Mostrar mensagens com a etiqueta hábitos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta hábitos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

FLASHES DE ELEIÇÕES NUM PAÍS EM GUERRA?


Flashes de eleições num pais em guerra?
O reino do caos. Atentados à bomba ou a tiro, contra candidatos eleitorais. Políticos em campanha mortos à bala em surtidas criminosas. Dir-se-ia um pais em guerra. Talvez seja uma nação em guerra consigo própria, com o seu descaso, com o seu comodismo, com a sua indiferença. Pobre povo tolhido nos seus vícios e hábitos descuidados.
No meio da confusão o anúncio da descoberta de doações milionárias a partidos e políticos para as suas campanhas, por parte de desempregados e beneficiários de bolsa família (exactamente os mais pobres e desabonados da sociedade. Alguém está a querer enganar alguém... Ninguém acredita que eles tenham doado tais verbas, mas que malfeitores tenham usado os seus nomes e registos para encobrir doações ilegais.

Assim prossegue o gigante aos tombos e tropeções, na busca dum futuro e dum mundo melhor.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

MEU AMOR

Antigo Mercado Modelo do Derby, Recife


Entrei no mercado e logo fui envolvido pela mistura de aromas, cores e burburinho. Gente movendo-se para cá e para lá, atarefada.

A manhã estava quente. Lá fora o sol abatia-se ferozmente sobre tudo que se expusesse na rua apinhada de gente, veículos motorizados de toda espécie e barracas de venda oferecendo toda a variedade de produtos. O cheiro de fruta podre, acumulada na berma da rua, misturado ao de urina, vindo dos becos transversais, impregnava o ar, sufocante de quente, com um odor nojento e insalubre. Mas a populaça apressava-se indiferente; comprando, regateando e apressando-se indiferentemente.

Aliviado por conseguir fugir do inferno da rua, alegrei-me por ver que na primeira banca havia o que procurava. Dirigi-me com simpatia ao vendedor do outro lado do balcão, um jovem aparentando uns 30 anos com bom aspecto.

- Bom dia, meu querido! – saudou-me ele com simpatia, atirando-me um largo e animado sorriso. Eu vacilei, embaraçado com a intimidade, mas sem perder a cordialidade.

Eu indaguei sobre a mercadoria que pretendia e os preços. Ele sempre me respondia com alegria e a mesma intimidade cúmplice de “meu amor”, “meu lindo”,  “meu querido”. Os seus olhos brilhavam de simpatia e o meu amor-próprio coruscava, lustrado pelos seus epítetos sedutores. Claro que eu não iria deixar de comprar o que quer que ele me quisesse vender.

Depressa o espanto se diluiu perante a realidade. Afinal eu estava noutro continente, entre as gentes dum outro povo, com hábitos e posturas bem diferentes daquelas com que toda a vida convivera. Logo percebi que seria muito mais fácil viver sendo apaparicado, mesmo que verbalmente, por quem se cruzasse no meu caminho.

E foi com um tímido “Tchau, meu querido!” que arrisquei meu primeiro envolvimento com esse à vontade no trato, que tão bem me sabe ao ego e amor-próprio.