
segunda-feira, 16 de maio de 2011
CÉU AZUL

domingo, 15 de maio de 2011
JÚLIO E A CIGANITA
Quando eu era criança, ainda vivendo com meus pais e irmãs - logo bem criança mesmo, com menos de 10 anos – minha mãe oferecia-me livros da colecção das Aventuras dos Cinco, da escritora Enid Blyton, como prémio pelos meus bons resultados escolares. Eu adorava a leitura dessas histórias ricas de aventuras ao ar livre, convívio despreocupado entre os 4 adolescentes (Júlio, David, Zé e Ana, o quinto elemento do grupo era o cão Tim) e muitos modelos de comportamento e atitude (como bom virginiando sempre aspirei a assumir uma postura elevada e conveniente), já para não falar das ementas deliciosas profusamente descritas pela autora que nos fazia sentir como se participássemos daqueles manjares, que maioria das vezes não passavam de merendas de pic-nic, compostas de sandes e refrescos.
Uma memória dessas leituras, que guardei para toda a vida, foi um diálogo entre Júlio, o mais velho do grupo e uma personagem ocasional, uma menina cigana com quem partilharam uma aventura no “Os Cinco e a Ciganita” e se resumia apenas nisto:
- Porque cheiram sempre tão bem as tuas mãos? Como se tivessem perfumadas? – perguntava a ciganita, segurando as mãos cuidadas de Júlio entre as suas.
- Porque lavo as mãos com sabonete, para que estejam sempre limpas.
Simples e claro. Entendi e assumi o hábito. Não basta tomar banho para estar limpo; as mãos, como ferramenta fundamental no nosso quotidiano, deverão estar sempre bem limpas e tratadas. É com elas que manipulamos tudo, inclusivamente o que levamos à boca e ingerimos.
sábado, 14 de maio de 2011
SEM EMERGÊNCIAS (reposição)
Chegámos.
De caminho pude ver alguns clarões duma trovoada muito distante. Já era noite. Chovia. Chovia à vários dias, à várias semanas. Uma chuva insistente, aborrecida, que deixa tudo encharcado, os interiores húmidos e afasta o sol, deixando os ânimos propensos à melancólica apatia do tédio.
O nosso destino era o Shopping Guararapes, na cidade de Jaboatão dos Guararapes, onde iríamos comemorar um aniversário na loja de jogos.
Chegados, apressamo-nos para dentro do grande centro de lojas, não tão somente para fugir da chuva mas devido ao atraso em relação à hora marcada. Ainda entrámos numa loja generalista, para uma última compra e... a luz faltou e a escuridão foi total. Fiquei imóvel onde me encontrava, sem mover um dedo que fosse. Esperei. Rodei a cabeça de olhos bem abertos, mas não encontrei nenhum clarão (por mais ínfimo que fosse) de luz de emergência. Então? As luzes de emergência deveriam ter acendido automaticamente, logo que o geral falhasse. Nada!
Passados uns longos segundos a luz voltou. Depois apagou-se de novo e tornou a acender. Olhei em volta procurando os pontos de luz de emergência nas paredes e colunas da loja. Nenhum!
Compra feita saímos da loja e... a galeria, assim como a maioria das lojas do shopping estavam às escuras! Afinal o estabelecimento de onde acabáramos de sair tinha um gerador próprio, por isso de imediato normalizou a iluminação.
Meio na penumbra, deslocámo-nos pelo shopping procurando a loja onde decorreria a festa. A única iluminação disponível era a claridade oriunda de alguns estabelecimentos que tinham geradores de energia para seu uso próprio. Luzes de emergência nas galerias e átrios, nem uma. Eu procurava ignorar que estava num grande centro comercial, dum aglomerado urbano (Recife) com mais de um milhão e quinhentos mil habitantes.
Oh, saudades...!
NOTA: Esta é uma reposição da publicação anterior, que desapareceu na recente hecatombe do Blogger. Que me desculpem os que haviam comentado e cujos comentários desapareceram também.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
NADA É O QUE FOI
Inicia-se hoje o Festival de Canções da Eurovisão de 2011, que irá terminar no próximo sábado. Portugal irá concorrer com uma bodega em formato de música, escolhida pela populaça alienada e sem critérios. Enfim... a mediocridade ao poder! Vivemos na ditadura da vulgaridade!domingo, 8 de maio de 2011
EU, O ANJINHO
Eu tinha 11 anos e mantinha assíduas relações sexuais, de coito completo, com o meu tutor. E querem saber mais?! Fui eu quem sempre o seduziu! Depois da insistência no assédio e de todos os tipos de estratagemas e chantagens ele acabou por ceder e permitir que satisfizéssemos as nossas mais básicas e naturais necessidades de prazer e proximidade afectiva.
Sim, eu era bem jovem, mas perfeitamente ciente do que estava fazendo. Nem ele precisaria de me aconselhar o mais absoluto segredo, pois a minha maior preocupação era se ele manteria o mesmo segredo. O facto da tenra idade era irrelevante para a consciência sexual que eu teria, pois já muito antes (bem mais novo ainda) eu vinha mantendo jogos eróticos com todo o tipo de parceiro que se dispusesse a aventurar-se por campos que a paternalista e machista sociedade vigente e soberana, condenava ferozmente.
Não promovo, não apoio, não fomento a pedofilia. Mas nunca condenarei o meu tutor (nem a sua memória), nem outros que me tenham reconhecido como um ser humano inteligente com desejos e paixões.
Nota dedicatória: ao meu amigo Jr, em solidariedade.
