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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ULTRA-DIMENSÃO

Dreamland - Above Than Clouds by Anuk

Hoje tenho ganas de estourar num grande AHHHHHHHHH!!!!!!!!.............

Ao procurar imagens para escrever um outro texto encontrei essa acima, que me lembrei de compartilhar convosco. Tão girinha (fofinha, br), né? Trouxe a imagem daqui.

O vídeo dos Van der Graaf Generator (bem do início, 1970) pode não retratar a imagem, mas retrata o meu estado de espírito presente.

Bem vindos à escuridão da alma! "Darkness"


Nota: clicar sobre a imagem para a observar em formato grande.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

FAZENDO BONITO


Haas e Hahn

Dois holandeses sonharam trazer arte e beleza às favelas do Rio de Janeiro.



Afinal, é possível fazer bonito e viver com mais qualidade.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O BÉ

Stillness

Poderia começar este texto de tantas maneiras... Poderia ter-lhe dado tantos títulos...

Venho falar do passado. São 4.30h da madrugada e acordei dum sonho em que estava no parque do Barreiro (cidade onde vivi a maior parte da minha vida) com amigos, uns que me acompanham ainda deste lado da vida e outros que já partiram para a outra margem. Venho falar de saudade... Da saudade do tempo em que fotografava e organizava exposições como o resultado do meu trabalho artístico. Trabalho a que devotava todo a minha criatividade, assim como todo o meu dinheiro, que deveria guardar para comer e vestir... mas eu insistia em dizer que queria viver para a Arte e da Arte. Vivi para a Arte, mas ela nunca me retribuiu com o sustento material. Esse sempre ficou ao encargo dos meus amigos e familiares. Sucesso?! Sim, tinha-o! Sucesso e reconhecimento, tanto público como artístico. Os convites para novas exposições repetiam-se sempre.

Um dia deixei de fotografar. Perguntaram-me porquê. Respondi que já havia feito aquilo que me tinha proposto fazer. Já havia mostrado aquilo que me tinha proposto mostrar. A partir daí seria repetir-me. Mas deixara sementes... Algumas floresceram no trabalho do meu primo Ramarago, que preferiu trocar a sua juventude por infindáveis tardes dactilografando (na época ainda não haviam computadores pessoais) os meus poemas e outros escritos também meus, assim como observando à minúcia os meus trabalhos plásticos.

Sempre quis fotografar a luz; e era a isso que me dedicava, mesmo quando passei a fotografar modelos humanos. Muito do meu trabalho fotográfico era abstracto, para que os olhos não se prendessem no imediato da forma reconhecida, levando a que a mente de quem olhava divagasse por ideias e emoções em busca dum sentido para aquilo que se apresentava perante si. Os títulos eram sempre sugestivos para mais caminhos de fuga e contemplação, que sugeriam ainda mais leituras e quase sempre debates com aqueles que me procuravam para, através dessas conversas, fazerem algo que muitos deles nunca lhes teria passado pela cabeça: discutir Arte. Pois muito do meu público era gente comum que “nada entendia de Arte”, como eles próprios diziam. Mas a Arte é para todos e não para os entendidos. A arte que é feita para os entendidos não é Arte: é snobismo!

Esta foto que hoje apresento e me sugeriu este texto/confissão é a expressão suprema do que quis fazer com a fotografia. Costumo referir-me a ela como a “minha Gioconda”. Chamei-lhe “Stillness” (uma palavra inglesa) por não ter encontrado no riquíssimo vocabulário português uma palavra que melhor exprimisse aquilo que a foto transmite. Também lhe poderia chamar de “Drág” em Djeyvox (minhas amigas Mari e Hürrem, o que vedes na expressão do menino/modelo é aquilo que outro dia eu vos tentava explicar), mas tal seria para vós o mesmo que chamar “sem título”. E porque esta foto é tão importante assim, para que eu veja nela a síntese de todo o meu trabalho em fotografia?

A luz. A luz suave, embora passando por vários cambiantes de intensidade, é o que liga todos os elementos plásticos e emocionais da foto. Ela é mais intensa no alto e sombria na base, sendo macia no rosto do modelo. A expressão tranquila do menino, que parece adormecer encostando a cabeça ao muro, mas com um leve sorriso que oscila entre uma branda felicidade meditativa e a malandrice duma criança que se prepara para fazer uma traquinice; essa expressão contrasta com o esforço das mãos que se fecham em punho contra o muro. Mas tudo isso flui com uma tranquilidade angelical.

Convido-vos a que continuem apreciando e analisando a foto a vosso bel-prazer, tirando as ilações que mais vos aprouver. Se o fizerdes será o melhor elogio que me podereis prestar.

O menino/modelo é o Bé. Tinha então uns 10 anos (foi à uns 20 ou 25 anos). Adorava ir para minha casa nas férias da escola, e passava tardes falando comigo e deixando-se fotografar, com uma paciência infinita e uma plasticidade expressiva dum modelo profissional. A essa plasticidade se deve o sucesso desta foto, pois não pensem que foi um instantâneo de sorte, em que casualmente apanhei um momento feliz e o prendi para a eternidade. Nada disso! Tudo que vêm na foto foi meticulosamente trabalhado e montado; com muito de “faz assim...”, “não tanto!”, “mais!”, “menos!”, “força!”, “suavidade!”, “sorri!”, “só sorriso, não é riso!”, estás muito tenso!”, “inclina mais um pouco...”, “não tanto!” e por fim o “está bom!” era dado pelo clique do obturador.

Um instante feito de muitos minutos de trabalho paciente e dedicado.