Os jovens de hoje não lêem. É uma queixa que se ouve por toda a parte. Que os jovens não têm hábitos de leitura, que os jovens não sabem procurar conhecimento nos livros, que os jovens não reconhecem a importância do saber...
Mas é necessário dar bons produtos aos jovens. E a qualidade dum livro está no seu conteúdo ideológico e literário, mas também na sua apresentação.
Encontro-me a ler a Trilogia da Herança, escrita por Christopher Paolini (mais precisamente estou a meio do segundo volume, Eldest, editado pela Gailivro com tremendos erros de revisão).
Actualmente com 26 anos, Paolini iniciou a escrita deste projecto literário aos 15 anos, tendo conseguido a primeira edição e imediato sucesso aos 19 anos, pelo que se pode afirmar ser literatura dum jovem para outros jovens. Mas não se trata da análise da excelente e reconhecida obra de Paolini que aqui me traz.
Um texto pode ter uma narrativa cativante e ser bom de conteúdos, mas se estiver cheio de erros devidos a uma má revisão editorial, então não se pode esperar que seja uma fiável fonte de cultura e conhecimento. Se nos queixamos da falta de prática literária dos jovens e da má qualidade linguística das ferramentas que utilizam, como podemos esperar que eles se aperfeiçoem se não tiverem acesso a boas fontes. Não é com dicionários e gramáticas que se ensina a falar e escrever bem. É com bons livros, com bom jornalismo, com boa locução nas rádios e televisões, enfim, com cuidado e brio profissional nos veículos de disseminação de cultura e saber.
