sábado, 3 de outubro de 2009

MARINUS VAN DER LUBBE

27 de Fevereiro de 1933, Marinus van der Lubbe entra para os compêndios de História. 


Acusado de ter ateado o incêndio do Reichstag, foi condenado à morte por decapitação, tendo a sentença sido executada a 10 de Janeiro de 1934.

Os historiadores reconhecem como plausível a sua culpabilidade no incêndio. 

Mas a acusação será sempre duvidosa pelo facto de ser promovida pelos nazis no poder, que sempre se utilizaram de todos os esquemas imorais para alcançar os seus intentos. O caso serviu de pretexto para Hitler prender os líderes do partido comunista (partido com o qual van der Lubbe estava envolvido) e fazer aprovar o Decreto do Incêndio do Reichstag, onde se restringia a maioria dos Direitos Humanos.

O incêndio do Reichstag começou pelas 21.14h e os relatos afirmam que ele foi ateado em vários pontos do edifício. À chegada de socorros deu-se uma grande explosão na Câmara dos Deputados e a Polícia encontrou Marinus van der Lubbe em tronco nu, dentro do prédio.

Anarquista e activista, com problemas de visão devido a um acidente de trabalho como pedreiro (a sua profissão), van der Lubbe acreditava e promovia a acção directa.

Quantos Marinus van der Lubbe continuarão a haver ainda na História?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

OLIMPÍADAS DE 2016

Faltam apenas algumas horas para a decisão sobre onde se realizarão as Olimpíadas de 2016. 

Grande expectativa rodeia as quatro candidaturas finalistas e os seus apoiantes. Festejos se preparam em todas as cidades candidatas, mas apenas uma celebrará a escolha.

Dentro do grupo, a candidatura do Rio de Janeiro ganha simpatias porque, a ser escolhida, traria pela primeira vez a realização deste grandioso evento desportivo para a América do Sul. Seria um claro sinal para o mundo de que os países do outrora esquecido hemisfério sul, começam a se revelar como participantes de pleno direito na cena internacional.

Em termos do apoio da população da cidade, o Rio de Janeiro não tem de que reclamar, pois a sua população é bem ávida de festas e se apresenta como aderente incondicional do evento. Contudo os madrilenos também perfilam da mesma postura.
Chicago não conta com o apoio popular, mas apresenta o melhor projecto em termos de inserção urbanística. Quanto a Tokyo... é a candidatura do pragmatismo e eficiência tão peculiares aos japoneses.

Esperemos então, para ver qual o resultado.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

JUSTIÇA

Muito se clama por justiça, mas será mesmo justiça o que todos pedem?

Circunstâncias há que de tão perversas nos inspiram fortes sentimentos de repúdio, levando a uma sede de vingança muitas vezes encapuçada em perfis de justiça. Nada pode ser menos justo que a vingança. A justiça também não tem de ser cega, mas não pode ser vingativa. O olho por olho é um princípio pouco ético e nada conforme com uma conduta verdadeiramente elevada em consciência e sabedoria. Sendo a justiça de aplicação posterior ela não pode ser retaliadora.

Sejamos simplistas, ou simplórios como queirais denominar. Um pobre que furta comida para se saciar é um criminoso? O modelo social que não reparte a riqueza por todos os cidadãos, permitindo assim a existência de pobreza e fome, é criminoso? O sistema judicial que liberta um criminoso por falta de preenchimento dos requisitos burocráticos é criminoso?

A justiça punitiva não melhora o perfil da sociedade. É necessário mais que impor temor e aplicar castigo para se conseguir melhorar comportamentos sociais. A justiça mais eficaz é aquela que elimina as condições que propiciam o crime.

JOVENS

Orientação... Falta de orientação.

Os jovens apresentam graves sintomas de falta de orientação. Não lhes foram dadas ferramentas para se saberem orientar, para se saberem gerir. Não lhes foi ensinado a pensarem por si próprios. Não lhes foi ensinada inteligência.

