sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

CREPÚSCULO

O encanto do espectáculo diário do declínio da luz, que deveria ser assustador, mas antes surte um efeito de júbilo, por anunciar o fim de mais um dia de trabalhos e canseiras.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A NOSSA CULPA

O tempo passa e a terra ainda treme no Haiti. E o que foi feito por aquela infeliz gente? Pouco. Muito pouco! Tal como anteriormente nada fora feito para os ajudar a sair da situação de nação de escravos alforriados e sem destino.

Mas que ajuda está sendo dada? Entre muito pouca e nenhuma. Como sempre, todos deixámos os USA ocuparem militarmente o sistema de assistência aos sinistrados e a toda a situação, assim como o próprio território haitiano. E que fazem eles? O que os militares estão treinados para fazer; passeiam as armas prontos a apontá-las a quem os confronte.

As organizações médicas de socorro estão sem aprovisionamentos de medicamentos por os seus reabastecimentos não conseguirem aterrar no aeroporto ocupado pelo exército americano. Todo o tráfego aéreo que não seja militar americano está condicionado.

O povo flagelado do Haiti não precisa das armas americanas apontadas à cabeça! O povo do Haiti precisa de ajuda! Precisa de quem lhe dê água potável, medicamentos e alimentos. O povo do Haiti precisa de quem o ajude a organizar-se, para que eles se possam ajudar a si mesmos. E isso é coisa que o exército americano já demonstrou à exaustão não estar treinado para fazer. E isso é tudo culpa nossa, pois continuamos a permitir que esses yankees ajam como donos e senhores do mundo!

A culpa da miséria em que os haitianos se encontram é toda nossa, pois não lhes demos a devida atenção e deixámos que os americanos fossem para lá espalhar o caos habitual e entronar no poder os corruptos governantes fantoches do costume.

A culpa é nossa de os termos deixado desflorestar o seu território, para terem lenha com que cozinhar. E por nossa culpa quantos haitis ainda perduram por esse mundo, numa existência de fome, miséria e caos! Continuamos a viver obcecados com o nosso umbigo e a manutenção do nosso insustentável estilo de vida doentio e obsceno de consumo e despesismo, cegos e indiferentes ao que nos rodeia.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O POETA

Sim, sou o poeta! E daí?

Sou aquele que dá voz aos vossos corações espezinhados e ignorados. Sou aquele que encarna e chora as vossas lágrimas de frustração. Sou aquele que suporta a vossa dor, para que vós possais dar continuidade à vossa existência ignóbil e atrofiada. Sou aquele que dá forma aos vossos sonhos e devaneios, suportando toda a violência de ser desprezado e perseguido. Sou aquele a quem é negado o direito de identidade, porque vós temeis a diferença e o diferente. E assim me privam de uma existência digna.

Tudo isto vos convém e vos favorece, mas ainda exigis que eu faça do vosso jeito e do vosso modo, que também me pareça convosco, para que não tenhais de me sustentar...

Julgais que sou vosso escravo???

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

LAVANDA

Buscava eu uma imagem para ilustrar um tema musical, quando fui assaltado pelo passado e por um aroma que na minha infância me relaxava e anestesiava contra as adversidades duma existência de condenado.

Hum... Aquele aroma a alfazema era deveras tranquilizador. Era um arrebatamento musculado, Como ser levado pelas asas suaves dum vento tempestuoso. Algo de orgástico!...

Tive uma infância e adolescência muito sensual; eroticamente sensual.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ASCENDENDO...?!

Procurando uma paz interior que não cultivamos, tentando nos conformarmos com o inferno que construímos para viver.

Um jovem é baleado (inadvertidamente) à porta da escola, por um colega que lhe mostrava a pistola que tinha trazido de casa. Não corre perigo de vida,mas isso não serve de consolo para ninguém.
Que limites dão estes pais de hoje aos seus filhos, tão livres de acessos a todo tipo de informação e vivências? Por certo que ninguém dá aquilo que não tem; e educação e disciplina é o caso mais gritante e útil, contudo tão menos prezado.

Aquele infame casal inglês cuja filha levou sumiço, continua com a sua arrogância insultando tudo e todos, mostrando a sua tremenda falta de compaixão (mas eles não são católicos?!), levantando acusações (aos detectives policiais) a quem deveria agradecer por terem se esforçado por lhes encontrar a filha. E os órgãos de informação ainda continuam alimentando a sede de protagonismo mediático destes dois parasitas da infelicidade da criança. Estou com o criminalista Moita Flores; mas então estes dois senhores ainda não foram processados por negligência grosseira? Afinal foram eles os primeiros responsáveis pelo que tenha acontecido com a infeliz criança, mas são aqueles que tentaram reparar o mal causado pela conduta dos pais que estão sendo julgados e criticados.

