quinta-feira, 10 de setembro de 2009

JUSTIÇA

Muito se clama por justiça, mas será mesmo justiça o que todos pedem?

Circunstâncias há que de tão perversas nos inspiram fortes sentimentos de repúdio, levando a uma sede de vingança muitas vezes encapuçada em perfis de justiça. Nada pode ser menos justo que a vingança. A justiça também não tem de ser cega, mas não pode ser vingativa. O olho por olho é um princípio pouco ético e nada conforme com uma conduta verdadeiramente elevada em consciência e sabedoria. Sendo a justiça de aplicação posterior ela não pode ser retaliadora.

Sejamos simplistas, ou simplórios como queirais denominar. Um pobre que furta comida para se saciar é um criminoso? O modelo social que não reparte a riqueza por todos os cidadãos, permitindo assim a existência de pobreza e fome, é criminoso? O sistema judicial que liberta um criminoso por falta de preenchimento dos requisitos burocráticos é criminoso?

A justiça punitiva não melhora o perfil da sociedade. É necessário mais que impor temor e aplicar castigo para se conseguir melhorar comportamentos sociais. A justiça mais eficaz é aquela que elimina as condições que propiciam o crime.

JOVENS

Orientação... Falta de orientação.

Os jovens apresentam graves sintomas de falta de orientação. Não lhes foram dadas ferramentas para se saberem orientar, para se saberem gerir. Não lhes foi ensinado a pensarem por si próprios. Não lhes foi ensinada inteligência.

Aos jovens falta-lhes iniciativa. Falta-lhes saber como e quando. Falta-lhes saber como agir. Porque para alcançar não basta desejar. E a vida é bem mais que um sonho desejado

Mas há jovens e jovens. E há inteligênca e falta dela. E a falta de inteligência humana continua a ser um flagelo. E se a inteligência não é cultivada na infância e na juventude, não será na maioridade que ela surgirá por milagre.

sábado, 5 de setembro de 2009

BEIJANDO

Esta semana, no Brasil, foi detido um turista italiano por ter beijado, nos lábios, a filha de oito anos na piscina pública duma instalação hoteleira. A presença da polícia e a instauração do processo judicial foram pedidos por turistas brasileiros que se encontravam no local e se sentiram vexados pela conduta do indiciado. 

Num país onde tão pouco se tem respeitado a criança (lembremos o massacre dos meninos de rua na Candelária) e onde se induzem as crianças ao consumo e tráfico de drogas, onde se instigam os menores a toda a prática de crimes e se os educa através duma programação televisiva de gosto duvidoso, tal medida é mesquinha, revelando um absurdo excesso de zelo, carregado duma imensa xenofobia.

Se o Brasil quer crescer como país com pretensões a ocupar no mundo um lugar de liderança, então o seu povo tem de se reeducar do seu chauvinismo marialva e do machismo obsoleto e tacanho com que pauta o seu quotidiano.

Não é através de telenovela que se educa um povo!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

LíNGUA E DIALECTO

Já deixei claro que politicamente sou a favor do Acordo Ortográfico. Contudo em termos linguísticos e culturais sou pela separação definitiva entre o português falado no Brasil e o português falado na restante Lusofonia.

O Acordo Ortográfico Político vem facilitar o entendimento do português pelos estrangeiros nas relações políticas e comerciais internacionais, assim como no ensino de português para cidadãos fora da Lusofonia. Uma normalização de regras é salutar para o desenvolvimento duma boa compreensão geral. A uniformização duma ferramenta de trabalho, como a língua, é proveitosa pois aligeira o entendimento e compreensão mútuos.

O português falado no Brasil já muito pouco tem a ver com o português falado em Portugal e na restante Lusofonia. O português do Brasil reúne todas as condições para ser considerado um dialecto e ficar isento de qualquer acordo ortográfico. 
Que se complete definitivamente o "Grito do Ipiranga", dando a total independência ao Brasil assegurando o seu linguajar como um dialecto português; o Brasileiro. Assim, além de se cortar definitivamente esse cordão umbilical, salvava-se o Português de ser destituído das suas origens linguísticas.

Assiste-se que, enquanto os países lusófonos não sul-americanos, olham para Lisboa em busca de directrizes para o desenvolvimento do Português, o Brasil olha para Washington em busca de influências. O Português é uma língua Indo-Europeia do ramo das línguas latinas e não do ramo das línguas germânicas, como o Inglês.

Percam-se os anéis mas fiquem os dedos.

sábado, 2 de maio de 2009

NOMES

Em certos países há uma lista oficial de nomes permitidos, segundo a tradição linguística nacional, e que é imposta a quem se apresenta perante a administração oficial para registar um recém-nascido. Alguns poderão entender que isto é uma limitação das liberdades individuais, uma vez que a escolha do nome fica restringida, não podendo os progenitores exercer o seu pleno direito de livre escolha. 

