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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

CELA 3 POR 4


Saudade
Saudade do silêncio. Saudade da paz.
Saudade do escuro. Saudade da luz. Saudade da Luz.
Saudade duma mesa, a minha mesa, para escrever, para desenhar, para pintar. Saudade duma cadeira, a minha cadeira, para me sentar e sonhar. Saudade dum quarto, o meu quarto, onde me refugiar e repousar. Saudade dum canto para apenas ficar escutando música.
Saudade duma refeição confeccionada com gosto e amor. Saudade de alimentar o corpo e a alma.
Saudade de circular livremente pela casa. E me sentar na sala, assistindo TV. E me sentar na mesa, almoçando tranquilo. E de acordar pela manhã sendo saudado com sorrisos e não com resmungos e antipatia.
Saudade de quando habitava um lar, que era mesmo um lar. O meu lar. Com ou sem família, mas um lar, onde eu podia circular livremente e com alegria.
Saudade duma casa onde eu me refugiava e não uma casa de onde eu fujo para me refugiar.
Saudade da liberdade. Saudade da tranquilidade. Saudade da felicidade.
Saudade da solidão.


Nota: esta publicação é sequente à publicação de hoje, "3 POR 4" no meu outro blog "Eu Cuspi na Cruz"

Dedicatória: à minha sogra, que sabe, como mais ninguém, fazer do meu quotidiano um verdadeiro inferno.

terça-feira, 19 de abril de 2011

sábado, 22 de maio de 2010

CÂNTICO A UMA VOZ SÓ


A solidão não existe! Assim como a felicidade também não. O que existe é o isolamento, a segregação, o abandono.

Sentado no vazio do meu canto olho o mundo lá fora. E tudo está tão longe. Tudo se apresenta inanimado, sem fulgor, sem interesse.

Sou um, sou dois, somos muitos, num mundo que não foi feito por nós nem para nós.

Eu quero viver. Quero sair lá fora e encontrar sorrisos e paz. Mas como, se a guerra começa em mim?

Eu quero construir um dia de Sol. Quero uma chuva revitalizadora molhando a cidade e os jardins. Quero escutar uma canção de alegria. E dançar ao vento.

Eu quero plantar uma flor e vê-la florir no teu sorriso. Muitas flores. Prados delas.

Quero ter asas e voar por aí. Quero viver livre! Lá fora, no mundo!



sábado, 27 de fevereiro de 2010

INVERNIA

O vazio resvalando pela indiferença dum mundo apático... sonâmbulo!

Tudo conta abaixo do Sol. Porque procurar diferenças, onde a vida é uma constante universal?

Quem parte? Quem fica? Quem está... Quem foi... Quem não merece, ou quem... quem... quem chora, quem ri...
As fugas e retenções, as meias verdades e os pretextos. A via que se escolhe e a conveniência... de quem?

A vertigem do salto para um abismo repleto. A paisagem magoa a alma sofrida. A redenção mora oculta nas pregas dum quotidiano secretamente íntimo. ...Dissimulado.


Amanhã será um dia melhor!