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sexta-feira, 18 de junho de 2010

DRAGÕES E BURRÕES

Os jovens de hoje não lêem. É uma queixa que se ouve por toda a parte. Que os jovens não têm hábitos de leitura, que os jovens não sabem procurar conhecimento nos livros, que os jovens não reconhecem a importância do saber...

Mas é necessário dar bons produtos aos jovens. E a qualidade dum livro está no seu conteúdo ideológico e literário, mas também na sua apresentação.

Encontro-me a ler a Trilogia da Herança, escrita por Christopher Paolini (mais precisamente estou a meio do segundo volume, Eldest, editado pela Gailivro com tremendos erros de revisão).

Actualmente com 26 anos, Paolini iniciou a escrita deste projecto literário aos 15 anos, tendo conseguido a primeira edição e imediato sucesso aos 19 anos, pelo que se pode afirmar ser literatura dum jovem para outros jovens. Mas não se trata da análise da excelente e reconhecida obra de Paolini que aqui me traz.

Um texto pode ter uma narrativa cativante e ser bom de conteúdos, mas se estiver cheio de erros devidos a uma má revisão editorial, então não se pode esperar que seja uma fiável fonte de cultura e conhecimento. Se nos queixamos da falta de prática literária dos jovens e da má qualidade linguística das ferramentas que utilizam, como podemos esperar que eles se aperfeiçoem se não tiverem acesso a boas fontes. Não é com dicionários e gramáticas que se ensina a falar e escrever bem. É com bons livros, com bom jornalismo, com boa locução nas rádios e televisões, enfim, com cuidado e brio profissional nos veículos de disseminação de cultura e saber.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O HOMEM E A CIDADE

50% da população mundial vive em cidades. Grandes metrópoles que tendem a crescer ainda mais, com mais gente chegando a cada dia. Espera-se que num futuro próximo 75% da população mundial esteja concentrada (melhor diria apinhada) em metrópoles desmesuradas.

Isso corresponde a uma falsa ideia de progresso. A ideia do quanto maior melhor é uma falácia dum tremendo complexo de inferioridade. Uma megalópole não proporciona melhores condições de vida aos seus habitantes; pelo menos à sua maioria, considerando que apenas uma minoria privilegiada usufrui de todos os recursos por ela disponibilizados.

As nossas cidades têm-se caracterizado por serem grandes concentrações de betão e asfalto, sem lugar algum para a Natureza. E é bom não esquecer que nós humanos somos parte integrante do sistema natural do planeta. Fomos nós que criámos o mundo artificial em que vivemos e não o inverso. Por mais urbanos que nos queiramos definir nunca deixaremos de ser elementos bio-culturais dum bioma maior e universal.

Se a tendência de crescimento das cidades é inevitável (apenas porque interesses económicos maiores assim pretendem e definem) ao menos que se tornem esses ciclópicos aglomerados mais humanos e próximos do que é natural.

Não basta ter pequenas ilhas de verde espalhadas no meio de imensos mares de betão. É necessário que o natural faça parte do quotidiano de todos. Não basta providenciar empregos para todos. É necessário que todos tenham acesso ao ócio e lazer. Não basta que cada um tenha um televisor em casa. É necessário que todos tenham acesso a uma cultura de qualidade. Não basta construir hospitais e centros de saúde. É necessário que todos tenham direito à saúde e a uma assistência clínica de qualidade. Não basta que todos tenham um automóvel à porta. É necessário que todos se possam mover com facilidade, conforto e rapidez por todo o tecido urbano. E acima de tudo é necessário que todos tenham igual acesso ao respeito e à dignidade.

A cidade é uma criação humana para humanos viverem. Então, humanizemos as cidades!