Mostrar mensagens com a etiqueta fosso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fosso. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de maio de 2012

7 COLUNAS

Praça Oswaldo Cruz, Recife

Sete colunas, que nada sustentam, no meio da praça ajardinada. Ao alto um céu azul, entre grossas nuvens de chuva dispersas. A tarde é quente e húmida. Desconfortável. Em bancos de jardim, arrumados com simetria ao redor, figuras torpes encenam gestos viciados dum quotidiano urbano estafado de mesmice. O casal que namora num, o andarilho deitado em sono profundo noutro, os colegas que se juntam, para um bate-papo no intervalo do trabalho, noutro mais além. Eu que observo tudo com o distanciamento de quem não pertence ali. Nem a parte nenhuma.

Pombos chegam e imediatamente começam a bicar na areia moldada por pegadas que levaram por rumos diversos a diferentes destinos. Transeuntes passam perto. Alguns nem dão pelas aves, seguindo absortos no emaranhado das suas vidas sem intento, decalcadas dos paradigmas de consumo duma civilização sem propósitos de glória. Vão cegos à verdade no entorno e invisíveis no seu decalque de tantos outros milhares, milhões que se assemelham e alastram num mundo adormecido no pesadelo: presente.

Um abismo abre-se, imenso, a meus pés. Um fosso sem fundo, dum negro inexpugnável. Do breu sobe um frio gélido, paralisante. Dói o pensamento e a alma congela. Elevam-se rumores de dor e mágoa. O mundo range de injustiça e sofrimento. Glórias passadas arrastam-se na praia duma nova esperança. Um novo desbravar florestas que escondam templos esquecidos. Mitos. Lendas. Uma salvação que tarda.



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

CONVERSAR JUVENIL


Eu gostaria de falar contigo. Escutar a tua voz; o relato dos teus sonhos e ambições. Por muito imbecil que possa ser uma jovem mente, sempre terá algo a dizer; nem que seja parvo e soe oco. Mas tu não sabes falar. Expeles umas gírias, enrustidas numa risada idiota e nervosa, tudo encenado numa fanfarronice patética. Fico embaraçado de vergonha e retiro-me frustrado.

Até um bêbado tem algo a dizer. Mesmo que não passe de relatos parvos de episódios de bêbados e bebedeiras, com violência e muita ignomínia à mistura.

Quem não tem anseios e aspirações não tem vida. Será, quanto muito, um arremedo humano ensaiando uma existência idiota.