sábado, 27 de fevereiro de 2010

INVERNIA

O vazio resvalando pela indiferença dum mundo apático... sonâmbulo!

Tudo conta abaixo do Sol. Porque procurar diferenças, onde a vida é uma constante universal?

Quem parte? Quem fica? Quem está... Quem foi... Quem não merece, ou quem... quem... quem chora, quem ri...
As fugas e retenções, as meias verdades e os pretextos. A via que se escolhe e a conveniência... de quem?

A vertigem do salto para um abismo repleto. A paisagem magoa a alma sofrida. A redenção mora oculta nas pregas dum quotidiano secretamente íntimo. ...Dissimulado.


Amanhã será um dia melhor!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

KIKI

Kiki é o seu nome.

Kiki é o rosto da alegria da fé justificada.

Ao fim de oito dias soterrado, este menino haitiano de sete anos de idade, saúda o mundo com a inocência dos puros. Um mundo que poderia se esforçar por o merecer, a ele e a todos os indigentes que são a prova viva da injustiça duma civilização desequilibrada e hipócrita.

domingo, 31 de janeiro de 2010

SAPATOS A CAMINHO

Ao caminhares os sapatos falam. E eles dizem: "Olá! Estou a caminho."

Descobrem mundos e levam-te longe. Trazem-te perto. E perdem-te algures. Protegem-te e escorregam, te atirando ao chão.

A sua capacidade de te levar depende da tua determinação de ir.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

CREPÚSCULO

O encanto do espectáculo diário do declínio da luz, que deveria ser assustador, mas antes surte um efeito de júbilo, por anunciar o fim de mais um dia de trabalhos e canseiras.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A NOSSA CULPA

O tempo passa e a terra ainda treme no Haiti. E o que foi feito por aquela infeliz gente? Pouco. Muito pouco! Tal como anteriormente nada fora feito para os ajudar a sair da situação de nação de escravos alforriados e sem destino.

Mas que ajuda está sendo dada? Entre muito pouca e nenhuma. Como sempre, todos deixámos os USA ocuparem militarmente o sistema de assistência aos sinistrados e a toda a situação, assim como o próprio território haitiano. E que fazem eles? O que os militares estão treinados para fazer; passeiam as armas prontos a apontá-las a quem os confronte.

As organizações médicas de socorro estão sem aprovisionamentos de medicamentos por os seus reabastecimentos não conseguirem aterrar no aeroporto ocupado pelo exército americano. Todo o tráfego aéreo que não seja militar americano está condicionado.

O povo flagelado do Haiti não precisa das armas americanas apontadas à cabeça! O povo do Haiti precisa de ajuda! Precisa de quem lhe dê água potável, medicamentos e alimentos. O povo do Haiti precisa de quem o ajude a organizar-se, para que eles se possam ajudar a si mesmos. E isso é coisa que o exército americano já demonstrou à exaustão não estar treinado para fazer. E isso é tudo culpa nossa, pois continuamos a permitir que esses yankees ajam como donos e senhores do mundo!

A culpa da miséria em que os haitianos se encontram é toda nossa, pois não lhes demos a devida atenção e deixámos que os americanos fossem para lá espalhar o caos habitual e entronar no poder os corruptos governantes fantoches do costume.

A culpa é nossa de os termos deixado desflorestar o seu território, para terem lenha com que cozinhar. E por nossa culpa quantos haitis ainda perduram por esse mundo, numa existência de fome, miséria e caos! Continuamos a viver obcecados com o nosso umbigo e a manutenção do nosso insustentável estilo de vida doentio e obsceno de consumo e despesismo, cegos e indiferentes ao que nos rodeia.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O POETA

Sim, sou o poeta! E daí?

Sou aquele que dá voz aos vossos corações espezinhados e ignorados. Sou aquele que encarna e chora as vossas lágrimas de frustração. Sou aquele que suporta a vossa dor, para que vós possais dar continuidade à vossa existência ignóbil e atrofiada. Sou aquele que dá forma aos vossos sonhos e devaneios, suportando toda a violência de ser desprezado e perseguido. Sou aquele a quem é negado o direito de identidade, porque vós temeis a diferença e o diferente. E assim me privam de uma existência digna.

Tudo isto vos convém e vos favorece, mas ainda exigis que eu faça do vosso jeito e do vosso modo, que também me pareça convosco, para que não tenhais de me sustentar...

Julgais que sou vosso escravo???

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

LAVANDA

Buscava eu uma imagem para ilustrar um tema musical, quando fui assaltado pelo passado e por um aroma que na minha infância me relaxava e anestesiava contra as adversidades duma existência de condenado.

Hum... Aquele aroma a alfazema era deveras tranquilizador. Era um arrebatamento musculado, Como ser levado pelas asas suaves dum vento tempestuoso. Algo de orgástico!...

Tive uma infância e adolescência muito sensual; eroticamente sensual.