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quarta-feira, 30 de maio de 2012

7 COLUNAS

Praça Oswaldo Cruz, Recife

Sete colunas, que nada sustentam, no meio da praça ajardinada. Ao alto um céu azul, entre grossas nuvens de chuva dispersas. A tarde é quente e húmida. Desconfortável. Em bancos de jardim, arrumados com simetria ao redor, figuras torpes encenam gestos viciados dum quotidiano urbano estafado de mesmice. O casal que namora num, o andarilho deitado em sono profundo noutro, os colegas que se juntam, para um bate-papo no intervalo do trabalho, noutro mais além. Eu que observo tudo com o distanciamento de quem não pertence ali. Nem a parte nenhuma.

Pombos chegam e imediatamente começam a bicar na areia moldada por pegadas que levaram por rumos diversos a diferentes destinos. Transeuntes passam perto. Alguns nem dão pelas aves, seguindo absortos no emaranhado das suas vidas sem intento, decalcadas dos paradigmas de consumo duma civilização sem propósitos de glória. Vão cegos à verdade no entorno e invisíveis no seu decalque de tantos outros milhares, milhões que se assemelham e alastram num mundo adormecido no pesadelo: presente.

Um abismo abre-se, imenso, a meus pés. Um fosso sem fundo, dum negro inexpugnável. Do breu sobe um frio gélido, paralisante. Dói o pensamento e a alma congela. Elevam-se rumores de dor e mágoa. O mundo range de injustiça e sofrimento. Glórias passadas arrastam-se na praia duma nova esperança. Um novo desbravar florestas que escondam templos esquecidos. Mitos. Lendas. Uma salvação que tarda.



domingo, 2 de maio de 2010

RURALIDADE URBANA



A nossa actual civilização é essencialmente urbana. É um facto que toda gente migra para as grandes cidades. Pelas mais diversas razões, mas principalmente em busca duma vida idealmente melhor. Mas o sonho se desfaz entre as vicissitudes duma competição desigual e desonesta.

Viver em sociedade implica inteligência e esta implica educação. É notório o descuro com a educação por parte das populações rurais. Ao trazerem para as cidades essa mentalidade, o desinteresse pelo saber persiste e as populações insistem na ignorância e tacanhez. Sem ferramentas cognitivas é fácil cair no recurso do estratagema desonesto pela preservação e subsistência.

A transferência do meio rural para o meio urbano implica uma diminuição do espaço e um aumento da privacidade.

Aprender novos modos e novos costumes implica inteligência. A inteligência de reconhecer a necessidade da mudança. A inteligência de reconhecer a inadequação do hábito e da tradição. A inteligência de perceber a dinâmica da acção individual no grupo; um grupo mais complexo e variado.
E inteligência não é o mesmo que esperteza!