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sábado, 24 de setembro de 2016

CAI, NÃO FICA NADA


Mandado de prisão para Guido Mantega.
“Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai o rei de paus, cai não fica nada” são os versos que me ocorrem com todo este suceder de denúncias e acusações. Cai o Dirceu, cai a Dilma, cai o Lula, cai o Mantega e o PT estrebucha para não cair também. A nação atónita assiste ao desfile de revelações como a uma parada surreal de vis trapaceiros. A pandilha estava toda unida no estratagema. Um novelo sem fim e a cada nó desatado mais uma revoada deles caindo na rede. É chocante. Escandaloso. Mas parece que algum povo não se importa muito com isso, pois continua a louvar e santificar essa corja populista e criminosamente demagoga.  Ingenuidade não chega ao ponto de acreditar que governantes ávidos de poder e controladores não soubessem do que se passava ao seu redor sobre estratagemas dos quais eram beneficiários directos. Essa do “não sabia de nada”, “não encontrarão nada em meu nome” só ilude trouxas que gostam de passar por idiotas.

Cá por mim continuo com a canção do Ivan Lins: “Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai o rei de paus, cai não fica nada...”

segunda-feira, 3 de junho de 2013

HOMENS PARA A ESQUERDA, MULHERES PARA A DIREITA



Entrámos no grande salão e fomos instruídos a dividirmo-nos em dois grupos: homens e mulheres. Uns se sentariam nos bancos corridos de um lado e as outras do outro lado oposto. Frente a frente.

As expressões de estranheza e incompreensão logo se estamparam nos rostos incrédulos. Como crianças perdidas num bosque sombrio. A confusão se instalou naquelas mentes condicionadas por uma rotina entorpecente.

O povo não está habituado a sair dos seus padrões seculares, assim perdendo a capacidade de pensar, decidir e se adaptar.

Os dogmas entorpecem as mentes e levam-nas a uma estagnação embrutecedora. Servem para imobilizar o povo e dominá-lo, através da eliminação da capacidade individual de discernimento.

Para as mentes arregimentadas pelo carneirismo do rebanho é duma estranheza imensa uma simples proposta que fuja aos cânones useiros e vezeiros da sua rotina atrofiada e castradora do livre arbítrio. Um simples "vamos fazer diferente" é motivo para grandes suspeitas e receios. Nervosamente todo o grupo olha em volta procurando um sinal que as traga de volta ao redil.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

DESCENTRALIZAÇÃO


No passado mês de Dezembro apresentei aqui o meu desalento por ter sido rejeitado o projecto de criação do estado de Tapajós. Acredito que a democracia deve ser um contínuo processo de descentralização de poder, para que ele cada vez esteja mais no domínio dos verdadeiros interessados: os cidadãos. Daí ter entendido a rejeição da divisão do estado do Pará como um retrocesso democrático e uma prevalência do espírito imperialista que ainda domina tanto a política como a sociedade brasileira.

No presente eu moro no Brasil, no estado de Pernambuco, na cidade de Recife. E é partindo da observação dos processos de gestão local, que essa minha realidade me permite, que elaboro esta minha reflexão.

Uma sociedade democrática não pode ser centralizadora. Centralização de poder é sintoma de imperialismo. Não basta apenas derrubar as monarquias e promover eleições republicanas para se afirmar que se vive em países democráticos. É necessário rever todo o sistema administrativo duma nação para se poder falar em democracia e verdadeira participação do povo no seu próprio destino.

Não é centralizando o poder em capitais distantes, ou mesmo próximas, que se consegue uma melhor gestão social e territorial, ou se combate a corrupção. É necessária uma revolução administrativa. Essa revolução tem de conduzir até à descentralização administrativa dos poderes municipais. Criar órgãos políticos junto às populações, bairro a bairro: o chamado poder local. Quanto mais próximas e envolvidas as pessoas estiverem dos decisores políticos, maior o controlo que elas têm sobre todos os processos de gestão que lhes digam respeito, assim como sobre algum possível caso de corrupção. Sendo que, a eleição desses cargos deve ser popular e local, não por nomeação superior.