A terra treme no Haiti. As imagens são aflitivas com gente subterrada nos escombros duma cidade que lhes desabou em cima. O sangue está por todo o lado, tingindo a dor e os ferimentos graves dum povo que não pára de sofrer. Depois da pobreza extrema, da insegurança social, da violência política, ..., ainda o chão lhes treme debaixo dos pés.
Porque será que uns têm tudo e outros só têm miséria?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

PELÚCIA


EU SOU UM BONECO DE PELUCHE!

Deram a uma menina, já muito crescidinha, três bonecos de peluche e ela logo tratou de lhes dar nomes. A mim chamou de Manuel e aos meus irmãozinhos chamou de Rodrigo e Sergio. Agora todas as noites dormidos ao lado dela, na sua cama.

Ela nos chamou assim para se lembrar de quando brincamos às cozinhas, fazendo comidas novas, que ela prova com admiração e ela me ensina a fazer coisas boas com o milho para depois vender. Eu não gosto de comer coisas de milho, mas o dinheiro é bom para comprar outras coisas que fazem falta; como comida e refrescos (por vezes bebemos cerveja, hehehe).

Também brincamos de rir, pois ela gosta de rir e se sentir bem disposta, para afastar os medos da vida. Por vezes eu danço para ela dar risada e ela fica chamando todo mundo para me vir ver sambar. É muito divertido!

De manhã eu levanto muito cedo e vou esperar que ela chegue do mercado trazendo um grande saco de milho à cabeça. É muito pesado e eu me apresso para a ir aliviar. Depois ela descasca o milho e eu vou raspando o coco para fazer o leite que se junta na massa do milho. Ela então conta histórias da vida dela. Ela teve uma vida longa, com muitas histórias.

Ela tem um nome muito bonito, mas prefere ser chamada pelo nome duma grande imperatriz que governou a Rússia à muito tempo; talvez porque ela é mandona como essa rainha foi. hehehe (Mas a gente não se importa!). E assim poucas pessoas sabem o verdadeiro nome dela, pelo que não podem fazer feitiçaria contra ela. Pois, para a magia funcionar nós temos de saber o verdadeiro nome das coisas, senão... não dá!

Eu estou muito feliz de ser um URSINHO DE PELUCHE!

domingo, 13 de dezembro de 2009

ALMA A CAMINHO



Certo dia levaram um chefe índio, duma tribo da Amazónia, a visitar Brasília. A viagem foi de carro e no fim perguntaram ao homem como ele se sentia. Ao que ele respondeu: Eu já cheguei, mas a minha alma ainda vem a caminho.

Pois é, por vezes a nossa vida entra em turbilhões, que parece ficarmos desfasados da nossa própria alma. Assim tem sucedido comigo, nos tempos (anos) mais recentes. Entrei num sarau de ginástica cármica que me exige toda a elasticidade anímica; e não só a mim, como também àqueles que me rodeiam e me acompanham no quotidiano.

Tive um psicoterapeuta que me afirmava; não devemos flagelar-nos pelos nossos erros, apenas fazemos aquilo que nos ensinaram. Eu continuo repetindo essa fórmula a quem se vem lamentar das consequências das suas menos felizes escolhas e decisões.
Nós decidimos sobre o nosso destino em função daquilo que somos no momento e das condicionantes que a Vida nos apresenta. Somos responsáveis pelas nossas escolhas? Sim, somos responsáveis pelas nossas escolhas. Mas não temos de fazer das nossas vidas um covil de expiação pela nossa incapacidade de decidirmos mais acertadamente num mundo vil e perverso.

Somos mui lestos a julgar e acusar o outro, como se fossemos, cada um de nós, o senhor da razão. Muito prontamente identificamos e apontamos as falhas alheias, esquecendo convenientemente as tremendas burrices que já todos fizemos ao longo das nossas vidas. E depois, se nos fazem notar a impiedade da nossa ligeireza de julgamento, ainda argumentamos vivamente, tentando tapar o sol com a peneira, como se vogássemos acima de qualquer arbítrio.

Assim estou eu no presente da minha vida. Confuso, perdido no redemoinho de escolhas em que se tornou a minha vida, em que a cada segundo tenho que fazer uma opção, como se disso dependesse a minha execução em cadafalso. Sim, na verdade sou logo prontamente executado, por muitos daqueles que, pela sua intimidade e proximidade, deveriam ser os que mais prontamente deveriam manter o seu apoio incondicional, como ensinam os princípios cristão em que foram educados: ama o próximo como a ti mesmo, quem nunca pecou que atire a primeira pedra, ...

Sim, todos vivemos assediados por este mundo esclavagista e gananciosamente competitivo, mas isso não deverá ser desculpa para nos isentarmos da compaixão e cumplicidade que de nós é esperada. E pouco gloriosa é a ajuda que prestamos sob cobrança (nem que seja com sermão moralista e egotista).

Muita ajuda tenho pedido e tenho recebido (algumas vezes de expontânea vontade, sem que a tivesse requerido), nestes tempos mais recentes do meu existir. Na verdade quase que poderia dizer que vivo da boa vontade dos que me rodeiam; estejam eles (eles e elas, indiferentemente) mais perto ou mais longe. A todos agradeço!

Bem hajam!