O macaquinho do circo, que tem que ser domado e amestrado. “Para viveres cá tens de aprender a ser como nós!” Ou seja, perder a minha identidade, a minha individualidade. É, e continuará assim.
quinta-feira, 20 de março de 2014
O MACAQUINHO DO CIRCO
O macaquinho do circo, que tem que ser domado e amestrado. “Para viveres cá tens de aprender a ser como nós!” Ou seja, perder a minha identidade, a minha individualidade. É, e continuará assim.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
EU SOU "O PORTUGUÊS"
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
NO RER
Pegando numa ideia que apanhei lendo um texto do Alexandre Mauj...
Íamos no RER (Réseau Express Régional, uma rede ferroviária que liga o centro de Paris aos seus arredores, servindo com rapidez e comodidade toda a região metropolitana da capital francesa, link) eu (português) e o meu amigo Rachid (marroquino). Era quase final da tarde e hora de ponta, pelo que o comboio seguia cheio. Perto de nós seguia um grupo de imigrantes portugueses, que se destacavam do resto dos passageiros por falarem alto demais, aos gritos, rindo debochadamente das baboseiras que diziam.
O meu amigo ao fim dum bocado prestando atenção no linguajar deles (que ele não entendia o sentido, pois não sabia falar português) virou-se para mim e disse-me:
- São portugueses como tu! Eu posso perceber que a língua é a mesma. Que estão eles dizendo que se divertem tanto?
- Por favor não digas que eu sou português aqui, pois tenho vergonha de ser comparado que aquela gentalha. E não me perguntes o que eles estão a falar pois não o vou dizer aqui. Em casa falaremos. Dans ce moment la j’ai honte d’êtres portugais! - respondi eu.
Obviamente que o diálogo entre nós era em francês, a língua que falávamos em comum, já que nenhum de nós falava a língua materna do outro. Mas pelo meu cuidado em resguardar a minha identidade e pelo ar de deboche dos jovens em questão o Rachid percebeu que a coisa era reles e grosseira. Pelo que se remeteu a um silêncio chocado. As expressões dos restantes passageiros era de resignação, de quem já se habituou a presenciar tais costumeiras demonstrações de alarvidade, pois mesmo sem entender patavina da língua, pelas atitudes dava para perceber que a temática era depravada.
Em casa expliquei-lhe que o que aqueles trogloditas faziam era debochar obscenamente das jovens e demais mulheres que circulavam na mesma carruagem que nós, escondidos no anonimato da diferença linguística, berrando com todos os pormenores descritivos e usando os mais grosseiros palavrões, o que fariam sexualmente com cada uma delas.
O caso que relato aqui não é único, nem exclusivo aos emigrantes portugueses, mas comum a todos os emigrantes em países que falam outra língua e onde demonstram a sua xenofobia através do escudo cobarde da língua, debochando dos seus anfitriões. É uma atitude cobarde de quem arrasta consigo a sua má formação e má educação para onde quer que vá.
Como disse acima, a ideia para este meu artigo veio dum relato que o nosso amigo Alexandre do Lost in Japan (link) apresentou no seu post “As lágrimas dos Diferentes – Autismo e Preconceito” (link). É com atitudes lamentáveis dos seus representantes mais reles e indignos que os povos e nações ganham estigmas que apenas servem para alimentar a arrogância e rejeição dos xenófobos.
Gente inculta e mal educada é mau exemplo em qualquer parte.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
DIREITO DE RESPOSTA
Há um momento em que se tem de dizer: BASTA!
Eu nasci em Moçambique sob os auspícios da Bandeira Portuguesa e assumo a minha nacionalidade portuguesa, com muito orgulho dos feitos históricos e civilizacionais com que este povo simples, mas ladino, favoreceu e favorece a Humanidade.
Eu sou português! Vivi durante os mais recentes 40 anos da minha vida em Portugal; o tempo suficiente para ver como um povo oprimido soube sair em liberdade duma sociedade quase rural transformando-a numa de modelo urbano tranquila e cordial, sem cair na vulgaridade do crime e da baixaria de costumes propiciados por uma má formação de carácter social e moral.
Ontem à tarde eu e o Sérgio, falávamos com um vizinho do prédio (homem duns 40/50 anos) e com o seu filho (moço duns vinte e tal anos) sobre computadores e as dificuldades de acesso rápido à internet, quando o homem se saiu com um infeliz “O teu computador deve ter é memória de português!” Eu olhei para ele e mostrei-lhe o meu sorriso amarelo. O indivíduo não entendeu e continuou a sua verborreia xenófoba, para grande constrangimento do filho, até que o Sérgio lhe lembrou: “Ele é português...” O cara nem tinha sacado pela minha pronuncia que eu era português?! Mas afinal é vizinho e sabendo bem da história da minha presença no condomínio... ou será que a memória brasileira dele não é assim tão aquela coisa?
Embaraçados ele e o filho retiraram-se e a conversa ficou por ali.
Ao voltar para casa mergulhei nos blogs amigos, esquecendo o episódio, mas nos comentários a uma publicação de um deles lá fui encontrar uma listagem de epítetos xenófobos com que os brasileiros mimoseiam os que não lhe são iguais: “Português burro, turco pão duro, negro ladrão, amarelo porco.” A avaliar pelo rol os brasileiros acham-se o supra-sumo das virtudes.
Já tive de pedir a brasileiros, meus correspondentes na internet, que tenham a delicadeza de retirar o meu nome da lista de envios quando for para enviar anedotas de mau-gosto sobre portugueses, as quais nenhuma corresponde à verdade e quando analisadas se percebe que são adulteradas no seu relato para visar propositadamente o eterno bode expiatório: o português.
Vejo-me confrontado diariamente com referências depreciativas e injuriosas aos portugueses, tanto nos falares das gentes na rua, como na internet e mesmo nos órgãos informativos. Além do modo paternalista com que todos entendem que me devem advertir, como se eu fosse um mentecapto infantilóide incapaz de me governar. Tem até gente que fala para mim pausadamente e vincando acentuadamente as sílabas como se eu não falasse e entendesse português.
A ignorância magoa, a ignorância ofende.
Foto: Bandeira de Portugal no Castelo de Guimarães. Clicar na foto para ampliar.
