quarta-feira, 24 de agosto de 2011

COMER E VESTIR

"You are what you eat,
Eat well!
You are what you wear,
Wear well!"

Nós somos o que fazemos e não o que opinamos.
As nossas atitudes definem mais a nossa pessoa que o que pensamos sobre as coisas ou as opiniões que emitimos. O que vestimos define a nossa imagem, assim como o que comemos e o modo como o fazemos, corresponde à nossa atitude perante a vida.

Tudo está ligado. Nós somos energia.
A energia que imprimimos, em nós e ao nosso redor, define o tipo de energia que recebemos de volta. As emoções são energia. Elas são inspiradoras e resultado de outras emoções que irão ajudar a definir opiniões, pois aquilo que pensamos também se modela pelo que sentimos.

Nota: O vídeo é apenas em áudio, duma canção dos Genesis da qual extraí os versos que sublinham a foto.

domingo, 21 de agosto de 2011

DE BOAS VONTADES...

Recebi por email um texto que supostamente seria uma carta enviada por Abraham Lincoln ao professor do seu filho. Não me foi possível confirmar a autenticidade da autoria atribuída, mas de modo nenhum isso desvirtua ou enaltece o conteúdo do texto, que por o julgar interessante como mote de reflexão aqui o compartilho convosco.

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales. Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram. Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão. Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso. Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens. Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."

Se não estiverem com pachorra para ler o texto, podem assistir o vídeo de Midge Ure, "Breathe":

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

CARRINHOS COMO CARINHOS

A minha mãe não era uma mulher muito expressiva em termos de afectividade. Também não era reservada. Mas não assumia aquela postura melada de beijos e carícias, tão típicas do ideal formado da mãe convencional. Era uma mulher e mãe, recta e branda, com uma atitude muito informal e alguma irreverência. Era uma pessoa junto da qual nos sentíamos à vontade e sem necessidade de recorrer a ritos hipócritas de falsos convencionalismos sociais.
Embora fosse uma mãe muito parca em afagos e carinhos físicos, não deixava de ser atenta a todos os momentos do crescimento e educação dos filhos e em momento nenhum era fria e distante. Sem pieguices, ela cuidava de tudo com presteza e zelo.
Com firmeza, mas sem rigidez, ela geria a prestação dos filhos na escola, esperando de nós bons resultados, sem no entanto exigir de nós uma excelência de génios. Sabia festejar uma boa nota e admoestar perante um resultado mais fraco.
Como desde cedo me revelei um aluno satisfatório e por vezes com resultados acima da média, ela negociou comigo um inteligente sistema de estímulo, recompensando as minhas boas prestações, satisfazendo uma das minhas paixões infantis: os carrinhos da Matchbox. Assim estabeleceu uma tabela de retribuição, sob a qual ela premiaria, ou penalizaria, os meus desempenhos escolares.
A classificação das provas escolares era feita pelos professores segundo uma tabela de: Mau, Medíocre, Suficiente, Bom e Muito Bom. Por um Suficiente eu receberia um carrinho; por um Bom dois carrinhos, por um Muito Bom seriam três, mas se a nota fosse negativa de Medíocre eu ficaria em débito de um carrinho que seria descontado no próximo resultado de positiva (ficaria assim na incumbência de tirar um Suficiente para pagar o mau resultado do Medíocre, ou então teria de tirar um Bom para pagar o carrinho do mau resultado e poder ganhar um carrinho). Um Mau era um resultado impensável.
E sempre este esquema funcionou, enquanto vivi em casa dos meus pais até aos meus 10 anos, o que me levou a juntar uma excelente colecção de carrinhos Matchbox, que conservei religiosamente até à minha maioridade.

