficar engolindo futilidades na TV e engordando com umas pizzas e refrigerantes distribuídos ao domicílio.

E não esqueçam: AMANHÃ HÁ FUTEBOL NA TV!!!

É preparar as pipocas!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O MEU LUGAR

Eu não pertenço aqui!

Não é meu um mundo em que os pais instruem e acicatam os filhos, ainda crianças, para se matarem por um fanático ideal pseudo-religioso.

Não é meu um mundo onde uns ostentam uma obscena riqueza, indiferentes à fome que mina a vida dos seus vizinhos.

Não é meu um mundo em que se age indiferente às consequências dos seus actos, apenas porque cada um se acha senhor da razão.

Não é meu um mundo em que os mais carecidos são olhados com indiferença e desprezo, sendo tidos como empecilho para o resto da sociedade.

Não é meu um mundo em que todos preguiçosamente esperam que o Estado faça tudo, mas depois pretendem limitar a acção do Estado.

Não é meu um mundo em que todos tentam ludibriar a lei, mas exigem que os outros sejam punidos por não cumprirem a lei.

Não é meu um mundo onde os valores materiais estejam acima da ética. E onde todos se escravizem para sustentar um consumismo doentio e irracional.

Não é meu um mundo onde uma moral duvidosa esteja acima da felicidade do indivíduo.

O meu mundo é outro.

O meu mundo não tem fronteiras, nem limites.

O meu mundo não tem proibições, nem abusos.

O meu mundo não tem os uns e os outros.

O meu mundo tem Amor e Bonomia.

O meu mundo não tem forma neste mundo. Ele fica Além...

domingo, 31 de agosto de 2008

DOMINGO

Acordar tardio; já no início da tarde.

Habitual fastio de tudo; de comida, de tarefas, de entertenimentos, ..., de tudo.
O Sol alto e descoberto de Verão, era um ferrete impiedoso e torturante.

Primeiro o deambular pela casa, procurando nada. Depois o sentar na borda da cama, queixo apoiado nas palmas das mãos em concha e os cotovelos assentes no joelhos. O olhar fitando a parede vazia em frente.

O tempo continua no arrastar dos ponteiros dos relógios. A vida prossegue sem nossa intervenção. Sabemos que lá fora o mundo existe nos seus vários ritmos e funções. A minha função; a de me manter vivo.

Ligo o macbook e dedico-me a organizar ficheiros de música. Os meus queridos ficheiros musicais. O oxigénio que me mantém vivo e desperto; o sangue arterial que me dá ânimo para continuar. O Manto de Arminho, que me resguarda da vida gélida minha madrasta.

Um convite arreda-me do meu refúgio: vamos ao supermercado! Depois do sol escaldante da tarde estival, está frio lá dentro. Andamos para trás e diante, entre filas de expositores de mercearias. Os olhares alheios atingem-me; encolho-me atrás dos meus óculos escuros. Impaciento-me por sair dali.

De regresso ao lar, o arrumar das compras e o preparar lesto para uma surtida ao cinema.

No automóvel encolho-me no assento traseiro, escudado pelos meus óculos escuros e os auscultadores onde se desfiam as notas do meu encantamento. A paisagem desfila lá fora, espiada através dos vidros; aglomerados urbanos, seguidos de aglomerados urbanos, alguns intervalados de baldios.
Tentamos entrever entre os transeuntos algum exemplar que nos dê alguma sensação de deleite fugaz. O mesmo se repetindo no centro comercial, o destino da nossa curta viagem.

O comprar os bilhetes para a sessão de cinema, antes que esgote. O deambular pelos corredores amplos, ladeados de lojas. O entrar numa ou outra para apreciar alguns artigos de interesse, ou mesmo até para comprar.

Hora de jantar. A escolha do restaurante; fast food. Abstenho-me de fazer sugestões e aceito a decisão alheia. É-me indiferente o tipo de comida; serve apenas para nutrir o corpo e mantê-lo vivo.

À saída do filme encontro um velho amigo-colega de escola. Conversa de circunstância e uma tentativa de evitar alongar-me em detalhes sobre a minha presente inexistência. Curto o encontro, rápidas as despedidas. A caminho do automóvel para regressarmos a casa, sou assolado pela inevitável avalanche de memórias duma juventude já muito longínqua no tempo.

Ao sair do imenso edifício... o doce encontro com o negro ar da noite. Cúmplice tranquilidade.

Regressados a casa, pude então retirar os resguardos e baixar a guarda.
O ataque foi fulminante! Verguei-me sob o peso devastador de mais uma crise de ansiedade. Prostrado, fustigado por tremores convulsivos, chorei. Porquê? Não tem resposta.

Minutos depois, cansado, procurava recuperar uma normalidade exterior, suficientemente tranquilizadora para os que partilham do meu quotidiano.