É sempre um recomeçar. Afinal todos os dias são um recomeço. Recomeço de algo que por vezes não temos bem a consciência de quê, nem porquê. Mas a jornada prossegue. Como uma sinfonia sem fim; que avança de andamento em andamento. Rumo incerto.Os dias sucedem-se previsíveis, na sua mutabilidade. A rotina removeu toda a maravilha da descoberta. Todo o deslumbramento. Apenas encheu tudo dum tédio atroz. Criminoso!
A contagem dos dias é um tic-tac angustiante, quase sinistro. O medo de falhar.
A dúvida sempre assalta as debilidades humanas. Mina vontades e determinação. Mas sempre persiste um último recurso; a fé. Não me refiro à fé religiosa, embora essa possa ser inclusa. Falo da esperança que perdura para além de todos os desaires. Do gesto insano de continuar, quando todos aconselham o parar, o desistir. Falo do ficar olhando em frente, quando já nada mais se anuncia a chegar.
Na nossa sociedade urbana ainda há Primavera?