Cansado... Cansado de lutar contra mim. Contra as fobias que me dominam e reduzem a minha vontade a uma expressão insignificante de... Cansado de ser sempre tarde... de ter chegado depois... de ter arrancado antes... sem destino reconhecido... Porque o meu tempo é mais lento - muito mais lento - que o tempo universal (o tempo de todos). E quando eu exprimo o gesto... já o momento se foi.
Cansado de ficar sempre à porta. Retido pelo umbral. Sem conseguir encetar um passo que seja, para onde quer que queira ir... ou mesmo não ir.
Cansado de tanta solidão, sem conseguir ficar só. Libertadoramente só!
Cansado de não ser escutado e ser mal-interpretado. Cansado de ser ignorando com perigoso descuido.
Cansado de lutar contra uma ânsia de terminus, que muitos (muitos de muitos, de vós, quase todos) poderão achar pateticamente trágica, mas que para muitos outros se torna terrivelmente real. E, depois de saciada, irremediavelmente definitiva.
Cansado de esperar sem esperança, por saber que só posso contar com algo tão básico como o mais primitivo instinto de sobrevivência. Já que as razões da razão aos humanos não assistem, nos tempos sem tempo em que todos se lançam alienadamente. Cegos!
Porque a depressão é um cansaço contínuo.
A depressão é uma doença, que exige tratamento psicológico e farmacológico.
A depressão não é um enfado momentâneo, que se resolve indo dar uma volta pela marginal (como já um agente médico teve o desplante de se referir ao meu problema de saúde).
A depressão ainda é um tabu, que poucos querem reconhecer como epidemia na nossa sociedade actual.
A depressão ainda é vista como preguiça; um dos sete pecados mortais, estigmatizados pela moral religiosa.