Mas será que a liberdade de uns poderá ir contra a dignidade de outros? Onde começa e termina o direito de cada um num sistema de liberdade? E será que qualquer nome é digno, independentemente do seu significado?

Ponho estas questões perante o facto, que tomei conhecimento, de três irmãs cujos progenitores lhes atribuíram os nomes próprios de Xerox uma, de Fotocópia a outra e de Autenticada a terceira. Sendo que a Xerox já foi mãe e chamou o seu filho de Carimbo. Não estou a ironizar.

Poderemos pôr em questão a dignidade de tais nomes? Será que a liberdade individual estará acima do direito de soberania dum Estado zelando pelos interesses daqueles que ainda não podem exprimir a sua opinião? Será que poderemos atribuir mais dignidade a uma Maria que a uma Autenticada?

Observando o caso em exemplo, parece que a Xerox assumiu a dignidade do seu nome e seguiu, o que parece assumir contornos de tradição familiar, dando o nome de Carimbo ao seu filho. Será que poderemos questionar o seu sentido de dignidade?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O VALOR DA EXPERIÊNCIA

De início eu tinha opiniões dúbias em relação a ele. Talvez ainda possa manter algumas cautelas em opinar sobre a pessoa, mas assistindo em directo ao jogo de futebol entre o Santos e o Corinthians do passado domingo, pude verificar o valor da experiência, que faz a diferença entre a arrogância e a auto-confiança. 
Falo do segundo golo de Ronaldo nesse jogo, que marcou o resultado final de 3-1 a favor do Corinthians. Até o próprio Pelé, presente no estádio, não se poupou a elogios à indubitável técnica de Ronaldo. 

E como se consegue tal feito?! Com a modéstia da dedicação a um trabalho de anos, cujo resultado é o aperfeiçoamento dum desempenho eficaz. No pain, no gain.

O que eu vi e se pode rever na repetição do lance até à exaustão, é o resultado de anos de experiência. A maturidade alcança-se com tempo e dedicação. Muitas vezes é necessário descer ao fundo do poço para aprender o valor da luz.

Medina Carreira diz "as pessoas sabem o preço das coisas, mas desconhecem o valor das coisas". Nos dias de consumismo hedonista em que vivemos e construímos a nossa civilização, pretende-se que tudo seja imediato e de fácil acesso. Apenas visamos os alvos, sem entender que o ganho está no percurso. Perdemos o sentido do aprendizado, o valor do ritual, a importância da iniciação.

O golo de Ronaldo pode parecer um passe de génio. Mas por trás daquele chuto estão anos de experiência e dedicação. Os génios não nascem feitos; aprendem! E isso está em extinção no nosso mundo civilizado: a importância do aprendizado.

Governantes e operadores sociais apelam para a necessidade da formação individual, mas em redor tudo apela para o imediatismo comodista. Temos de fazer escolhas sérias e conscientes. Temos que saber abdicar para ganhar.

terça-feira, 14 de abril de 2009

MÃO BRANDA E MÃO PESADA

Na política há que ser destemido e ousado, mas acima de tudo firme. Convicto também, para que as suas ideias sejam credíveis e galvanizem o apoio popular.

Barack Obama não hesitou em pedir que os seus militares usassem de medidas extremas para libertar com vida o comandante de navio refém dos piratas somális e logo em seguida anunciou medidas de liberalização no intercâmbio e circulação entre os cubanos exilados/imigrados nos USA e os seus parentes ainda em Cuba. (As coisas estão mexendo lá pelos States)
Certo que ele pediu contrapartidas ao governo cubano para prosseguir na abertura de relações entre os dois países, nomeadamente na questão do respeito pelos direitos humanos; no entanto, não o fez sem antes ter tomado medidas para acabar com a ignomínia que se passava em Guantanamo, em pleno solo cubano (sob a égide da Stars and Stripes).

Desde à muito tempo que a questão do bloqueio a Cuba se tornara um embaraço para a diplomacia americana, pois cedo se verificou que ele era ineficaz nas suas pretensões. Persistir no erro era apenas o orgulho de não querer reconhecer a falta de visão política a longo prazo. Tal medida nunca poderia resultar; quanto mais se bate na casca dum molusco mais ele se fecha. Elementary my dear Watson!

Quanto à firmeza perante os piratas somális... não há diálogo possível com escória sem escrúpulos. Canalhas sempre foram, essa escumalha da pirataria. Para eles apenas vale a razão das armas; e o jogo é entre a vida e a morte.

Obama entende e muito bem, que a nova guerra não é travada entre grandes exércitos em campo de batalha. Actualmente qualquer indivíduo isolado pode declarar guerra à maior potência, seja ela qual for. A vantagem está na capacidade de reacção e na inteligência de decisão rápida e eficaz.

Com o advento das novas tecnologias da informação, cada vez mais as políticas devem ter em conta a opinião e vontade popular. Um povo informado é um povo consciente dos seus direitos e da sua capacidade de intervir.

Um governante deve saber quando usar de mão branda ou de mão pesada.