




Muito se clama por justiça, mas será mesmo justiça o que todos pedem?
Circunstâncias há que de tão perversas nos inspiram fortes sentimentos de repúdio, levando a uma sede de vingança muitas vezes encapuçada em perfis de justiça. Nada pode ser menos justo que a vingança. A justiça também não tem de ser cega, mas não pode ser vingativa. O olho por olho é um princípio pouco ético e nada conforme com uma conduta verdadeiramente elevada em consciência e sabedoria. Sendo a justiça de aplicação posterior ela não pode ser retaliadora.
Sejamos simplistas, ou simplórios como queirais denominar. Um pobre que furta comida para se saciar é um criminoso? O modelo social que não reparte a riqueza por todos os cidadãos, permitindo assim a existência de pobreza e fome, é criminoso? O sistema judicial que liberta um criminoso por falta de preenchimento dos requisitos burocráticos é criminoso?
A justiça punitiva não melhora o perfil da sociedade. É necessário mais que impor temor e aplicar castigo para se conseguir melhorar comportamentos sociais. A justiça mais eficaz é aquela que elimina as condições que propiciam o crime.
Orientação... Falta de orientação.
Os jovens apresentam graves sintomas de falta de orientação. Não lhes foram dadas ferramentas para se saberem orientar, para se saberem gerir. Não lhes foi ensinado a pensarem por si próprios. Não lhes foi ensinada inteligência.
Aos jovens falta-lhes iniciativa. Falta-lhes saber como e quando. Falta-lhes saber como agir. Porque para alcançar não basta desejar. E a vida é bem mais que um sonho desejado
Mas há jovens e jovens. E há inteligênca e falta dela. E a falta de inteligência humana continua a ser um flagelo. E se a inteligência não é cultivada na infância e na juventude, não será na maioridade que ela surgirá por milagre.
Esta semana, no Brasil, foi detido um turista italiano por ter beijado, nos lábios, a filha de oito anos na piscina pública duma instalação hoteleira. A presença da polícia e a instauração do processo judicial foram pedidos por turistas brasileiros que se encontravam no local e se sentiram vexados pela conduta do indiciado.
Num país onde tão pouco se tem respeitado a criança (lembremos o massacre dos meninos de rua na Candelária) e onde se induzem as crianças ao consumo e tráfico de drogas, onde se instigam os menores a toda a prática de crimes e se os educa através duma programação televisiva de gosto duvidoso, tal medida é mesquinha, revelando um absurdo excesso de zelo, carregado duma imensa xenofobia.
Se o Brasil quer crescer como país com pretensões a ocupar no mundo um lugar de liderança, então o seu povo tem de se reeducar do seu chauvinismo marialva e do machismo obsoleto e tacanho com que pauta o seu quotidiano.
Não é através de telenovela que se educa um povo!