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terça-feira, 29 de maio de 2012

BARREIRO

Vista aérea do concelho do Barreiro

Barreiro, na margem Sul do estuário do Tejo, frente a Lisboa. Onde eu vivi durante 41 anos. 

O município do Barreiro estende-se por toda a área inferior da imagem. A cidade propriamente dita é o aglomerado no canto esquerdo, junto ao rio. Logo ao lado, no canto direito da mesma margem, fica a vila de Lavradio, onde também morei, com a minha querida São. No canto inferior esquerdo pode ver-se parte da Mata da Machada, que se estende até à vila de Coina (fora da imagem), limite Sul do município.

No topo da imagem, acima do rio Tejo, estende-se Lisboa, onde eu trabalhava.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

CELA 3 POR 4


Saudade
Saudade do silêncio. Saudade da paz.
Saudade do escuro. Saudade da luz. Saudade da Luz.
Saudade duma mesa, a minha mesa, para escrever, para desenhar, para pintar. Saudade duma cadeira, a minha cadeira, para me sentar e sonhar. Saudade dum quarto, o meu quarto, onde me refugiar e repousar. Saudade dum canto para apenas ficar escutando música.
Saudade duma refeição confeccionada com gosto e amor. Saudade de alimentar o corpo e a alma.
Saudade de circular livremente pela casa. E me sentar na sala, assistindo TV. E me sentar na mesa, almoçando tranquilo. E de acordar pela manhã sendo saudado com sorrisos e não com resmungos e antipatia.
Saudade de quando habitava um lar, que era mesmo um lar. O meu lar. Com ou sem família, mas um lar, onde eu podia circular livremente e com alegria.
Saudade duma casa onde eu me refugiava e não uma casa de onde eu fujo para me refugiar.
Saudade da liberdade. Saudade da tranquilidade. Saudade da felicidade.
Saudade da solidão.


Nota: esta publicação é sequente à publicação de hoje, "3 POR 4" no meu outro blog "Eu Cuspi na Cruz"

Dedicatória: à minha sogra, que sabe, como mais ninguém, fazer do meu quotidiano um verdadeiro inferno.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

NOSTALGIA (DOM FERNANDO II E GLÓRIA)

Quando cheguei a Portugal, pelos idos de 1968, havia uma carcaça arruinada encalhada em frente das instalações militares da Base Naval do Alfeite. Sempre que atravessava o rio, para ir ou voltar de Lisboa, eu me posicionava no barco de modo a poder olhar os restos daquela ruína histórica.

A nau Dom Fernando II e Glória foi o último navio de guerra totalmente à vela da Marinha Portuguesa. Uma fragata construída nos estaleiros navais de Damão (Índia Portuguesa) com madeira de teca e lançada ao mar em Outubro de 1843.

O seu nome é uma homenagem ao Casal Real Dom Fernando II (Rei-Consorte) e Dona Maria da Glória (Rainha Dª Maria II).

Depois de quase cem anos ao serviço da marinha, a D. Fernando e Glória foi desmobilizada e convertida em casa de recolhimento da Obra Social da Fragata D. Fernando, uma instituição social vocacionada a albergar e dar instrução e treino de marinharia a rapazes oriundos de famílias pobres.

Em 1963 um grande incêndio destruiu grande parte do navio, que arruinado foi arrastado ao seu sepulcro, onde o fui encontrar.



Em 1992 iniciou-se a reconstrução da D. Fernando e Glória, que duraria até 1997. Foram utilizadas 1200 toneladas de madeiras nobres de carvalho, azinho e cambala africana, dada a grande dificuldade de arranjar tão grande quantidade de madeira de teca. Depois do devastador incêndio e de 30 anos apodrecendo nos lodos do estuário do Tejo, 20% do travejamento que suporta a D. Fernando e Glória reconstruída ainda são as originais de teca de Nagar-Aveli, do século XIX.

Em 1998 visitei a ressuscitada Dom Fernando II e Glória na Expo98 de Lisboa. Foi como viver um sonho, o estar dentro dum navio que tanto me fez sonhar em criança, quando não passava duma carcaça apodrecida nas lamas e marés do estuário.

Nota: fotos recolhidas na internet.