quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ASCENDENDO...?!

Procurando uma paz interior que não cultivamos, tentando nos conformarmos com o inferno que construímos para viver.

Um jovem é baleado (inadvertidamente) à porta da escola, por um colega que lhe mostrava a pistola que tinha trazido de casa. Não corre perigo de vida,mas isso não serve de consolo para ninguém.
Que limites dão estes pais de hoje aos seus filhos, tão livres de acessos a todo tipo de informação e vivências? Por certo que ninguém dá aquilo que não tem; e educação e disciplina é o caso mais gritante e útil, contudo tão menos prezado.

Aquele infame casal inglês cuja filha levou sumiço, continua com a sua arrogância insultando tudo e todos, mostrando a sua tremenda falta de compaixão (mas eles não são católicos?!), levantando acusações (aos detectives policiais) a quem deveria agradecer por terem se esforçado por lhes encontrar a filha. E os órgãos de informação ainda continuam alimentando a sede de protagonismo mediático destes dois parasitas da infelicidade da criança. Estou com o criminalista Moita Flores; mas então estes dois senhores ainda não foram processados por negligência grosseira? Afinal foram eles os primeiros responsáveis pelo que tenha acontecido com a infeliz criança, mas são aqueles que tentaram reparar o mal causado pela conduta dos pais que estão sendo julgados e criticados.

A terra treme no Haiti. As imagens são aflitivas com gente subterrada nos escombros duma cidade que lhes desabou em cima. O sangue está por todo o lado, tingindo a dor e os ferimentos graves dum povo que não pára de sofrer. Depois da pobreza extrema, da insegurança social, da violência política, ..., ainda o chão lhes treme debaixo dos pés.
Porque será que uns têm tudo e outros só têm miséria?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

PELÚCIA


EU SOU UM BONECO DE PELUCHE!

Deram a uma menina, já muito crescidinha, três bonecos de peluche e ela logo tratou de lhes dar nomes. A mim chamou de Manuel e aos meus irmãozinhos chamou de Rodrigo e Sergio. Agora todas as noites dormidos ao lado dela, na sua cama.

Ela nos chamou assim para se lembrar de quando brincamos às cozinhas, fazendo comidas novas, que ela prova com admiração e ela me ensina a fazer coisas boas com o milho para depois vender. Eu não gosto de comer coisas de milho, mas o dinheiro é bom para comprar outras coisas que fazem falta; como comida e refrescos (por vezes bebemos cerveja, hehehe).

Também brincamos de rir, pois ela gosta de rir e se sentir bem disposta, para afastar os medos da vida. Por vezes eu danço para ela dar risada e ela fica chamando todo mundo para me vir ver sambar. É muito divertido!

De manhã eu levanto muito cedo e vou esperar que ela chegue do mercado trazendo um grande saco de milho à cabeça. É muito pesado e eu me apresso para a ir aliviar. Depois ela descasca o milho e eu vou raspando o coco para fazer o leite que se junta na massa do milho. Ela então conta histórias da vida dela. Ela teve uma vida longa, com muitas histórias.

Ela tem um nome muito bonito, mas prefere ser chamada pelo nome duma grande imperatriz que governou a Rússia à muito tempo; talvez porque ela é mandona como essa rainha foi. hehehe (Mas a gente não se importa!). E assim poucas pessoas sabem o verdadeiro nome dela, pelo que não podem fazer feitiçaria contra ela. Pois, para a magia funcionar nós temos de saber o verdadeiro nome das coisas, senão... não dá!

Eu estou muito feliz de ser um URSINHO DE PELUCHE!

domingo, 13 de dezembro de 2009

ALMA A CAMINHO



Certo dia levaram um chefe índio, duma tribo da Amazónia, a visitar Brasília. A viagem foi de carro e no fim perguntaram ao homem como ele se sentia. Ao que ele respondeu: Eu já cheguei, mas a minha alma ainda vem a caminho.

Pois é, por vezes a nossa vida entra em turbilhões, que parece ficarmos desfasados da nossa própria alma. Assim tem sucedido comigo, nos tempos (anos) mais recentes. Entrei num sarau de ginástica cármica que me exige toda a elasticidade anímica; e não só a mim, como também àqueles que me rodeiam e me acompanham no quotidiano.

Tive um psicoterapeuta que me afirmava; não devemos flagelar-nos pelos nossos erros, apenas fazemos aquilo que nos ensinaram. Eu continuo repetindo essa fórmula a quem se vem lamentar das consequências das suas menos felizes escolhas e decisões.
Nós decidimos sobre o nosso destino em função daquilo que somos no momento e das condicionantes que a Vida nos apresenta. Somos responsáveis pelas nossas escolhas? Sim, somos responsáveis pelas nossas escolhas. Mas não temos de fazer das nossas vidas um covil de expiação pela nossa incapacidade de decidirmos mais acertadamente num mundo vil e perverso.

