O macaquinho do circo, que tem que ser domado e amestrado. “Para viveres cá tens de aprender a ser como nós!” Ou seja, perder a minha identidade, a minha individualidade. É, e continuará assim.
quinta-feira, 20 de março de 2014
O MACAQUINHO DO CIRCO
O macaquinho do circo, que tem que ser domado e amestrado. “Para viveres cá tens de aprender a ser como nós!” Ou seja, perder a minha identidade, a minha individualidade. É, e continuará assim.
domingo, 9 de junho de 2013
SOU EU
sexta-feira, 6 de abril de 2012
MONOLOGANDO

A sexualidade é ainda o grande tabu da humanidade.
Um padre católico ugandês (assessor do governo) apoia (quanto a mim instigou) o governo do Uganda na sua determinação de criar uma lei que pune a prática da homossexualidade com penas pesadas que podem ir até à pena de morte.
No Brasil, na Faculdade de Farmácia da Universidade de São Paulo, estudantes publicam um opúsculo (O Parasita) com um artigo incitando à perseguição e violência sobre os homossexuais. Este tipo de expressão dum pensamento tacanho e chauvinista é chocante quando expresso por uma elite informada e esclarecida, que constituirá o futuro corpo de formação de opinião pública dum pais moderno e influente.
Os valores velhos e obsoletos caem por terra, desacreditados e incongruentes num mundo que se revolve em busca de novos rumos. Mas se no geral se aspira por evolução e avanço, individualmente os medos crescem. As massas não estão preparadas para renovações; nem grandes nem pequenas. Tentam encaixar o novo nos seus velhos modos de perceber e fazer as coisas.
A vivência do novo, do desconhecido, é um drama aterrorizante. E tal pavor leva ao refúgio no velho modo de agir e compreender; uma tentativa infantil de procurar refúgio debaixo das saias (por mais rançosas e pestilentas que estejam) da mãe Tradição.
Mas não só a homossexualidade é um tabu imenso. A sexualidade em geral é um enorme tabu para a humanidade; principalmente para as sociedades inspiradas e influenciadas pelas religiões do Livro (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo). Socialmente a sexualidade humana foi utilizada como veículo de estratificação e discriminação, o que não deixa de ser mais uma das vergonhosas aberrações da visão anti-natura que a humanidade construiu de si mesma.
O infame Pecado Original do Livro (a Bíblia), em que a sedução é diabolizada, foi criado para providenciar o desenvolvimento daninho do complexo de culpa, que connosco carregamos, por uma emoção das mais puras e espontâneas da expressão da nossa libido. A sexualidade faz parte da nossa identidade natural. Qualquer tentativa de a regular e limitar é um atentado castrador que causa profundos transtornos na expressão individual e no equilíbrio emocional.
A sexualidade é o desejo instigador da vontade, que motiva o empreendimento e a concretização da criatividade; a criação. Atenção que falei em criação e não em reprodução! Limitar a sexualidade à reprodução é sufocar o mais importante motor de criatividade. É através da criação que o indivíduo se afirma como ser superior e independente. Daí a necessidade - por parte dos poderosos e governantes - de controlar a sexualidade para poder dominar e amputar a individualidade.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
CONVERSAR JUVENIL

Eu gostaria de falar contigo. Escutar a tua voz; o relato dos teus sonhos e ambições. Por muito imbecil que possa ser uma jovem mente, sempre terá algo a dizer; nem que seja parvo e soe oco. Mas tu não sabes falar. Expeles umas gírias, enrustidas numa risada idiota e nervosa, tudo encenado numa fanfarronice patética. Fico embaraçado de vergonha e retiro-me frustrado.
Até um bêbado tem algo a dizer. Mesmo que não passe de relatos parvos de episódios de bêbados e bebedeiras, com violência e muita ignomínia à mistura.
Quem não tem anseios e aspirações não tem vida. Será, quanto muito, um arremedo humano ensaiando uma existência idiota.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010
GARDEN ROSE
Perdido na cidade... neurótica, anacrónica. Atafulhado de ansiedades paranóicas dum viver labiríntico que não leva a parte nenhuma, eu sou um produto urbano duma modernidade construída de ilusões vãs, desconstrutoras do ser humano que deveria germinar em cada um. Sou o resto (ZERO) dum sistema exploratório esclavagista branqueado em consumismo carrasco.
Na claustrofobia da cidade dos homens eu busco os moinhos que os ventos já desprezaram, os coretos onde mais nenhuma nota musical restou, os lares vazios de entes e afagos. Os sorrisos são esgares vesgos reflectidos em espelhos baços que mostram mais sombras que formas.
Mesmo assim eu continuo, jardineiro persistindo no encantamento torpe dum acreditar pueril que a harmonia ainda é possível.
A fantasia dum jardim florido, onde das rosas apenas restam os espinhos.
A visão turva das coisas que estão lá mas não queremos ver.
Nota: Este texto é a minha participação para o desafio de blogagem colectiva “Minha Ideia é meu Pincel” lançado pela amiga Glorinha L de Lion do Café com Bolo, inspirado no quadro “The Rose Garden” e Paul Klee.

