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quarta-feira, 21 de março de 2012

ANJOS DE TERNURA

Eu tive a benção, mais que felicidade, de conhecer a Olguinha.
Tivemos um convívio mais próximo quando ela era ainda criança e eu um jovem receoso de não saber lidar convenientemente com a sua diferença e de algum modo poder melindrá-la. Mas o seu sorriso era sempre reconfortante.

Muitos anos depois (uns vinte anos depois) eu seguia pelo Rossio (enorme praça no Centro de Lisboa) eu ouvi um grito: Mãe, olha o Manuel!!!" Eu estaquei, pois aquela voz sobressaltou toda a minha memória. Olhei em volta e lá estava aquele sorriso aberto e maravilhoso. Uma jovem puxava pela mão da sua mãe, que hesitava confusa, acabando por se render a um espanto quando me aproximei: "Olha, és mesmo tu Manuel! Como ela te reconheceu logo ao fim de tantos anos de ausência!" A Olguinha era um sorriso imenso que se expandia para além da praça... da própria cidade!
As pessoas com Síndrome de Dawn foram os humanos mais ternos e carinhosos que já conheci. Autênticos anjos que iluminam o nosso mundo e as nossas vidas (as vidas daqueles que têm a felicidade de poder conviver com eles quotidianamente).

Dedicatória: Para a Olguinha e todos os outros anjos como ela, dedico este meu testemunho de amor e amizade.