Somos mui lestos a julgar e acusar o outro, como se fossemos, cada um de nós, o senhor da razão. Muito prontamente identificamos e apontamos as falhas alheias, esquecendo convenientemente as tremendas burrices que já todos fizemos ao longo das nossas vidas. E depois, se nos fazem notar a impiedade da nossa ligeireza de julgamento, ainda argumentamos vivamente, tentando tapar o sol com a peneira, como se vogássemos acima de qualquer arbítrio.

Assim estou eu no presente da minha vida. Confuso, perdido no redemoinho de escolhas em que se tornou a minha vida, em que a cada segundo tenho que fazer uma opção, como se disso dependesse a minha execução em cadafalso. Sim, na verdade sou logo prontamente executado, por muitos daqueles que, pela sua intimidade e proximidade, deveriam ser os que mais prontamente deveriam manter o seu apoio incondicional, como ensinam os princípios cristão em que foram educados: ama o próximo como a ti mesmo, quem nunca pecou que atire a primeira pedra, ...

Sim, todos vivemos assediados por este mundo esclavagista e gananciosamente competitivo, mas isso não deverá ser desculpa para nos isentarmos da compaixão e cumplicidade que de nós é esperada. E pouco gloriosa é a ajuda que prestamos sob cobrança (nem que seja com sermão moralista e egotista).

Muita ajuda tenho pedido e tenho recebido (algumas vezes de expontânea vontade, sem que a tivesse requerido), nestes tempos mais recentes do meu existir. Na verdade quase que poderia dizer que vivo da boa vontade dos que me rodeiam; estejam eles (eles e elas, indiferentemente) mais perto ou mais longe. A todos agradeço!

Bem hajam!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ESTAMOS NO MUNDIAL 2010


Merecido festejo dos jogadores da selecção portuguesa de futebol: Portugal vai ao Mundial de 2010, na África do Sul!
Mesmo perante uma claque adversária que primava por uma agressividade alarve, que continuadamente arremessava objectos para dentro do campo, tendo mesmo chegado a molestar fisicamente um dos membros da equipa de arbitragem, os nossos rapazes deram conta do recado. Com todos os sobressaltos a que nos já habituaram, lá conseguiram fazer aquilo que deles se esperava.
Parabéns!

Portugal pode fazer festa, merecidamente. Já o mesmo não se pode dizer de outros casos, que lastimavelmente deixaram a desejar no civismo e lisura.

No jogo entre a Argélia e o Egipto assistiu-se a uma batalha campal de pancadaria grosseira, entre os membros de ambas as selecções. Cenas indignas dum desporto que é de eleição para milhões de adeptos e que deveria ser usado para transmitir exemplos de bom convívio e boa cidadania.

A França conseguiu o seu apuramento através dum golo alcançado na sequência duma jogada irregular (Thierry Henry ajeitou a bola com a mão). O árbitro validou o jogo e a FIFA recusa repetição do jogo por entender que as decisões dos árbitros "são sobrenas e finais" (sic). Nem comento, pois muito haveria a dizer desse solene princípio de respeito pelas decisões dos juízes.

Com a complacência perante erros grosseiros e comportamentos alarves, como poderemos pretender construir um mundo melhor, se não sabemos aproveitar as mínimas oportunidades para fazer passar bons exemplos e modelos?


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CHAUVINISMO BRASILEIRO PERDURA NAS CAMADAS JOVENS


Numa universidade brasileira uma aluna apresenta-se às aulas com um vestido curto. Os colegas amotinam-se por toda a escola, insultando-a e ameaçando-a. A escola vira um pandemónio e a jovem acaba por ser escoltada para fora das instalações, coberta com uma gabardina emprestada.
Dias depois a direcção da escola em questão, a UNIBAN expulsa a aluna apresentando os motivos em comunicado que abaixo se divulga:
A reacção dos alunos é preocupante, pois indica um exacerbado chauvinismo muito presente na sociedade brasileira. Preocupante pois deveria partir das camadas mais jovens e cultas da sociedade os sinais de evolução cultural e de costumes, numa linha de tolerância e respeito pela individualidade. Normalmente é da juventude que se espera sinais de abertura e renovação.

A gestão que a direcção da universidade fez do assunto é ainda mais preocupante, pois denota que uma instituição que deveria instigar uma boa formação cívica nos seus formandos, compactua e premeia acções de barbarismo reaccionário e anti-cívico.
O modo como o assunto foi tratado apenas demonstra a persistência de hábitos de prepotência e autoritarismo da cultura brasileira. Os vícios esclavagistas ainda perduram na cultura popular brasileira. Não desapareceram apenas por decreto de extinção da escravatura.

Não basta legislar, é necessário também educar e isso a sociedade brasileira no seu todo não está fazendo; desde o mais alto escalão da hierarquia estatal até ao mais humilde cidadão. O Estado brasileiro governa a economia, sem nenhum empenho pela formação de cidadania; cidadania, coisa que o brasileiro comum desconhece.

Não basta ser um dos países mais ricos (economicamente) do mundo, é necessário saber viver com cidadania de qualidade.

Para que conste apresento também foto da jovem em questão com o vestido causador da polémica:
Sim, foi este o vestido causador de tanta polémica!

