Eu amo a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Foi nela que eu pisei pela primeira vez solo brasileiro. Foi nela que o Brasil me acolheu nos seus braços.
A sua geologia é fascinante. Adoro passear-me nas ruas e avenidas do Castelo (o Centro) entre a Praça XV e a Avenida Rio Branco (o contraste dos edifícios clássicos com os modernos faz-me sentir como se estivesse na saudosa Europa). Subir ao Pão de Açúcar e desfrutar da maravilhosa vista tanto para o lado do oceano como para a Baía de Guanabara, é uma experiência que não se esquece jamais.
Mas o Rio de Janeiro não é uma cidade bonita e muito longe de ser maravilhosa. O Rio é muito mais que Copacabana, Ipanema, o Pão de Açúcar e o Redentor. É uma cidade imensa que se estende por infindáveis bairros feios e paupérrimos, de barracos sem reboco amontoados como vespeiros. Basta olhar para qualquer favela ou bairro de periferia para entender que, à semelhança do resto do pais, esta é uma cidade de profundas desigualdades e injustiça social.
Procurei aleatoriamente na net algumas imagens de bairros da desfavorecida Zona Norte do Rio. Aquela para a qual (segundo os seus moradores) até o Cristo do Corcovado volta as costas (a estátua está voltada de braços abertos para a Zona Sul, rica por excelência). São as imagens que nenhum operador turístico ou promotor oficial mostra. Como já uma brasileira me disse: são as imagens do Rio que ninguém mostra ao resto do país.








