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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

GUERRA NUA

Artilheiro na torre de fogo de um bombardeiro da segunda guerra

Outrora os guerreiros combatiam corpo a corpo. Viam os olhos dos seus adversários, sentiam-lhes o cheiro e o calor dos corpos esforçados e ensanguentados.

Com a parafernália tecnológica de hoje, a guerra procura cada vez mais ser um uma actividade impessoal, despida de envolvimento físico directo. Até tentam mostrá-la como isenta de violência, como se tal fosse possível.

Ludibriados pela falsa ideia de que os muitos dispositivos tecnológicos lhes proporcionam uma inviolabilidade protectora, os militares avançam para a frente de combate num misto de terror e falsa aura de heroísmo. O maior embuste!

Como seria se os nossos militares tivessem todos de combater nus como vieram ao mundo? Que sentimentos os inspirariam e que emoções os moveriam?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O PODER: VULNERABILIDADE

Vulnerável.

O poder sempre esteve associado ao dinheiro. Mais ainda na nossa era, em que as relações sociais se baseiam na capacidade de auto-suficiência pela independência económica. Aquele que consegue ser economicamente capaz de prover à sua subsistência em qualquer circunstância é entendido como apto para se autonomizar.

A vulnerabilidade é o grande estigma da nossa sociedade, do nosso mundo. O poder económico. As hierarquias. As hierarquias laborais. As hierarquias sociais e familiares. As hierarquias profissionais. O poder do status. O poder das relações e dos relacionamentos. O poder dos sistemas.

Dependemos até dos favores dos sistemas de saúde para sobreviver. A saúde que deveria ser um bem de acesso universal e completamente livre. Assistimos ao drama duma jovem mãe, que dependente (por falta de recursos económicos) dos sistemas de saúde, vê a sua necessária (urgência confirmada por médicos independentes) cirurgia adiada (por motivos economicistas do prestador de serviços) com os mais ignóbeis estratagemas (confirmada a necessidade da intervenção e feitos todos os exames preparatórios, o prestador de serviços requer repetidamente a opinião de outro clínico para confirmação do diagnóstico, recomeçando todo o processo ad aeternum).

Os que por falta de recursos não podem recorrer (apenas porque não têm dinheiro, muito dinheiro, para pagar!) a clínicos independentes, com garantias de que serão assistidos conveniente e condignamente. Aqueles que se sujeitam ao jogo (muitas vezes, senão sempre, movido pela ignorância) de personalidades de clínicos mal preparados e levianos, que jogam com a sorte alheia na base do seu humor ou do desconhecimento de matérias (da sua área de interesse profissional) que não se dão ao trabalho de pesquisar.

A vulnerabilidade emocional do ser humano é aproveitada psicologicamente, para subjugação, por todos os grupos e agentes sociais. A mais infame é a subjugação do cidadão ao poder do sistema instituído na classe governadora, que é quem dita as leis e gere a sua aplicação (favorecendo uns e penalizando outros, arbitrariamente). A vulnerabilidade psicológica é a mais utilizada para impor a vontade própria sobre terceiros. Mesmo sem conhecimentos técnicos sobre psicologia todos a procuram usar dum modo ou outro.

Com o elevar de consciências (que melhor ou pior se verifica na nossa era) aumenta a sensibilidade (e logo a vulnerabilidade) psicológica de todos e cada um de nós. Os poderosos já se perceberam disso e, mantendo a ignorância das massas (como de costume), utilizam-na (a vulnerabilidade psicológica) a seu bel-prazer, denotando a mais vil ganância e a mais ignóbil (e grosseira) falta de ética.