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quinta-feira, 17 de junho de 2010

IDOSOS EM CASA

Li em notícia recente num jornal português que há mais famílias optando por reterem em casa os seus parentes mais idosos ao invés de os enviarem para lares de terceira idade (nome bonito para asilos).

Será por amor? Será por solidariedade? Será por compaixão? Não! Nada disso! Trata-se apenas de calculismo. Com a desculpa que devido ao aumento do desemprego acaba por sobrar sempre alguém em casa desocupado e com disponibilidade para olhar pelos velhotes, a verdade é que assim sempre se pode contar com as pensões dos idosos para ajudar no insuficiente orçamento familiar.

Egoísmo?! Não creio que seja absoluto egoísmo, mas sim uma permuta pragmática. E desde que não maltratem os velhinhos eles até ficarão contentes de poderem participar da vivência do lar, tanto nas recolhas como nas entregas (entregam as suas parcas reformas em troca da companhia daqueles que amam).

Pois é... a crise instala-se e há que deitar mão a tudo que é oportunidade. Nem que para tal tenhamos de prescindir da nossa comodidade de não ter ninguém dependendo dos nossos cuidados.

Agora já os velhos não são um estorvo, nem as suas fraldas descartáveis uma nojice. Em tempos de crise os velhos tornaram-se uma mais valia.

E esta, hein?!

quinta-feira, 5 de março de 2009

SETE

Primeiro estava com falta de motivação para escrever. Depois pensei em escrever sobre o Vaticano. Então me ocorreu a ideia de escrever sobre o Príncipe Faudel e, comecei recolhendo dados. Mas ao assistir os noticiários televisivos desta noite a indignação falou mais alto e me impeliu a botar os dedos no teclado e deitar para fora a infame denúncia.

Neste país que se debate com uma profunda crise económica, em que todos os dias fecham empresas por falência, atirando para o desemprego milhares de funcionários, quase todos com salários em atraso. Onde uma das principais empresas exportadoras ameaça fechar e deixar no desemprego mais um milhar de trabalhadores.

Num país em que o cidadão comum se debate para manter com dificuldade os seus compromissos financeiros, retirando no orçamento da alimentação verbas para satisfazer as crescentes dívidas. Em que cada vez mais há os chamados novos-pobres, que são pessoas empregadas mas que não ganham o suficiente para suportar as despesas do quotidiano.

Num país em que o consumo decresce em todos os sectores, inclusivamente no automóvel, revelando a incapacidade do cidadão comum manter os seus níveis de vida normais. Eis que oiço a jornalista informando que apenas nestes dois (DOIS) primeiros meses do ano já se venderam 7 (SETE) Ferraris em Portugal. No mesmo período do ano passado apenas 2 (DOIS) Ferraris haviam sido vendidos.
Marcas como a Bentley e a Aston Martin não apresentam ainda algum decréscimo nas vendas.

!!!...!!!...!!!

Afinal onde está a crise? Afinal parece que a crise é benévola para alguns. Normalmente os parasitas são os que mais proliferam em ambientes de caos.

É o fim da ética, do pudor, da solidariedade. 

É o fim da vergonha!!! 

A sociedade da ganância no seu melhor!!!