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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ESCRITA; MEU UNIVERSO

“Escrever é mais importante que a nossa própria vida.”*

Eu passo, arrastando atrás o manto macio e aveludado da solidão. Fiel companheira.

Tudo parou! Por vezes a vida deixa de acontecer e o que se passa é uma agonia continuada dum quotidiano insípido e enfadonho de inútil e sem propósito. Uma garfada de arroz, uma xícara de café, um assistir os noticiários com as mesmas crises financeiras, o mesmo desmascarar inconsequente de políticos corruptos, as mesmas guerras absurdas... e a mesma insatisfação de sempre. A mesma frustração, que corrói e mina o ânimo, a vontade.

“Demoro muito a entrar, depois fico dentro daquela lógica e tenho muita dificuldade em viver. Tenho muita dificuldade em viver a vida comum enquanto estou a escrever. É viver uma outra coerência, em que as coisas são outras, os personagens são outros, que não admite interrupções, interferências, em que sair e entrar desse mundo não é fácil, é muito doloroso, até. ... Ninguém nos visita. Não há Deus nenhum que nos venha visitar. Não é Apolo, não são ninfas nenhumas, nem seres mágicos. Somos nós! É uma capacidade de concentração, que se tem.”*

Eu queria que tudo parasse! Que o silêncio se fizesse em redor. Que a ausência de mundo fosse a paz necessária. Que o silêncio fosse a folha em branco esperando o nascimento dos caracteres e das ideias ganhando expressão e formando o texto.

“Estou convencida que vale a pena trocar tudo para se deixar uma página bem escrita.”*

Nota: Transcrições (*) em itálico são excertos duma entrevista dada por Lídia Jorge a que assisti no blog “As Cores da Vida” (link).

sábado, 6 de agosto de 2011

SÁBADO

O dia amanheceu com um sol despudorado, do qual até as nuvens fogem e evitam. Uma brisa ameniza e refresca o que se poderia tornar numa jornada de canícula insuportável. Os príncipes de Geda espreguiçaram-se e deambulavam para cá e para lá, saudando com beleza e alegria mais um Sabbatt. (Ou seria a memória deles?)

O Sábado iniciava-se assim tranquilo e aprazível até. As preces no altar serviam para reforçar essa esperança de paz e doce agrado em estar vivo. Ao sair do Templo os pregões e a agitação colorida das barracas, anunciavam a feira com todos os seus atractivos. Os odores a fruta fresca traziam os campos vizinhos para dentro da cidade e a dança colorida dos panos pendurados nos varais convidavam os sentidos e apelavam às bolsas. Dos tachos nos fogos levantavam-se aromas a iguarias cozinhadas no momento, esperando para serem degustadas com prazer e apetite isento de culpa. Bandos de crianças brincavam despreocupadas nas clareiras de terra batida, sob um ou outro olhar descuidado de pais tranquilos.

Eu logo me dirigi até ao relvado junto ao rio e pegando no meu livrinho e lápis, sentei-me à sombra para vos anotar estas linhas.


Memorium: neste dia, em 1945, os Estados Unidos da América bombardeavam a cidade japonesa de Hiroxima com uma bomba atómica provocando milhares de vítimas mortais. Os responsáveis continuam sem julgamento por esse acto de genocídio.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

DA CANETA PARA O PINCEL

"Acabou o meu prazo de validade." Foi assim que o Nobel da Literatura Günter Grass, anunciou a sua retirada do mundo da escrita para se entregar exclusivamente à pintura.
Com 83 anos de idade o escritor conclui: "Na minha idade, já ficamos surpreendidos quando chegamos à Primavera seguinte. E eu sei o tempo que um livro pode demorar a escrever."

sexta-feira, 18 de junho de 2010

DRAGÕES E BURRÕES

Os jovens de hoje não lêem. É uma queixa que se ouve por toda a parte. Que os jovens não têm hábitos de leitura, que os jovens não sabem procurar conhecimento nos livros, que os jovens não reconhecem a importância do saber...

Mas é necessário dar bons produtos aos jovens. E a qualidade dum livro está no seu conteúdo ideológico e literário, mas também na sua apresentação.

Encontro-me a ler a Trilogia da Herança, escrita por Christopher Paolini (mais precisamente estou a meio do segundo volume, Eldest, editado pela Gailivro com tremendos erros de revisão).

Actualmente com 26 anos, Paolini iniciou a escrita deste projecto literário aos 15 anos, tendo conseguido a primeira edição e imediato sucesso aos 19 anos, pelo que se pode afirmar ser literatura dum jovem para outros jovens. Mas não se trata da análise da excelente e reconhecida obra de Paolini que aqui me traz.

Um texto pode ter uma narrativa cativante e ser bom de conteúdos, mas se estiver cheio de erros devidos a uma má revisão editorial, então não se pode esperar que seja uma fiável fonte de cultura e conhecimento. Se nos queixamos da falta de prática literária dos jovens e da má qualidade linguística das ferramentas que utilizam, como podemos esperar que eles se aperfeiçoem se não tiverem acesso a boas fontes. Não é com dicionários e gramáticas que se ensina a falar e escrever bem. É com bons livros, com bom jornalismo, com boa locução nas rádios e televisões, enfim, com cuidado e brio profissional nos veículos de disseminação de cultura e saber.