Confesso que nunca fui entusiasta da escola, mas a perspectiva de conseguir uma óptima colecção de carrinhos, era suficiente para estimular o meu zelo e dar o meu melhor, sem grande esforço. Os carrinhos Matchbox eram os carinhos que guardava da minha mãe. Afinal numa família de signos de Terra (quatro virginianos e um capricorniano) os afectos eram algo que quase se poderiam modelar em pedra e barro; nada de pieguices lamechas carregadas de beijoroquices, afagos sufocantes e demais lambuzices.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

HALLELUJAH


Eu, tal como milhões de portugueses, sou descendente de judeus e muçulmanos, brutalmente convertidos ao cristianismo (único modo de evitarem a condenação às fogueiras da Inquisição) por uma cláusula do contracto de casamento de D. Manuel I com D.ª Isabel de Aragão. Esta cláusula foi imposta pelos pios Reis Católicos de Espanha (Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão), na sequência da genocida perseguição que vinham movendo nos seus territórios aos judeus e muçulmanos.
Presto aqui o meu preito a esses milhares de infelizes que se viram privados de tudo em nome do fanatismo religioso.
Sou assim um descendente de cristãos-novos.

Em nome da minha ancestralidade judaica...

domingo, 14 de agosto de 2011

LARGO DO ROMPANA

Chafariz do Largo Rompana, Barreiro

Esta manhã acordei e fui parar ao Largo Rompana, no Barreiro Velho. Não me perguntem como, pois já não me lembro. E de foto em foto descobri um blog (fotografia ao momento donde trouxe a foto do chafariz do Largo Rompana) com muitas do Barreiro, para eu matar saudades.
E não só matar saudades, pois visitei o novo Monumento ao Fuzileiro, na nova rotunda da Verderena, onde fica também o novo hipermercado (mais um para o povo gastar o dinheiro que lhe falta nesta época de crise económica).
Soube também do baptizado do Santiago, que me fez muita confusão com o Santiago, mas acredito não ser o Santiago, porque não soube de nenhum baptizado do Santiago e a ter havido baptizado do Santiago quem seria o fotógrafo seria o Raul e não o Paulo. Mas que o Santiago é muito parecido com o Santiago...
Depois ainda fui dar um grande passeio pelo Barreiro Velho e visitei as ruas que percorria para ir e vir da escola, as casas onde morei e os jardins por onde brinquei.

Monumento ao Fuzileiro, Barreiro

Estive também no pontão da Avenida da Praia, donde uma vez ia caindo nos pedregulhos expostos pela maré-baixa, ao caminhar de costas, observando o aviãozinho de asas rotativas que voava alto ao vento e eu controlava através duma guita de nylon. Quando ao pousar o pé direito não senti chão debaixo do calcanhar, olhei para baixo e apanhei um tremendo susto ao ver os enormes calhaus esperando com as arestas apontadas para mim. Na época ainda o pontão não tinha o pequeno guindaste, com que depois foi aparelhado, pelo que eu não tinha nenhuma referencia do final do cais. Já estava noite e eu completamente sozinho. Nesse momento foi Goroth quem me amparou e pude recuperar o equilíbrio. Recomposto do susto, voltei em silêncio para casa. Nunca ninguém soube desse episódio.

Avião de brinquedo, que voa seguro por uma guita como um papagaio (pipa)

Num impulso de “procura o avião que encontrarás” eis que achei na internet uma foto dum modelo idêntico àquele com que eu brincava no Barreiro em 1969. Hoje estou achando tudo do meu passado na net. Mete medo! Vou parar por aqui.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

DANÇA DA LUA

Já aqui vimos recentemente um vídeo do Ney Matogrosso, a propósito da comemoração dos seus 70 anos de vida. Na ocasião deixei em reserva uma participação sua com Eugénia Melo e Castro. Para os meus leitores brasileiros será uma perfeita desconhecida, tal como desconhecem a boa música portuguesa. A resposta é sempre a mesma, quando pergunto sobre o que sabem de música portuguesa: "Ah! Roberto Leal!" Nem vou comentar...

À uns anos a Geninha (como Eugénia Melo e Castro era conhecida em Portugal na altura deste lançamento) gravou um dueto com Ney Matogrosso. Poderia ser mais um caso do intercâmbio que os portugueses gostam de manter com o Brasil, não fosse a excelente qualidade do trabalho de ambos os cantores, assim como a originalidade da fascinante semelhança dos seus tons vocais, que resulta num intricando bordado em torno da melodia.
Apreciem!