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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

AZEITE SPRAY

Podem achar anedótico, mas não é anedota. Podem achar que é esquisitice minha, mas não é. Poderão os não lusos entender que não é caso para tanto, mas acredito que muitos dos meus amigos portugueses, e aqueles que mesmo não o sendo já viveram em Portugal e conhecem os hábitos gastronómicos portugueses, entenderão a minha estupefacção, senão mesmo indignação.

Outro dia, num restaurante aqui no Recife, pedi azeite, para poder regar condignamente os legumes cozidos e a salada. Com espanto meu apresentaram-me uma garrafinha de spray de azeite. Não sabia se havia de rir ou gritar por socorro: “Levem-me para a minha terra!” Procurei entre os outros frascos de molhos e temperos, mas só encontrei outros dois iguais: azeite spray.

De acordo que o azeite não é um artigo de produção local, pelo que não faz parte dos costumes e gastronomia nordestina, ou mesmo brasileira, além de que por ter de ser importado é muito caro, mas daí a ter que borrifar a minha salada com uns aspergidos de azeite... Poupem-me!



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

NÃO É



Quando vi esta foto lembrei do bairro de Boa Viagem, no Recife. Mas nem as montanhas ao fundo são Olinda, nem a avenida de Boa Viagem é tão sinuosa, muito menos há embarcações nas praia de Boa Viagem. Apenas os arranha-céus lembram alguma semelhança.

Recife é uma cidade que nasceu dum porto marítimo mas vive de costas para o mar. Ela não teve origem no estabelecimento de nenhum pequeno núcleo humano pesqueiro, que depois se tenha desenvolvido. A cidade formou-se a partir do porto que a vizinha Olinda precisava para escoar o açúcar produzido nas plantações do interior, assim como da necessidade de importação de bens para satisfação duma classe de proprietários e produtores cada vez mais abastada e sequiosa de luxos.

Embora o porto do Recife fique junto ao centro histórico da cidade, desse mesmo centro não se consegue avistar nenhum navio. A arquitectura da cidade barra o acesso ao mar. Só no passado as grandes casas de famílias abastadas, da periferia rural, eram voltadas para os rios e afluentes, por estes serem usados como vias de acesso. Mas com a expansão urbana e a introdução de vias de comunicação e transporte terrestres esse vínculo perdeu-se e foi ignorado.

A cidade vive de costas para o mar que a bordeja. Para os recifenses, o mar serve apenas para ir chapinhar em veraneios balneares. Esta indiferença nota-se até na gastronomia, onde predominam os pratos de carne e de tradição rural sendo o peixe quase completamente ausente. 

Mas como toda a regra tem uma excepção, salva-se o bairro de Brasília Teimosa. A população que obstinadamente o fundou, viu no mar um recurso de subsistência. Aí situam-se restaurantes para quem seja amante dos produtos do mar: peixes e mariscos.

Pela observação do estilo de vida e tradições da população recifense  digo que Recife não é uma cidade marítima, mas sim uma cidade de interior implantada na orla litoral.



Nota: Não me perguntem que cidade é a da foto ao cimo, pois não sei. Apanhei a imagem na internet e serve bem os meus propósitos. A de baixo sim, é Recife.

Recife