Este não foi um caso isolado no meio universitário brasileiro. Pela mesma altura, noutro estabelecimento de ensino do mesmo nível, outra aluna também foi alvo do mesmo tipo de perseguição e pelas mesmas razões; o modo como se vestia. Desta feita, ao tentar fugir da turba raivosa, a jovem foi encurralada e chegou a ser fisicamente agredida pelos colegas.
Este caso ficou abafado pois a jovem em questão pediu anonimato nas declarações públicas, que fez aos orgãos de informação e ela mesma abandonou o seu curso no estabelecimento que frequentava, traumatizada pela selvajaria de que havia sido alvo. Como tal o caso perdeu interesse para os media, pois o anonimato não alimenta sensacionalismo voyeurista.

Os estrangeiros acreditam que o povo brasileiro é um povo de mente aberta e sem preconceitos, pois se habituou a identificar o Brasil com a licenciosidade do carnaval carioca, mostrado nas TVs de todo o mundo. Nada mais longe da verdade!
O carnaval carioca é uma industria montada para o turismo internacional e restrito a uma zona exclusiva da cidade do Rio de Janeiro (sambódromo da Avenida Marquês de Sapucaí). Em nada o carnaval carioca é espelho da realidade brasileira.

domingo, 8 de novembro de 2009

AS HORTÊNSIAS DA SÃO

A minha amiga e companheira de actividades bloguistas, São, festeja mais um aniversário de publicações na net. Para comemorar ofereceu àqueles que têm a satisfação de visitar o seu espaço lúcido e interveniente, a beleza serena dumas hortênsias açorianas.

É com grande alegria que vejo o crescente e justificado, sucesso que o blog da São tem feito desde o seu início. E também uma grande satisfação e orgulho de poder presenciar esse sucesso que acompanho desde a fundação.

A todos sugiro a visita e acompanhamento dos textos sempre oportunos da São em: http://saobanza.blogspot.com/

E a ti, Companheira, Amiga e Irmã de Alma os meus parabéns e votos de muito mais e prolongado sucesso.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

OS MENINOS DE PRAGA


À uns anos atrás fui de viagem turística a Praga (Salve, São!). Só poderia ter sido um excelente passeio, pois se não bastasse a óptima companhia da minha amiga São, Praga é uma maravilha de património histórico e cultural. Mesmo tendo por lá perdido um dos meus casacos favoritos, guardo as melhores recordações duma das minhas viagens favoritas.

Mas não venho aqui enumerar os muitos encantos de Praga, senão contar um episódio que muito me divertiu durante essa estadia.

Para quem não saiba em Praga fala-se checo (uma língua eslava) e o serviço televisivo é na língua oficial do país, como é óbvio. Eu não entendo uma palavra de checo, mas ao chegar ao hotel, no fim de cada dia de deslumbrante passeio, ligava o televisor do quarto para constatar que invariavelmente era hora do noticiário. Em checo eu não entendia nada, mas... (há sempre um "mas") "presidente", "república", "sexual" e "escândalo" são termos que muito se assemelham na maioria das línguas, pelo menos as ocidentais. Fiquei curioso, pois por três dias seguidos o caso se repetia.

O guia do nosso grupo era checo, mas tinha aprendido português, para poder trabalhar como guia turístico (ele havia se formado em História, mas encontrou no turismo uma melhor fonte de receita), Ian era o nome dele (não era São? esta minha memória para nomes...) Intrigado com o caso das notícias, resolvi questionar o simpático guia sobre o que se passava. Ele sorriu com algum embaraço, perante o meu pedido de esclarecimento e tratou de, muito cordialmente, enrolar conversa, dando-lhe um rumo que me levasse a distrair do assunto. 

Ora, tolo não sou e percebo quando me querem esconder algo, pelo que ainda mais o caso aguçou a minha curiosidade. Não insisti logo, para não ser indelicado, mas mais tarde voltei a confrontar o guia. Nova tentativa de evasão. E se antes o caso apenas me intrigava a mim, agora até a minha amiga São se mostrou curiosa, sobre as razões que tanto embaraçavam o simpático homem, pelo que então pude contar com o apoio dela numa investida conjunta, montando um cerco interrogatório ao pobre Ian, que outra alternativa não teve senão desbroncar-se todo e relatar o que se passava.

O caso é que o país andava em polvorosa por causa dum escândalo sexual ocorrido dentro do palácio presidencial (o palácio presidencial checo fica no complexo monumental do Castelo de Praga; um dos pátios retratado  na imagem acima). Um jovem militar da guarda presidencial, havia denunciado ter sido vítima de violação sexual por parte do psicólogo do regimento. Na sequência das averiguações do caso veio a saber-se que o clínico tinha violado mais de duas dezenas de jovens militares da Guarda Presidencial. 

O quê?! Um civil a violar militares?! Mas que raio de guardas eram aqueles? E em que mãos estava a segurança do presidente, quando os próprios guardas que o deveriam proteger não eram capazes de proteger o próprio... traseiro?

O caso era no mínimo caricato e eu e a São entendemos bem as razões do embaraço do guia.