Aos jovens falta-lhes iniciativa. Falta-lhes saber como e quando. Falta-lhes saber como agir. Porque para alcançar não basta desejar. E a vida é bem mais que um sonho desejado

Mas há jovens e jovens. E há inteligênca e falta dela. E a falta de inteligência humana continua a ser um flagelo. E se a inteligência não é cultivada na infância e na juventude, não será na maioridade que ela surgirá por milagre.

sábado, 5 de setembro de 2009

BEIJANDO

Esta semana, no Brasil, foi detido um turista italiano por ter beijado, nos lábios, a filha de oito anos na piscina pública duma instalação hoteleira. A presença da polícia e a instauração do processo judicial foram pedidos por turistas brasileiros que se encontravam no local e se sentiram vexados pela conduta do indiciado. 

Num país onde tão pouco se tem respeitado a criança (lembremos o massacre dos meninos de rua na Candelária) e onde se induzem as crianças ao consumo e tráfico de drogas, onde se instigam os menores a toda a prática de crimes e se os educa através duma programação televisiva de gosto duvidoso, tal medida é mesquinha, revelando um absurdo excesso de zelo, carregado duma imensa xenofobia.

Se o Brasil quer crescer como país com pretensões a ocupar no mundo um lugar de liderança, então o seu povo tem de se reeducar do seu chauvinismo marialva e do machismo obsoleto e tacanho com que pauta o seu quotidiano.

Não é através de telenovela que se educa um povo!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

LíNGUA E DIALECTO

Já deixei claro que politicamente sou a favor do Acordo Ortográfico. Contudo em termos linguísticos e culturais sou pela separação definitiva entre o português falado no Brasil e o português falado na restante Lusofonia.

O Acordo Ortográfico Político vem facilitar o entendimento do português pelos estrangeiros nas relações políticas e comerciais internacionais, assim como no ensino de português para cidadãos fora da Lusofonia. Uma normalização de regras é salutar para o desenvolvimento duma boa compreensão geral. A uniformização duma ferramenta de trabalho, como a língua, é proveitosa pois aligeira o entendimento e compreensão mútuos.

O português falado no Brasil já muito pouco tem a ver com o português falado em Portugal e na restante Lusofonia. O português do Brasil reúne todas as condições para ser considerado um dialecto e ficar isento de qualquer acordo ortográfico. 
Que se complete definitivamente o "Grito do Ipiranga", dando a total independência ao Brasil assegurando o seu linguajar como um dialecto português; o Brasileiro. Assim, além de se cortar definitivamente esse cordão umbilical, salvava-se o Português de ser destituído das suas origens linguísticas.

Assiste-se que, enquanto os países lusófonos não sul-americanos, olham para Lisboa em busca de directrizes para o desenvolvimento do Português, o Brasil olha para Washington em busca de influências. O Português é uma língua Indo-Europeia do ramo das línguas latinas e não do ramo das línguas germânicas, como o Inglês.

Percam-se os anéis mas fiquem os dedos.

sábado, 2 de maio de 2009

NOMES

Em certos países há uma lista oficial de nomes permitidos, segundo a tradição linguística nacional, e que é imposta a quem se apresenta perante a administração oficial para registar um recém-nascido. Alguns poderão entender que isto é uma limitação das liberdades individuais, uma vez que a escolha do nome fica restringida, não podendo os progenitores exercer o seu pleno direito de livre escolha. 

Mas será que a liberdade de uns poderá ir contra a dignidade de outros? Onde começa e termina o direito de cada um num sistema de liberdade? E será que qualquer nome é digno, independentemente do seu significado?

Ponho estas questões perante o facto, que tomei conhecimento, de três irmãs cujos progenitores lhes atribuíram os nomes próprios de Xerox uma, de Fotocópia a outra e de Autenticada a terceira. Sendo que a Xerox já foi mãe e chamou o seu filho de Carimbo. Não estou a ironizar.

Poderemos pôr em questão a dignidade de tais nomes? Será que a liberdade individual estará acima do direito de soberania dum Estado zelando pelos interesses daqueles que ainda não podem exprimir a sua opinião? Será que poderemos atribuir mais dignidade a uma Maria que a uma Autenticada?

Observando o caso em exemplo, parece que a Xerox assumiu a dignidade do seu nome e seguiu, o que parece assumir contornos de tradição familiar, dando o nome de Carimbo ao seu filho. Será que poderemos questionar o seu sentido de dignidade?