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sexta-feira, 15 de julho de 2011

NOSTALGIA (DOM FERNANDO II E GLÓRIA)

Quando cheguei a Portugal, pelos idos de 1968, havia uma carcaça arruinada encalhada em frente das instalações militares da Base Naval do Alfeite. Sempre que atravessava o rio, para ir ou voltar de Lisboa, eu me posicionava no barco de modo a poder olhar os restos daquela ruína histórica.

A nau Dom Fernando II e Glória foi o último navio de guerra totalmente à vela da Marinha Portuguesa. Uma fragata construída nos estaleiros navais de Damão (Índia Portuguesa) com madeira de teca e lançada ao mar em Outubro de 1843.

O seu nome é uma homenagem ao Casal Real Dom Fernando II (Rei-Consorte) e Dona Maria da Glória (Rainha Dª Maria II).

Depois de quase cem anos ao serviço da marinha, a D. Fernando e Glória foi desmobilizada e convertida em casa de recolhimento da Obra Social da Fragata D. Fernando, uma instituição social vocacionada a albergar e dar instrução e treino de marinharia a rapazes oriundos de famílias pobres.

Em 1963 um grande incêndio destruiu grande parte do navio, que arruinado foi arrastado ao seu sepulcro, onde o fui encontrar.



Em 1992 iniciou-se a reconstrução da D. Fernando e Glória, que duraria até 1997. Foram utilizadas 1200 toneladas de madeiras nobres de carvalho, azinho e cambala africana, dada a grande dificuldade de arranjar tão grande quantidade de madeira de teca. Depois do devastador incêndio e de 30 anos apodrecendo nos lodos do estuário do Tejo, 20% do travejamento que suporta a D. Fernando e Glória reconstruída ainda são as originais de teca de Nagar-Aveli, do século XIX.

Em 1998 visitei a ressuscitada Dom Fernando II e Glória na Expo98 de Lisboa. Foi como viver um sonho, o estar dentro dum navio que tanto me fez sonhar em criança, quando não passava duma carcaça apodrecida nas lamas e marés do estuário.

Nota: fotos recolhidas na internet.