domingo, 20 de maio de 2012
LILITH
domingo, 13 de junho de 2010
DUAS MULHERES
Duas mulheres alinham-se para a corrida eleitoral à presidência do Brasil. Serão elegíveis numa sociedade latina de perfil machista?
O facto de duas mulheres se candidatarem a um elevado cargo político num país não é indicador duma completa emancipação da mulher na sociedade que as integra. Seria pura ilusão pensar que isso significaria que a mulher tem um estatuto de igualdade com o homem na sociedade brasileira.
Enquanto no quotidiano, no lar, em família, houver papeis, tarefas e lugares para mulheres e homens, não há uma igualdade de estatutos. Velhos hábitos e conceitos (preconceitos) ainda subsistem fortemente arreigados no pensamento brasileiro e nas tradições. Enquanto expressões como “uma mulher tem de saber qual é o seu lugar”, “uma mulher não pode fazer isto, ou aquilo”, “isso é tarefa de mulher”, forem regra a sociedade mostra que não soube evoluir e se contemporizar.
“O Brasil é conhecido por ser um pais de mulheres bonitas” é uma expressão que mostra bem o chauvinismo da sociedade brasileira. Mesmo quando são as próprias mulheres que assumem essa ideologia. A mulher que se molda ao ideal de beleza dos machos. A mulher que afirma que o seu objectivo maior na vida é casar. Tal como serem elas as primeiras a sair em campo criticando alguma sua congénere por ter ousado desafiar os padrões e tomar liberdades apenas consentidas aos homens. Tudo isso são indicadores do atraso ideológico duma sociedade que ainda se deixa regrar por padrões obsoletos imbuídos do mais boçal chauvinismo.
As sociedades de perfil latino mantêm um pensamento retrógrado. Mas embora sejam as mais resistentes à mudança, no nosso mundo ocidental, não são únicas. E por muitos factores aferidos nos novos meios de comunicação e formação, fica a impressão que as novas gerações não se apresentam tão revolucionárias como se esperaria. Muitos sectores de jovens assumem até posturas incrivelmente reaccionárias.
