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quinta-feira, 1 de julho de 2010

JOVEM HOJE


Perguntaram-me sobre o que se passa com a juventude de hoje.

A juventude de hoje é tão estúpida como de qualquer outra época.

O desenvolvimento humano é cíclico, como muita coisa no universo. A adolescência é o terceiro ciclo de desenvolvimento do indivíduo enquanto ser orgânico e intelectual. O nosso organismo leva muito tempo a atingir o seu desenvolvimento físico completo e, quando o alcança logo começa a regredir. Só atingimos a plena maturidade das nossas capacidades depois dos 40 anos, até lá estamos em fase de expansão, por assim dizer.

Mas voltando à adolescência; o adolescente é uma criatura estúpida por definição. Tem a consciência duma batata frita (talvez daí a sua identificação com o fast food) e uma concepção de espaço-risco muito tangencial ao caótico. Trata-se duma questão electroquímica dum cérebro em fase crítica de formação e definição. A estabilização dos neurotransmissores cerebrais leva todo um ciclo de crescimento, terminando já depois da entrada na fase adulta.

O adolescente, ou jovem, está assim sujeito a todo tipo de influências e sugestões, pois a sua mente ávida de padrões é uma esponja que tudo absorve e rejeita. O universo mental juvenil é um caleidoscópio mágico que se desenvolve com uma fúria tempestuosa; maravilhoso!

Ora, o que se passa hoje é um criminoso ataque da ganância capitalista a esse mercado desregrado que é a avidez juvenil. Os agentes e cúmplices desse atentado são os pais, os órgãos oficiais regulamentadores e toda a sociedade em geral. Os jovens estão expostos a todo tipo de assédios mercantilistas, que lhes estimulam uma libido viciosamente consumista. E para sustentar tal dependência é necessário NÃO PENSAR.
Por isso desde a mais tenra idade todo o sistema formativo em torno da criança é estupidificante e néscio. Vamos formando burros para poderem satisfazer mais facilmente a voracidade ignóbil do sistema capitalista.

O capitalismo está mais criminoso que nunca e os seus cúmplices somos todos nós, que nos conformamos e resignamos (vendemo-nos!) em troca duns regalos consumistas.

O que se passa com os nossos jovens?! Simples... eles são as vítimas da nossa mais completa e irresponsável abstenção de sentido crítico!