Vivemos numa época de quebra de dogmas. O paternalismo do poder centralizador é um modelo obsoleto e que já provou ser ineficaz para a satisfação dos direitos de todos. Temos de aprender novos modos de fazer e estar. Temos de assumir a direcção do nosso destino. Temos todos o direito de participar da orientação do rumo das nossas vidas e das condições do nosso quotidiano.



quarta-feira, 2 de março de 2011

PODER OU CONTRA-PODER?

A ameaça do rato

Limitação de acesso à internet passou a ser a primeira medida tomada pelos regimes hegemónicos e ditatoriais quando ameaçados.

"Egipto apoia os trabalhadores do Wisconsin, um mundo uma dor"

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

INTOCÁVEL?

Tempo para brincar

Serão os poderosos intocáveis?

Veja-se (na foto) a distância respeitosa que o restante pessoal guarda do Presidente. Será mesmo respeitosa ou recearão eles serem atinjidos por algum projétil criminoso (ou estilhaço do mesmo) destinado a liquidar o soberano?

A distância respeitável que o staff presidencial mantém ao soberano lembra o resguardo de repulsa que os hindus guardam dum dalit.

Hum!... Um pensamento assaz bizarro. Tal como bizarra é toda esta hipocrisia de poderes sem poder.

Serão os poderosos mesmo poderosos?

Serão os governantes livres de governar segundo a sua vontade, mesmo que dentro da legalidade da Constituição da nação que os elegeu?

Afinal quem governa? O soberano ou as sombras misteriosas que o controlam através de longos tentáculos invisíveis?

Longe vai o tempo feudal em que o poder tinha o rosto do soberano. Agora o poder não tem rosto; esconde-se e age sub-repticiamente atrás da máscara da democracia.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O PODER: VULNERABILIDADE

Vulnerável.

O poder sempre esteve associado ao dinheiro. Mais ainda na nossa era, em que as relações sociais se baseiam na capacidade de auto-suficiência pela independência económica. Aquele que consegue ser economicamente capaz de prover à sua subsistência em qualquer circunstância é entendido como apto para se autonomizar.

A vulnerabilidade é o grande estigma da nossa sociedade, do nosso mundo. O poder económico. As hierarquias. As hierarquias laborais. As hierarquias sociais e familiares. As hierarquias profissionais. O poder do status. O poder das relações e dos relacionamentos. O poder dos sistemas.

Dependemos até dos favores dos sistemas de saúde para sobreviver. A saúde que deveria ser um bem de acesso universal e completamente livre. Assistimos ao drama duma jovem mãe, que dependente (por falta de recursos económicos) dos sistemas de saúde, vê a sua necessária (urgência confirmada por médicos independentes) cirurgia adiada (por motivos economicistas do prestador de serviços) com os mais ignóbeis estratagemas (confirmada a necessidade da intervenção e feitos todos os exames preparatórios, o prestador de serviços requer repetidamente a opinião de outro clínico para confirmação do diagnóstico, recomeçando todo o processo ad aeternum).

Os que por falta de recursos não podem recorrer (apenas porque não têm dinheiro, muito dinheiro, para pagar!) a clínicos independentes, com garantias de que serão assistidos conveniente e condignamente. Aqueles que se sujeitam ao jogo (muitas vezes, senão sempre, movido pela ignorância) de personalidades de clínicos mal preparados e levianos, que jogam com a sorte alheia na base do seu humor ou do desconhecimento de matérias (da sua área de interesse profissional) que não se dão ao trabalho de pesquisar.

A vulnerabilidade emocional do ser humano é aproveitada psicologicamente, para subjugação, por todos os grupos e agentes sociais. A mais infame é a subjugação do cidadão ao poder do sistema instituído na classe governadora, que é quem dita as leis e gere a sua aplicação (favorecendo uns e penalizando outros, arbitrariamente). A vulnerabilidade psicológica é a mais utilizada para impor a vontade própria sobre terceiros. Mesmo sem conhecimentos técnicos sobre psicologia todos a procuram usar dum modo ou outro.

Com o elevar de consciências (que melhor ou pior se verifica na nossa era) aumenta a sensibilidade (e logo a vulnerabilidade) psicológica de todos e cada um de nós. Os poderosos já se perceberam disso e, mantendo a ignorância das massas (como de costume), utilizam-na (a vulnerabilidade psicológica) a seu bel-prazer, denotando a mais vil ganância e a mais ignóbil (e grosseira) falta de ética.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010