Mostrar mensagens com a etiqueta rosa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rosa. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

GARDEN ROSE

Perdido na cidade... neurótica, anacrónica. Atafulhado de ansiedades paranóicas dum viver labiríntico que não leva a parte nenhuma, eu sou um produto urbano duma modernidade construída de ilusões vãs, desconstrutoras do ser humano que deveria germinar em cada um. Sou o resto (ZERO) dum sistema exploratório esclavagista branqueado em consumismo carrasco.

Na claustrofobia da cidade dos homens eu busco os moinhos que os ventos já desprezaram, os coretos onde mais nenhuma nota musical restou, os lares vazios de entes e afagos. Os sorrisos são esgares vesgos reflectidos em espelhos baços que mostram mais sombras que formas.

Mesmo assim eu continuo, jardineiro persistindo no encantamento torpe dum acreditar pueril que a harmonia ainda é possível.

A fantasia dum jardim florido, onde das rosas apenas restam os espinhos.

A visão turva das coisas que estão lá mas não queremos ver.


Nota: Este texto é a minha participação para o desafio de blogagem colectiva “Minha Ideia é meu Pincel” lançado pela amiga Glorinha L de Lion do Café com Bolo, inspirado no quadro “The Rose Garden” e Paul Klee.